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Tomou posse nesta quarta-feira (23/01), em Brasília (DF), o novo Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). O Coronel Engenheiro da Reserva Carlos Augusto Teixeira de Moura assumiu o cargo no lugar de José Raimundo Braga Coelho, que esteve à frente da instituição durante os últimos sete anos.

O engenheiro foi nomeado pelo Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Tenente-Coronel da Reserva e astronauta Marcos Pontes, que presidiu a cerimônia.

No discurso de posse, o novo presidente da AEB destacou as principais prioridades para a sua gestão e assumiu o compromisso de alavancar o Programa Espacial Brasileiro.

“A meta é elevarmos o nosso programa espacial à verdadeira condição de programa de Estado. Por isso, precisamos unir a nossa ciência aplicada à tecnologia, ou seja, a toda a base tecnológica que temos de forma que possamos utilizar as aplicações possíveis para atender às necessidades da sociedade brasileira”, destacou.

Ao falar sobre o setor aeroespacial, o Coronel Moura ressaltou a importância da adoção de um novo modelo de governança do setor, conforme discutido no âmbito do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro. Também falou sobre a necessidade da realização de ações em busca de parcerias e mais investimentos.

“Precisamos obter mais recursos, com o apoio dos nossos parceiros, como a Embrapa, o Ministério da Agricultura, a Agência Nacional do Petróleo. Também vamos buscar outras entidades que se beneficiam de aplicações espaciais. Chamaremos esses parceiros para compor os nossos projetos para termos um programa que traga resultados”, afirmou.

O novo presidente da AEB mencionou ainda os benefícios que o país poderá obter com o desenvolvimento de projetos coordenados pelo Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). “É um local extremamente interessante para colocar o Brasil no mercado espacial. Por isso, nós vamos envidar todos os nossos esforços para que o CLA passe a atuar no mercado comercial, trazendo para aquela região também desenvolvimento socioeconômico”.

Além do Ministro do MCTIC, estiveram presentes autoridades do Alto-Comando da Força Aérea Brasileira (FAB), como o Ministro do Superior Tribunal Militar (STM, Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Vuyk de Aquino, e o Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Augusto Amaral Oliveira. Oficiais-generais, representantes de fundações de pesquisa, parlamentares e familiares também prestigiaram o evento.

 

Perfil

Natural de São Paulo (SP), Carlos Augusto Teixeira de Moura é graduado em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica e Mestre em Ciências, com especialização na área de informática (engenharia de software) pelo Instituto Tecnológico Aeronáutico (ITA).

Tem experiência em projetos aeroportuários e de centros de lançamento espacial, em desenvolvimento, qualificação e operação de sistemas computadorizados de aplicação crítica.

O novo presidente da AEB atua no segmento espacial, desde 1985, com destaque para implantação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), desenvolvimento do Veículo Lançador de Satélites (VLS), operações de lançamento e rastreio espaciais, e de intercomparação de sondas com a Organização Mundial de Meteorologia.

O Coronel Engenheiro também tem experiência em desenvolvimento do Plano Diretor para o CEA (Infraero), projeto e implantação do Complexo Terrestre do Cyclone-4 e concepção e planejamento de sistemas espaciais no âmbito do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE).

Junto à AEB, participou de diversas atividades de cooperação, como estudos prospectivos com organizações internacionais para utilização do CLA, desenvolvimento de regulamentos de segurança espacial, desenvolvimento e implantação de infraestrutura geral do CLA, programas de certificação e licenciamento espacial. E, desde o início de 2017, atua em conjunto com representantes de outros órgãos, em diversos Grupos Técnicos do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro (CDPEB).

O engenheiro fez carreira na Força Aérea Brasileira (FAB). Ingressou em março de 1973 e permaneceu na ativa até setembro de 2008. Atuou novamente na área de Ciência, Tecnologia, Inovação e Offset do Estado-Maior da Aeronáutica, no período entre abril de 2016 e fevereiro de 2018. Desde março de 2018, trabalhava como Analista da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), encarregada do PESE.

 

Futuro

A chegada do primeiro representante da Força Aérea Brasileira à presidência da AEB, após quase 25 anos de criação, foi acompanhada com otimismo pelas autoridades ligadas à pesquisa e ao desenvolvimento do setor.

O Presidente da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), Brigadeiro do Ar José Vagner Vital, acredita que a experiência do novo presidente da AEB favorecerá os projetos referentes à área do espaço.

“O Brasil durante muito tempo não priorizou essa área. Por isso, acho que é o início de uma nova era no âmbito das ações referentes ao espaço. Toda a experiência de vida dele, o fato de ele conhecer as necessidades, tudo isso vai facilitar em certo ponto e poderá ser usado para alavancar o programa espacial junto com a indústria e a ciência, mantendo a parte de pesquisas”, disse o oficial-general.

Para o Chefe do Subdepartamento Técnico do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Brigadeiro Engenheiro César Demétrio Santos, a possibilidade da destinação de mais recursos necessários ao êxito de projetos que estão em desenvolvimento é outra vantagem.

“Sua vivência e maturidade poderão proporcionar as condições para que se possa atingir o objetivo-fim do DCTA que é, por exemplo, ter sucesso no lançamento de um veículo-lançador ou de um satélite”, apontou.

Essa também é a expectativa do Diretor do Centro de Lançamento de Alcântara, Coronel Aviador Marco Antônio Carnevale Coelho, que espera ainda poder ver o Brasil figurar, entre os outros países, como uma grande potência espacial.

“O CLA tem uma aproximação grande com a AEB e ela tenderá a se ampliar. O Centro Espacial de Alcântara é o norte para o Programa Espacial Brasileiro. Acredito que nós temos todos os ingredientes na dimensão exata para o sucesso do programa. Toda a sociedade brasileira ganha na medida em que cada satélite colocado em órbita por meio de Alcântara seja um produto nacional”, finalizou.

 

Via – Força Aérea Brasileira