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Entenda por que a Esquadrilha da Fumaça raramente usa fumaça colorida em suas apresentações

FAB Fumaça colorida EDA Esquadrilha A-29
Apesar de bonita, a fumaça colorida traz mais carga logística às apresentações do EDA. Foto: Sargento P. Silva - FAB.

Os voos da Esquadrilha da Fumaça – oficialmente conhecida por Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA)  – sobre Brasília e Rio de Janeiro, no último Sete de Setembro, marcaram o retorno da fumaça colorida nas cores da bandeira nacional e até uma manobra inédita no mundo. 

As belas apresentações também levantaram questionamentos, especialmente se a fumaça colorida e a nova acrobacia farão parte dos ‘displays’ comuns da Esquadrilha, cuja missão maior é representar a Força Aérea Brasileira (FAB). 

Esquadrilha da Fumaça Colorida

Foto: Isabel Daher

O portal AEROFLAP conversou com o Capitão André Bezerra, piloto #6 da equipe da FAB, para trazer esses esclarecimentos. Mas antes, é importante relembrar o uso da fumaça colorida pelo EDA. 

 

Resgate

As apresentações no Dia da Independência não foram as primeiras do EDA com o material colorido, mas sim as primeiras com o A-29 Super Tucano. Fabricado pela Embraer, o turboélice de ataque e treinamento é usado pelo time desde 2015, quando substituiu o T-27 Tucano. 

Os jatos T-24 sobrevoam Rio de Janeiro com a fumaça colorida. Foto: FAB.

A primeira aeronave a despejar a fumaça colorida pelo EDA foi o T-24 (CM-170) Fouga Magister, o primeiro e único jato da equipe, usado entre 1968 e 1972. Posteriormente, a fumaça colorida voltou a ser usada com o T-27 Tucano, mas apenas em ocasiões especiais, tais como os desfiles de Sete de Setembro em Brasília. 

 

Logística

Segundo o Capitão Bezerra, as apresentações no DF e RJ marcam a recuperação de uma antiga capacidade da equipe. A fumaça com as cores da bandeira chama mais atenção, abrilhantando as demonstrações e reforçando um dos valores da equipe: o patriotismo.

Outro destaque foi a troca de fumaça em voo. Os aviões foram adaptados com um chaveamento no painel. Quando acionado, a aeronave pode trocar da fumaça branca para colorida. 

Tucano T-27 FAB EDA Esquadrilha da Fumaça colorida Brasília

Os antigos T-27 Tucano do EDA, usando a fumaça colorida sobre Brasília, em 2009. Foto: Antonio Cruz – Agência Brasil.

No entanto, assim como o T-27, a fumaça colorida será usada apenas em demonstrações especiais. Conforme explicado pelo aviador, o uso do fumo colorido trás mais dificuldades às demonstrações, já que aumenta a pegada logística da equipe. 

O processo de geração de fumaça ocorre da mesma forma para as ‘duas fumaças’: um óleo vegetal, biodegradável, é pulverizado diretamente no escapamento direito. Em contato com os gases quentes, o óleo evapora e se torna fumaça. 

Esquadrilha da Fumaça Porto Alegre FAB EDA

Foto: Gabriel Centeno – Aeroflap.

Para fazer a fumaça colorida, a Esquadrilha precisa importar um óleo específico para isso. A fumaça ganha cor assim que o material é queimado no escapamento, através de uma reação química. No entanto, esse óleo tem uma viscosidade diferente, com uma tendência de aderir aos materiais mesmo depois de queimado, o que suja a fuselagem do avião. 

“A longo prazo, se você não tomar cuidado, os produtos químicos desse óleo podem causar um problema de corrosão”, conta o aviador.

A equipe toma duas medidas para evitar isso. A primeira é que os aviões são polidos pelos Anjos da Guarda – como são chamados os mecânicos do EDA – com uma camada espessa de uma cera especial, para evitar que os resíduos grudem na fuselagem. A segunda é que depois das apresentações com fumaça colorida, os aviões são lavados imediatamente. “A gente encera, usa, depois remove a cera e lava a aeronave.”

Além disso, o oficial diz que o EDA precisa transportar os latões de óleo até o local da apresentação. Ele explica que as aeronaves não voam com o material nos reservatórios, já que “isso pode aumentar a probabilidade de algum entupimento em válvula. Então a gente precisa ter o óleo na localidade.” 

Esse dois fatores significam mais material e mais militares a serem transportados em uma única demonstração, aumentando a logística envolvida. “O produto, evidentemente por ser importado, é um pouco mais caro que a fumaça branca. Então temos todos esses óbices“, completa Bezerra. 

 

Novas manobras

Como mencionado no início do texto, uma nova manobra apresentada no Rio de Janeiro também chamou bastante atenção. Bezerra conta que ela ainda não tem nome, mas foi apelidada como ‘DNAzão’, em referência à acrobacia DNA. Mas assim como a fumaça colorida, essa manobra também está reservada à ocasiões específicas. 

O DNAzão envolve oito aeronaves, uma a mais que as sete tradicionalmente usadas pela equipe. Novamente, envolve mais logística. Ela consiste em seis A-29 voando na formação Espelhão (três aviões em voo normal, com outros três em voo de dorso). Logo atrás, mais dois A-29 voam em torno da trilha de fumaça, formando uma espiral. 

“O DNAzão foi uma ideia que tivemos para valorizar a fumaça colorida”. Bezerra destaca que, apesar de similar às manobras de outros times de demonstração, como os britânicos Red Arrows e o Al-Fursan emiradense, o DNAzão é único por ter o espelhão, o que torna a manobra ainda mais inédita. 

Sobre a adição de novas acrobacias ao currículo do EDA, o piloto explica que isso é algo raro. “Ou você imagina algo novo e estuda a viabilidade daquilo, ou vemos uma manobra já feita por outro time e buscamos adaptar aquela ao que é possível ser feito com o A-29. Mas é muito raro.”

Por outro lado, a equipe altamente treinada busca sempre melhorar suas apresentações. Bezerra conta que a Esquadrilha tem adaptado as manobras em maior ou menor grau, a fim de aprimorar a visualização e o efeito causado no público. Isso inclui alterações nos parâmetros de ângulo, tempo e velocidade nas acrobacias. “A gente faz adaptações o tempo todo para que o display seja cada vez melhor.” 

 

Como visitar a equipe

Por fim, além de se apresentar pelo Brasil e o Mundo, a Esquadrilha da Fumaça recebe visitantes em sua sede. A equipe tem como “casa” a Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP). 

Conforme informado no site do EDA, todos os visitantes devem atentar às orientações da AFA e realizar o cadastro prévio. O passo-a-passo pode ser encontrado no site da AFA: https://www2.fab.mil.br/afa/index.php/agende-sua-visita.

 

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Estudante de Jornalismo na UFRGS, spotter e entusiasta de aviação militar.