CENIPA conclui em 2020 incidente grave de 2014 com Fokker 100 da Avianca Brasil

Em 2014 a Avianca Brasil estava quase no seu último ano operando voos com o Fokker 100, quando um incidente ocorreu no Aeroporto de Brasília. A aeronave estava cumprindo o voo O6-6393, de Petrolina (PE) para Brasília (DF).

Na ocasião, a aeronave reportou ao controle de tráfego aéreo que estava com um problema no trem de pouso dianteiro. Este foi detectado durante o procedimento para pouso do Aeroporto de Brasília, quando a aeronave já estava se aproximando da pista.

Os pilotos tentaram por diversas vezes, e com vários checklists e procedimentos do manual, acionar o trem de pouso dianteiro, que continuava a falhar. A solução dos pilotos foi realizar um pousou sem o trem de pouso dianteiro, avisando a equipe de solo da sua intenção.

A aeronave fez várias órbitas, para queimar combustível antes do pouso, e evitar o risco de um incêndio na sequência. O pouso “de barriga”, ou arrastando parte da fuselagem, pode gerar uma quantidade significativa de faíscas, e gerar combustão.

Os bombeiros do Aeroporto de Brasília esperaram o pouso do Fokker 100, que foi realizado com perfeição, sem feridos na ocasião. Logo após eles aplicaram espuma retardante de incêndio, para evitar um possível foco de fogo.

Todos os passageiros 44 passageiros e 5 tripulantes saíram da aeronave através dos escorregadores infláveis, e foram atendidos por uma equipe do Corpo de Bombeiros do local.

 

Causas do incidente

Anteriormente o Centro de Investigações e Prevenções de Acidentes Aéreos (CENIPA) emitiu um relatório preliminar sobre o incidente, destacando também a perícia dos pilotos nos procedimentos para pousar em situação delicada.


Mas um novo relatório emitido nesta última semana pelo CENIPA, sobre o incidente do dia 28 de março de 2014, apontou alguns problemas mecânicos, que impediram o trem de pouso dianteiro de ser acionado.

Mesmo após o Fokker 100, e a própria Avianca Brasil, deixar de operar por aqui, o CENIPA emitiu algumas recomendações, que podem servir até mesmo para outras companhias.

De acordo com o Relatório Final, publicado nesta semana, o trem de pouso dianteiro teve uma falha na dobradiça da porta, que impediu o trem de pouso de sair do compartimento. A falha foi ocasionada por uma provável corrosão na peça, apesar que o CENIPA não afirmou o motivo de ocorrer a resistência na abertura da mesma.

A corrosão é uma falha prevista na peça, de acordo com o manual. A aeronave também estava com todas as revisões e checks em dia, então há uma possibilidade de falha da peça antes do previsto nos manuais, principalmente após uma revisão pesada do F100, com correção deste componente.

A corrosão é capaz de travar o deslizamento de um pino, como podemos ver na foto acima, e o trem de pouso não aciona mesmo usando uma segunda alternativa, a alavanca que comanda o mecanismo para que ele “caia” e trave com a gravidade.

 

Recomendação do CENIPA

A recomendação do CENIPA, nesta caso, é manter esta dobradiça sempre lubrificada e sem qualquer indício de oxidação. O relatório apontou que não havia indicativo de lubrificação recente na dobradiça, que passou por um processo de alteração do pino em 2012, na Holanda.

O CENIPA ainda indica que o programa de manutenção estabelecido pelo fabricante, pode ter contribuído para a ocorrência. De acordo com o órgão, não há parâmetros de manutenção preventiva adequados para as portas do trem de pouso.

Na ocasião as dobradiças foram modificadas em um retrabalho, incorporando pinos radiais maiores e alargando os orifícios do lobo.

 

Falha no sistema hidráulico

Além do problema no trem de pouso, a tripulação enfrentou também uma falha no sistema hidráulico #1, do Fokker 100, pouco tempo após decolar de Petrolina. De acordo com o CENIPA, havia um vazamento de fluído no corpo de uma das bombas hidráulicas, instalada no motor esquerdo.

Considerando que não havia relato prévio do mau funcionamento do sistema hidráulico e que os procedimentos de preparação da aeronave foram realizados satisfatoriamente antes da decolagem de Petrolina, pode-se afirmar que o vazamento, pelo menos no que diz respeito a grandes proporções de fluido hidráulico, ocorreu na decolagem dessa localidade.

O vazamento foi tal que causou o colapso do sistema hidráulico #1 cerca de trinta minutos após a decolagem. Isso fez com que os tripulantes decidissem acionar o trem de pouso com um sistema alternado, sem contar com a linha hidráulica.

Antes mesmo de ter uma falha no trem de pouso dianteiro, os pilotos já solicitaram emergência para pouso em Brasília, pela falha no sistema hidráulico. O trem de pouso principal conseguiu ser acionado pelo sistema alternativo, por gravidade, e travou logo após assumir sua posição, diferente do trem de pouso dianteiro, que nem saiu do compartimento.

No caso de ativação do sistema alternado, o esforço exercido nas portas é devido apenas ao peso do trem de pouso, não há força hidráulica para abaixar o trem de pouso e abrir a porta.

 

Recomendações da falha hidráulica

As pesquisas realizadas na bomba hidráulica foram suficientes para identificar que o vazamento de fluido ocorreu devido à extrusão de uma junta moldada. Essa gaxeta ficava entre duas seções do corpo da bomba em uma área que só era trabalhada quando a bomba foi submetida a reparos ou revisão geral.

A bomba em questão havia sido reparada e testada em 31 de julho de 2012 e, desde então, operava 2.563 horas até que o vazamento mencionado ocorresse, resultando no sistema hidráulico inoperante 1. Os fatores mais comuns para a extrusão de juntas são os transientes de pressão dentro do corpo da bomba.

Não há certeza sobre o que desencadeou a extrusão dessa junta.

 

Conclusão sobre o Fokker 100 envolvido

Este Fokker 100 de matrícula PR-OAF nunca voltou a voar. A aeronave ficou em um hangar da Avianca Brasil no Aeroporto de Brasília, e foi utilizada posteriormente para o treinamento de tripulantes. Vale ressaltar que o F100 saiu da frota em 2015.

A Avianca tentou vender a carcaça da aeronave pouco antes da sua falência, mas atualmente a mesma faz parte dos ativos da empresa, que devem ser leiloados para o pagamento de dívidas.

 

Veja abaixo o vídeo do pouso do Fokker 100 em Brasília:

 

Via – The Aviation Herald

 

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