Restos do 737 que operava o voo PS572. Foto: National Security and Defense Co/AFP via Getty Images.

(Reuters) – Pouco mais de um ano após o evento, o órgão regulador de aviação civil do Irã culpou o operador de uma bateria antiaérea pelo abate do Boeing 737-800 que fazia o voo PS752 da Ukraine International Airlines, em 08 de janeiro de 2020. O abate causou a morte de todas as 176 pessoas a bordo. 

O Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, criticou o relatório através de um post no Facebook, dizendo que seria uma uma tentativa cínica das autoridades da República Islâmica de encobrir os verdadeiros motivos do acidente.

“O que vimos no relatório publicado hoje nada mais é do que uma tentativa cínica de esconder as verdadeiras razões para a queda de nosso avião. Não permitiremos que o Irã esconda a verdade, não permitiremos que ele evite a responsabilidade por esse crime.”

O relatório apontou que, por um erro do operador, o avião foi identificado como um alvo hostil nos arredores de Teerã e dois mísseis foram disparados contra ele. O relatório também tira qualquer culpa dos que estavam operando o voo. 

“Os operadores do voo do voo não tiveram um papel na criação do erro da bateria de defesa aérea”

Em 08 de janeiro, as forças armadas iranianas estavam em estado de alerta máximo por conta de um possível ataque dos EUA após o Irã ter retaliado a morte de Qassem Soleimani, comandante militar mais poderoso do país, morto em um ataque aéreo americano dias antes. 

No meio de todas as tensões, o PS572 decolou do Aeroporto Internacional Imam Khomeini e logo foi identificado como inimigo pelo operador de uma bateria TOR M1 da Guarda Revolucionária Iraniana. Foram disparados dois mísseis 9M331 que atingiram a aeronave.

Bateria Tor M1 russa, similar ao modelo usado no abate do voo civil ucraniano. Foto: AP via Business Insider.

Em um relatório preliminar divulgado em junho do ano passado, a Organização de Aviação Civil do Irã disse que o erro foi resultado da falta de comunicação da defesa aérea com seus comandantes e de um desalinhamento no radar de uma bateria.

“Após uma realocação tática, a unidade de defesa aérea falhou em ajustar a direção do sistema devido a erro humano, fazendo com que o operador observasse o alvo voando a oeste do aeroporto como um alvo se aproximando de Teerã a partir do sudoeste a uma altitude relativamente baixa”, disse o relatório final.

“Sem receber sinal verde ou resposta do centro de comando, ele (operador) chegou a identificar o alvo como hostil e disparou mísseis contra a aeronave, contra o procedimento planejado.”

O governo de Teerã alocou US$ 150.000 por danos a serem pagos às famílias das vítimas, afirmando que várias pessoas foram julgadas pelo desastre.

Desembarque das vítimas do voo PS572. Foto: Governo Ucraniano via Wikimedia.

O governo ucraniano afirmou que as compensações devem ser definidas através de conversações, levando em conta a prática internacional, uma vez que as causas da tragédia sejam estabelecidas e os responsáveis ​​sejam levados à justiça.