O então vice-presidente Joe Biden dentro de um CH-47 Chinook do Exército Americano. Foto US Army.

A equipe do Governo de Joe Biden está considerando o cancelamento dos acordos de vendas de armas à Arábia Saudita que afetam questões de direitos humanos, ao mesmo que procuram limitar o país à aquisição de armas somente defensivas, afirma a Reuters.

De acordo com quatro fontes do governo, depois de interromper meio bilhão de dólares em negócios de armas com a Arábia Saudita devido à preocupação com mortes no Iêmen, autoridades estão reavaliando os equipamentos e treinamento incluídos nas vendas recentes para determinar o que pode ser considerado defensivo ou ofensivo. 

“Nosso foco é acabar com o conflito no Iêmen, ao mesmo tempo que garantimos que a Arábia Saudita tenha tudo de que precisa para defender seu território e seu povo” disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, acrescentando que o presidente Biden prometeu encerrar o apoio militar dos EUA à campanha militar contra os Houthis.

Há duas semanas um ataque dos Houthis acabou danificando um Airbus A320 civil em um aeroporto no sul da Arábia Saudita. 

Ao mesmo tempo que os sauditas são fortes aliados dos EUA contra o Irã, o país gera graves preocupações sobre direitos humanos. Por isso o novo governo de Joe Biden está revendo as relações entre os países.

“Eles estão tentando descobrir onde você traça os limites entre as armas ofensivas e as defensivas”, disse um assessor do Congresso familiarizado com o assunto, descrevendo o processo. 

As vendas de produtos considerados defensivos, como o Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), sistemas de defesa antimísseis balísticos da Lockheed Martin ou sistemas de defesa antimísseis Patriot da Lockheed e Raytheon, ainda seriam permitidas sob a nova política.

Um caça F-15E Strike Eagle carregado de bombas GBU-39 Small Diameter Bomb, mesmo modelo que a Arábia Saudita deseja adquirir. Foto: USAF.

No entanto, a aquisição de bombas GBU-39 SDB e outros artefatos bélicos seriam vetados. Tais vendas foram aprovadas no governo de Donald Trump, mesmo sob forte protesto do Congresso. 

EMIRADOS AFETADOS

A revisão também afeta US$ 23 bilhões em negócios com os Emirados Árabes Unidos, outro país que tem sido um importante parceiro dos EUA. 

No último dia do Governo Trump, os Emirados Árabes Unidos assinaram acordos para adquirir até 50 caças F-35 Lightning II, 18 drones e demais equipamentos militares. 

Essa venda, que o Governo Trump justificou como permitindo aos Emirados Árabes Unidos deter as “ameaças” iranianas, também está entre as que estão sendo analisadas pelo governo Biden.

Caças F-35I Adir da Força Aérea de Israel. Foto: IDF-AF.
A venda para os Emirados envolveu um acordo com Israel, que era contra o fornecimento dos produtos. 

O Congresso também votou para bloquear o acordo dos Emirados Árabes Unidos por temer que ele estivesse sendo aprovado sem garantias suficientes de que o equipamento não cairia em mãos erradas, mas o Senado controlado pelos republicanos não anulou seu veto.

Os legisladores dos EUA disseram que se sentiriam mais confortáveis ​​com os limites das armas ofensivas, com muitos se opondo veementemente à contínua e massiva venda de munições que, segundo eles, contribuíram para o desastre humanitário no Iêmen.