Embraer diz que não teve nenhum pedido cancelado por causa da pandemia do COVID-19

Embraer

A fabricante brasileira de aeronaves Embraer diz que não teve nenhum cancelamento de pedidos como resultado da atual pandemia global de coronavírus que dizimou o setor de transporte aéreo, mas está vendo alguns clientes solicitarem adiamento de entregas, pois as companhias aéreas reduzem a capacidade por um período indeterminado, publicou o FlightGlobal.

“A discussão é dinâmica”, diz o diretor financeiro Antonio Carlos Garcia, nomeado para seu cargo em novembro e iniciado em 1º de janeiro. “Todas essas [discussões] são sobre o cronograma de entrega, mas nenhum cancelamento. A situação está realmente mudando e precisamos saber por quanto tempo durarão as reduções de capacidade para obter uma avaliação precisa.”

A empresa com sede em São José de Campos divulgou os resultados do ano de 2019 em 26 de março, e retirou suas expectativas financeiras para o ano, pois o resultado e a duração da crise ainda não estão claros para todos.

As receitas da Embraer no ano inteiro aumentaram 9%, para US$ 5,5 bilhões, acima dos US$ 5,0 bilhões em 2019. A empresa reportou uma perda líquida ajustada de US$ 218 milhões, mais de três vezes comparando com o ano anterior, uma vez que levou encargos especiais e custos por redução ao valor recuperável, bem como os custos relacionados à cisão de sua divisão comercial na preparação de uma fusão com a Boeing.  

A empresa encerrou o ano com um estoque de US$ 16,8 bilhões e diz ter recebido 69 novos pedidos firmes durante o ano, através da American Airlines, KLM, Azul e United Airlines. Sua nova geração de pedidos pendentes de jatos E2 alcançou 153 pedidos firmes e mais de 570 compromissos.

“Até agora, a Embraer não sofreu extensos atrasos em sua cadeia de suprimentos, operações de produção ou impactos materiais na demanda por seus produtos. No entanto, devido à incerteza relacionada ao impacto da propagação do vírus, a empresa está suspendendo suas orientações [de ganhos]”, afirma a fabricante de aviões em comunicado.

Dito isto, Garcia acrescenta que a liquidez da empresa é sólida, encerrando o ano com US$ 2,8 bilhões, além dos US$ 600 milhões arrecadados este mês. A Embraer, assim como seus pares, está tomando medidas ativas para preservar seu dinheiro. Menos de 16% da dívida total da empresa vence nos próximos 24 meses, acrescenta ele.


O presidente-executivo, Francisco Gomes Neto, diz que a Embraer concluiu a abertura de sua divisão comercial em janeiro, antecipando a fusão planejada com a Boeing, prevista para fechar ainda este ano. A transação foi amarrada em burocracia regulatória na Europa e os executivos agora esperam que demore mais do que a data de conclusão original de junho. 

“Ainda precisamos da aprovação antitruste na Europa e estamos trabalhando juntos com a Boeing para conseguir isso. É uma importante parceria estratégica e uma prioridade para a Embraer”, acrescenta Neto. A Boeing e a Embraer garantiram a aprovação de sua parceria planejada junto às autoridades brasileiras em janeiro.

A análise aprofundada do acordo pela Comissão Europeia foi motivada por preocupações no mercado de aeronaves de corredor único, particularmente no segmento de 100 a 150 assentos. Recentes disputas comerciais entre os Estados Unidos e a União Européia também podem atrasar o fechamento da transação. 

 

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