Foto: Ministério de Defesa da Rússia

Em mais um dia de guerra, a Rússia completou o número de mais de 400 mísseis lançados contra a Ucrânia, em ataques significativos que ocorreram em Kiev e Kharkiv, cidades no norte do país.

Em Kharkiv, cidade localizada perto da fronteira com a Rússia, o prédio do governo foi explodido por mísseis russos, deixando seis feridos. Os destroços atingiram construções nos arredores, e foguetes atingiram uma área residencial da cidade, de acordo com informações da agência Interfax.

“Os escombros estão sendo removidos e haverá ainda mais vítimas e feridos”, declarou o assessor do Ministério do Interior, Anton Herashchenko.

Foto: Pavel Dorogoy/AP

Outros locais também foram atacados, como uma base militar em Okhtyrka, onde 70 pessoas foram mortas. No total 10 civis morreram e 35 ficaram feridos nos ataques à Khakiv, nesta terça-feira (1º/03).

“O ataque contra Kharkiv é um crime de guerra. É terrorismo de estado. Os russos estão avançando na capital, como em Kharkiv. Por isso, a defesa da capital é hoje a principal prioridade”, afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, num vídeo publicado numa rede social.

Enquanto não consegue chegar nos alvos por terra, a Rússia está atacando lançando mísseis terra-terra a partir da Bielorrússia e do seu próprio território desde a última quinta-feira (24/02). Além disso, os russos também usam em massa navios, tanques e aeronaves de caça e transporte (com paraquedistas).

Em Kharkiv um outro ataque aéreo realizado por um míssil russo danificou um edifício residencial. Oito pessoas morreram e seis se feriram. Os bombeiros precisaram resgatar 38 pessoas no interior do prédio.

 

Ataques em Kiev

Foto: CARLOS BARRIA/REUTERS

No 6º dia de guerra a famosa torre de TV de Kiev, inaugurada da era soviética, foi atacada por dois mísseis. Cinco civis morreram, e um memorial do holocausto nazista, que relembra a morte de 30 mil judeus no local em apenas 24 horas, foi destruído com os ataques.

Como resultado, não há mais transmissão de TV na cidade, e a comunicação por internet já estava precária anteriormente.

Os falecidos, todos civis, caminhavam perto da torre no momento do ataque, de acordo com as autoridades ucranianas. Os bombeiros entraram em ação após o ataque para resgatarem pessoas no local.

Um míssil também atingiu uma hospital-maternidade privado perto de Kiev, na Ucrânia, na terça-feira, de acordo com a postagem no Facebook do chefe da maternidade Adonis, Vitaliy Gyrin. Não há relatos de feridos por enquanto.

Kiev e Kharkiv são os principais alvos da Rússia no momento, de acordo com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Ele ainda ressaltou que o país está concentrado em defender principalmente a capital, Kiev.

A Rússia ainda não dominou nenhuma grande cidade da parte continental ucraniana, apesar de cerca várias delas como Kharkiv, Kiev e Maripoul.

O Governo Ucraniano diz que já contabilizou mais de 2000 civis feridos, e 200 mortos, devido aos ataques. Mais de 400 ataques com mísseis foram realizados pela Rússia contra a Ucrânia nos últimos dias.

 

Rússia mira em prédios de inteligência do Governo Ucraniano, e Zelensky pede ajuda

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em pronunciamento para a população.

Os russos alertaram logo cedo para que os moradores de Kiev saiam da cidade, principalmente os localizados próximos de edifícios governamentais.

A Rússia declarou que planeja atacar em breve, e com mísseis, os prédios do Serviço de Segurança da Ucrânia e do 72º Centro Principal de Informações e Operações Psicológicas. Os dois ficam localizados em Kiev.

“O problema é que a Rússia domina no céu. Nossos pilotos estão lutando ferozmente contra eles, mas também temos perdas. Assim, os russos usam seus jatos de combate e bombardeiros para atacar nossas cidades e precisamos combater essa ameaça. Esses são os dois pedidos mais urgentes que apresentamos aos nossos parceiros”, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, para a CNN.

“Estamos lutando no ar, mas fisicamente a Rússia tem mais aviões para enviar para a Ucrânia do que nós. Então é por isso que colocamos tanta ênfase na defesa aérea e na força aérea, e também na defesa antimísseis”, disse o ministro.

O empresário ucraniano Max Polyakov em uma ligação com repórteres na segunda-feira (28 de fevereiro), disse que o seu país precisa de mais auxílio das empresas de satélite. Apesar da Planet Labs e da Maxar já compartilharem imagens em tempo real e alta resolução, como dos 64 km de carros blindados e tanques russos na estrada entre a Bielorrussia e Kiev (veja nas fotos abaixo).

Diferente de algumas publicações, não é possível afirmar que esse comboio invadirá Kiev nas próximas horas. A Rússia prepara uma grande ajuda em suprimentos, como combustível, munição e alimentos, para os seus soldados em solo ucraniano, após um erro neste ponto.

Por outro lado, as Forças Armadas da Ucrânia contabilizaram algum sucesso nesta terça-feira. Uma base aérea na Rússia, localizada no Oblast de Rostov, foi danificada pelo Exército Ucraniano que atacou com mísseis balísticos Tochka-U.

Um blindado TOR-M2 foi abandonado pelos russos, provavelmente por falta de combustível. O blindado é um sistema de mísseis superfície-ar, eficiente para atacar drones e aeronaves, que são deslocadas para atacar alvos em solo.