A-29 Super Tucano Embraer FAB bombas BFAG-230
Super Tucano da FAB taxiando com duas bombas BAFG-230. Foto: Sgt. Rezende/FAB.

O A-29 (EMB-314) Super Tucano é, de fato, o produto de defesa de maior sucesso da Embraer. Seu projeto surgiu a partir de estudos com base no Short Tucano, uma versão britânica do EMB-312 Tucano equipado com um motor mais potente. 

O primeiro Super Tucano foi entregue à Força Aérea Brasileira (FAB) em 2004 e desde então vem sendo usado na formação dos novos pilotos de caça no Esquadrão Joker e nas missões de patrulha de fronteiras e interceptação de aeronaves leves com os esquadrões Flecha, Grifo e Escorpião.

Embraer A-29 EMB-314 Super Tucano Paveway II USAF Armamentos bombas
Um A-29B Super Tucano de demonstração carregando duas bombas GBU-12 Paveway II durante avaliações do Porgrama OA-X da USAF, em agosto de 2017. Foto: Ethan D. Wagner/USAF.

Desde 2015 o Super Tucano também é o avião usado pelo Esquadrão de Demonstração Aérea, popularmente conhecido por Esquadrilha da Fumaça.

Hoje, o A-29 está presente em quase 20 países, incluindo os Estados Unidos, e já foi extensivamente empregado em combate de forma bem-sucedida. 

Desde sua concepção o A-29 foi pensado para empregar armas e, neste artigo, vamos vê-las em detalhes. Confira!

 

FN Herstal M3P 

O principal armamento do A-29 são suas metralhadoras M3P, também chamadas de M3W, calibre .50 BMG, fabricadas pela FN Herstal da Bélgica. O Super Tucano possui duas destas armas, uma em cada asa, com 250 munições por metralhadora. A M3P tem uma cadência de 1100 tiros por minuto e é empregada contra aeronaves ou alvos em solo. 

Dentre todas as aeronaves da sua categoria, o A-29 é o único que possui metralhadoras integradas. Os outros modelos, mesmo os mais modernos, carregam as metralhadoras nos cabides externos, o que gera mais arrasto aerodinâmico. 

 

Bombas de emprego geral 

Outro artefato bastante presente no leque de armas do A-29 são as bombas de emprego geral, sejam as da série Mk.81 norte-americanas ou as BAFG (Bomba de Baixo Arrasto para Fins Gerais) nacionais.

A-29 lançando bombas BAFG-230. Foto: Sgt. Manfrim/FAB.

No caso do Super Tucano, ele pode utilizar as Mk.81 de 250 libras, BAFG-120 de 128 kg,  Mk.82 de 500 libras e a BFAG-230 de 248 kg. Apesar da diferença de peso, as BAFG possuem dimensões e desenho idênticos as bombas da série Mk.80. 

A aeronave também usa uma outra munição mais antiga e pesada, a M117 de 750 libras. Todavia, esta última não é usada pelas aeronaves da FAB. 

A-29 armado com cinco bombas BAFG-120. Foto: Tenente Lemos/FAB.

O A-29 pode transportar duas M117 ou cinco Mk.81/Mk.82/BAFG. Apesar de não serem bombas guiadas, o A-29 pode executar o lançamento das mesmas com precisão através dos modos de CCIP (Ponto de Impacto Calculado Continuamente) e CCRP (Ponto de Lançamento Calculado Continuamente).

Bombas M117 de 750 libras expostas com um A-29 colombiano. Foto: mexicoarmado.com

Algumas versões do Super Tucano, como as usadas pela Colômbia, EUA e Equador, possuem um telêmetro laser logo abaixo da entrada de ar, o que aumenta a precisão do modo CCIP. 

 

Foguetes de 70mm

Os foguetes de 70mm também são parte importante do “cardápio” de armas do Embraer Super Tucano. Os foguetes podem ser os SBAT 70 nacionais ou os Hydra 70 fabricados no exterior, sendo empregados a partir de casulos de sete ou 19 tubos, de acordo com as necessidades da missão. 

Um protótipo do A-29 carregando quatro casulos de foguetes de 19 tubos. Foto: Embraer.

Os casulos podem ser os LAU-32 ou LAU-51, fabricados pela FZ, ou os EQ-LMF-70/7 e EQ-LMF-70/19, produzidos pela Equipaer.

Super Tucano disparando foguetes de 70mm. Foto: Sgt. Manfrim/FAB.

Outro casulo que pode carregar os foguetes é o SUU-20, mas usado apenas em treinamento. O SUU-20 pode transportar quatro foguetes de 70mm e mais seis bombas de exercício BEX-11. 

Pod de treinamento SUU-20/A com bombas de exercício BEX-11 e foguetes SBAT-70.
A-29 com o casulo SUU-20. Foto: Sgt. Rezende/FAB.

