Caça F-35 segue com mais de 870 falhas

Caças F-35A Lightning II- Foto: USAF

871 é o número de falhas nos softwares e hardwares do Lockheed Martin F-35 Lightning II, caça de quinta geração em serviço com os EUA e outros oito países. Das 873 falhas identificadas em um relatório do ano passado apenas duas foram resolvidas. Dos mais de 800 defeitos, 10 são de categoria 1, ou seja, da mais alta prioridade. 

Vários desses defeitos vem desde antes da fase de demonstração e desenvolvimento, que se encerrou em abril de 2018. Na época foram identificadas 941 falhas. A fonte é uma avaliação de Robert Behler, diretor de testes operacionais, obtida pela Bloomberg News antes mesmo de ser publicada. 

A avaliação fornece ao novo governo de Joe Biden uma cartilha de informações sobre o F-35, cujo programa segue com forte apoio dos clientes e do Congresso Americano, apesar de seus vários problemas e atrasos. Isso inclui uma simulação de combate com duração de um mês a fim de certificar as capacidades da aeronave contra ameaças russas e chinesas. 

Caça F-35C Lightning II, variante de pouso e decolagem em porta-aviões- Foto: USMC.

Ellen Lord, subsecretária de defesa para aquisição e sustentação, dirigiu uma revisão sobre o progresso na condução da simulação atrasada, que mais recentemente estava programada para ocorrer no mês passado. Em um memorando doa dia 15 de dezembro, anteriormente não divulgado para oficiais da Marinha e da Força Aérea, Lord também ordenou uma atualização da estratégia de aquisição de caças F-35 pelo Pentágono. Behler acredita que a simulação ocorrerá ainda esse ano. 

Além das falhas técnicas, o programa F-35 enfrenta um déficit de US$ 10 bilhões no orçamento planejado do Pentágono para 2021 até 2025. O projeto orçamentário final da administração de Donald Trump pede US$ 78 bilhões para pesquisa e desenvolvimento, aquisição de jatos, operações, manutenção e construções. Entretanto o Pentágono estima que US$ 88 bilhões serão necessários, de acordo com uma análise de junho de 2020.

Cronograma de atualização

O caça F-35 está passando por uma atualização do “Bloco 4”, que custa pelo menos US$ 12,1 bilhões, com o objetivo de corrigir deficiências anteriores e introduzir novos recursos a cada seis meses até 2026 para acompanhar as ameaças atuais. O plano inclui a reforma de alguns aviões já construídos e em uso por militares dos EUA, Reino Unido e Japão.

De acordo com o relatório de Behler, o Bloco 4 não está funcionando e “Está causando atrasos significativos nos cronogramas planejados e resulta em baixa qualidade do software, contendo deficiências”. Mudanças de software “destinadas a introduzir novos recursos ou corrigir deficiências, muitas vezes trazem problemas de estabilidade”.


Linha de montagem do caça F-35A da Dinamarca- Foto: Lockheed Martin

Apenas 10 das 871 falhas do F-35 são de Categoria 1. Falhas dessa categoria são deficiências críticas que poderiam comprometer a segurança do piloto ou da aeronave ou degradar a eficácia da missão. Em 2018 haviam 102 dessas deficiências, dentre 941 falhas totais.

Em comunicado a Lockheed Martin disse que nenhuma das 10 deficiências atuais são problemas de “Categoria 1A” que poderiam afetar a segurança do piloto ou da aeronave, mas sim de “Categoria 1B”, que o escritório do programa define como representando “um impacto crítico na prontidão para as missões”, treinamento ou manutenção.

“Embora não tenhamos visto o relatório, rastreamos todos os relatórios de deficiência do F-35”, disse o porta-voz da Lockheed, Brett Ashworth, em um comunicado. Brett afirmou que cerca de 70% dos 871 itens pendentes “são classificados como de baixa prioridade ou estão com o Escritório Conjunto do Programa F-35 para resolução”.

Dos 10 relatórios de deficiências de “impactos da missão” pendentes, nove têm “planos de resolução de fechamento, com sete já entregues ao governo aguardando ação” e os outros atualmente em revisão.

Entre outras descobertas, o relatório disse que, embora o F-35 esteja mostrando maior confiabilidade, as equipes de manutenção ainda levam bastante tempo para reparar a aeronave. Além disso, as vulnerabilidades de segurança cibernética, identificadas durante testes anteriores, ainda não foram resolvidas.

Via Bloomberg News. 

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