A Boeing realizou nesta última segunda-feira (04/11) uma nova bateria de testes na sua cápsula CST-100 Starliner, que deverá ser utilizada para levar astronautas até a Estação Espacial Internacional.

A cápsula realizou uma simulação de ejeção de emergência, um teste que durou aproximadamente dois minutos, onde os motores de ejeção são acionados, separando rapidamente a cápsula do foguete.

A espaçonave foi capaz de demonstrar o desempenho adequado de vários sistemas integrados que seriam necessários para impulsionar com sucesso a cápsula para longe de seu veículo de lançamento Atlas V em qualquer ponto durante a subida.

Todo o procedimento foi realizado em um banco de testes na Faixa de Mísseis de Areias Brancas do Exército dos EUA no Novo México.

No T-0, na contagem regressiva, a Starliner disparou seus quatro motores de interrupção de lançamento (LAEs) e vários propulsores orbitais de manobra e controle de atitude (OMAC). Com 190.000 libras de empuxo, a sonda afastou-se rapidamente do suporte de teste, mostrando a rapidez com que o sistema pode afastar os astronautas do perigo, se necessário.

O veículo voou quase uma milha em pouco menos de 20 segundos antes de implantar seu escudo térmico dianteiro e para-quedas, juntamente com um sistema de boia, mas que também serve de amortecimento para um pouso fora da água.

À medida que o módulo da tripulação descia lentamente para um pouso seguro sob os para-quedas, o módulo de serviço continuava a cair livremente conforme planejado. Pouco mais de um minuto após o teste, o escudo térmico do veículo se separou, permitindo que os airbags da espaçonave Starliner fossem acionados e inflados em preparação para o pouso.


O módulo de tripulação pousou 95 segundos depois que os motores de interrupção foram acionados.

Nas próximas 24 horas, o módulo de tripulação da Starliner será recuperado para avaliação e análise. A realização desse teste no solo ajuda a preservar o módulo da tripulação para reutilização, e a Boeing utilizará os dados desse teste para validar ainda mais o desempenho do sistema durante operações nominais de pouso.

A Boeing está aplicando novas técnicas de construção para as unidades do CST-100, a nova padronização permite que a montagem seja realizada com qualidade e simplicidade não obtida pelo programa Apollo. Por exemplo, em vez de construir a estrutura pressurizada, e em seguida, equipar com cabos elétricos, canos e outros acessórios a cápsula, agora os elementos são construídos na metade superior e inferior da sonda. Logo após a união entre as partes, os cabos já estão disponíveis e só resta para os engenheiros unir as ligações e finalizar o acabamento.

A cápsula espacial Boeing CST-100 substitui o ônibus espacial em sua função de levar tripulantes para a Estação Espacial Internacional, porém não realiza o mesmo trabalho para levar cargas de grande volume, como módulos da ISS e o telescópio Hubble.

A Starliner foi projetada para ser a primeira cápsula orbital fabricada nos Estados Unidos a pousar em terra, o que ajudará a tornar os módulos da tripulação a ser reutilizáveis em até 10 vezes.

Além de ser reutilizável, a NASA pode utilizar a CST-100 nos foguetes Atlas V, Delta IV, e Falcon 9. Dessa forma a agência poderá ter a qualquer momento a disponibilidade de lançar a Starliner rumo a ISS.