Os Super Tucanos também podem empregar os foguetes APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System), guiados por laser. Em 2019, os EUA entregaram um lote desses foguetes ao Líbano, para uso a partir dos A-29 daquele país.

O APKWS é um foguete Hydra 70 que recebeu um kit de orientação por laser, tornando-se uma arma de precisão e um intermediário entre foguetes comuns não guiados e o míssil ar-solo AGM-114 Hellfire. 

 

Mísseis ar-ar

Caso precise se defender de aeronaves de maior performance, o A-29 é certificado para usar mísseis ar-ar de curto alcance guiados por infravermelho, como o AIM-9 Sidewinder norte-americano e o MAA-1 Piranha brasileiro.

Aeronaves A-29A, F-5EM e A-1A com mísseis MAA-1 Piranha em um foto de propaganda para a Mectron, desenvolvedora dos mísseis.
A-29 disparando um míssil Piranha durante ensaios no Rio Grande do Norte.

Fontes apontam que o míssil israelense Python III também poderia ser usado pelo Super Tucano. No Brasil, o A-29 nunca foi empregado operacionalmente com mísseis ar-ar, mas chegou a ser testado com esse tipo de armamento. 

 

Bombas Guiadas 

As bombas da série Paveway estão entre as PGM (Precision Guided Munitions) mais usadas no mundo. Trata-se de um kit de orientação por laser, que transforma as bombas convencionais Mk.80 em armas de precisão, capazes de acertar até mesmo alvos em movimento. 

 

A-29 da Embraer lançando uma bomba GBU-12. Imagem: Embraer.

O A-29 não só é capaz como já empregou em combate as bombas GBU-12 e GBU-58 Paveway II de 500 e 250 libras, respectivamente. As bombas podem ser orientadas por tropas em solo ou pelo próprio A-29, através das torres FLIR Star SAFIRE, que podem receber um projetor laser se o cliente desejar. 

A-29 Super Tucano da Força Aérea Afegã carregando bombas GBU-58. Foto: Staff Sgt. Jared Duhon/USAF.

Outra bomba guiada testada no A-29 foi a SMKB-82, da empresa brasileira Britanite. O kit SMKB transformava uma Mk.82 em uma bomba guiada por GPS/INS, similar à JDAM dos EUA. No entanto, o projeto acabou não indo em frente. 

 

Outros armamentos

Quando ainda era um protótipo chamado ALX, o A-29 chegou a ser exposto com uma gama de armamentos, incluindo casulos de metralhadoras .50 e 7,62, bem como o casulo de canhão Nexter NC-621 de 20mm. Entretanto, é bastante provável que os canhões Nexter nunca tenham sido usados na aeronave. 

Protótipo do A-29 exposto com mísseis Piranha e os canhões Nexter de 20mm, bem como pods de foguetes e metralhadoras e tanques de combustível externos. Foto via America Militar.

Outro equipamento bastante usado pelos A-29 são os Equipaer AV-CAA. Não se trata de um armamento, mas sim um pod usado em treinamentos de tiro aéreo.

Pod de tiro aéreo montado em um A-29 Super Tucano do Esquadrão Joker. Foto: Capitão Ranyer/FAB.

Nestas missões, um A-29 é usado para transportar o pod, que contém um cabo de 300 metros preso à uma biruta de nove metros de comprimento por 1,8 metro de altura. Em determinado momento o cabo é estendido e o Super Tucano passa a rebocar a biruta à uma distância segura, que então é alvejada por outras aeronaves.

A-29 com o pod AC-CAA. Foto: Ten. Lemos/FAB.

A Força Aérea Chilena também expôs um de sues A-29 Super Tucano carregando um par de mísseis ar-solo AGM-65 Maverick, algo jamais visto até então. 

O AGM-65 é fabricado pela Raytheon Missile Systems, mas seu desenvolvimento começou na década de 1960 pela Hughes Aircraft Company. A versão utilizada pelo Chile, AGM-65F/G é guiada por imageamento infravermelho, podendo atingir alvos a 24 Km de distância.

A-29 Super Tucano Chile AGM-65
Aeronave é vista com um par de mísseis ar-solo AGM-65 Maverick. Foto: FACH via Pucará Defensa

Esta variante também possui uma ogiva WDU-24/B de 136 Kg. Outras versões possuem ogivas menores com sistemas de orientação diferentes como laser, TV e sensor eletro-óptico. 

Outra imagem da própria Embraer aponta que mísseis ar-solo Hellfire, bombas guiadas SDB e mísseis ar-solo leves estão sendo integrados ao A-29, indicando que o arsenal da aeronave deve crescer ainda mais. 

Armamentos do Super Tucano
Imagem: Embraer