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GOL e Webjet
Foto: Pedro Viana/Aeroflap

O Departamento de Estudos Econômicos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (DEE/Cade) divulgou, nesta terça-feira (28/09), o Documento de Trabalho “Ex post mergers evaluation: Evidence from the Brazilian airline industry”.

O foco do estudo é analisar os impactos das decisões da autarquia em relação a duas operações realizadas no mercado brasileiro de aviação civil. Além do documento, foi realizado um Seminário Economia & Defesa da Concorrência que apresentou o estudo.

O estudo utilizou a metodologia Diferença em Diferenças, que se caracteriza pela quantificação do impacto das mudanças no preço das passagens aéreas, bem como na quantidade de assentos vendidos, antes e após a operação.

Nesse sentido, foram avaliadas se duas operações aprovadas pelo Cade nos últimos anos, a compra da Webjet pela GOL e a fusão entre Azul e Trip, tiveram impacto direto no preço médio da tarifa aérea e na quantidade de assentos vendidos em rotas domésticas com sobreposição de atuação das duas empresas envolvidas nas operações em comparação com as rotas não sobrepostas.

Destaca-se que este mercado é fundamental para o desenvolvimento econômico, representando cerca de 1% do PIB mundial, tendo apresentado em 2019 um crescimento de 3,3% no gasto em transporte aéreo em relação ao ano anterior (IATA, 2019b).

Para viabilizar a análise, o DEE/Cade considerou variáveis relativas ao preço médio ponderado da tarifa e assentos vendidos de julho de 2010 a dezembro de 2019 por rotas.

Com relação à operação GOL-Webjet, os resultados demonstram que a tarifa da GOL nas rotas que tanto ela quanto a Webjet atuavam reduziu cerca de 8%. Já o número de assento vendidos nessas rotas aumentou aproximadamente 38% após a operação.

O CADE analisou ao longo de 10 anos a variação média da tarifa de cada companhia no mercado doméstico. Após um período de intensa alta ente 2012 e 2016, o mercado se regulou, e os preços voltaram “ao patamar baixo”, apesar da inflação e do dólar.

No que diz respeito ao ato de concentração envolvendo Azul e Trip, não foram encontrados efeitos estatisticamente significativos na tarifa das passagens aéreas, mas houve um crescimento de cerca de 27% no número de assentos vendidos nas rotas sobrepostas após a concretização da operação.

A pintura “cinza” comemorou a fusão entre a Azul e a “cauda quadriculada” da Trip. No final, somente o nome da Azul restou da “fusão”.

Segundo o DEE/Cade, há dois fatores que devem ser considerados na análise. O primeiro é que não foram observados efeitos anticompetitivos derivados das duas operações analisadas.

O segundo ponto é que os atos de concentração foram aprovados pelo Cade com imposição de condições especiais relacionadas à eficiência no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Dessa forma, o Departamento concluiu que “é possível dizer que o Cade atingiu seu objetivo de defender o ambiente concorrencial” nesse setor.

Para divulgar este estudo, o CADE publicou um vídeo de aproximadamente 50 minutos 

Acesse o Documento de Trabalho “Ex post mergers evaluation: Evidence from the Brazilian airline industry”

 

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