O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nos últimos dias os dados de IPCA de março, que teve a maior alta para o mês desde o início do plano real, de 1,62%, 0,61 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de 1,01% de fevereiro.

De acordo com o IBGE, a maior variação (3,02%) e o maior impacto (0,65 p.p.) vieram dos Transportes, com a influência da alta dos combustíveis no mês na faixa de 6,70%.

Como sempre, o Instituto listou a inflação das passagens aéreas, que recuaram -7,33% em março. O número que deveria ser um bom resultado, na realidade, pode ser contestado com outros dados.

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Uma recente pesquisa que publicamos da KAYAK, um buscador de viagens, mostra que os preços aumentaram até 45% em média ao longo de março, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia causava um aumento expressivo no Querosene utilizado por aeronaves.

Tabela da Kayak lista aumento geral de preços por cidade.

A pesquisa foi feita na base de dados do KAYAK buscando por voos de ida e volta saindo de todos os aeroportos do Brasil com destino a todos os aeroportos do Brasil. Foram consideradas buscas feitas entre 01/03/2022 e 15/03/2022 para viagens realizadas entre 01/03/2022 e 31/12/2022.

Mas de acordo com o IBGE, os dados apresentados consideram a pesquisa das passagens aéreas realizada em janeiro, com data para voar em março. Por este motivo há uma variação negativa dos preços.

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Janeiro também é costumeiramente uma época que as companhias vendem passagens aéreas com preços mais baixos para períodos fora da temporada, como o mês de março. Nenhuma empresa no setor contava com o desenrolar de uma guerra envolvendo a Rússia, país que é o maior exportador de combustíveis fósseis na Europa.

Como resultado das sanções implementadas contra a Rússia, o preço do barril de petróleo subiu de US$ 80 (em média) para US$ 110 rapidamente. A alta foi reduzida em parte por uma queda no valor do dólar, de R$ 5,20 (em média) para R$ 4,70, em poucos dias.

Seguindo a metodologia do IBGE, só saberemos os dados reais da inflação no preço das passagens aéreas nos dados de maio, que são divulgados no mês seguinte.

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