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O Harbin Z-20 é visto majoritariamente como uma cópia do UH-60 Black Hawk, desenvolvido originalmente para o Exército dos EUA. Imagens: Weibo; Sikorsky.

Um ex-piloto de helicóptero do Exército dos EUA pode ser preso por até 10 anos após se declarar culpado de ter vendido informações secretas para a China. Shapour Moinian, 67 anos, também admitiu ter feito declarações falsas relacionadas durante as verificações de antecedentes de segurança nacional.

Moinian foi aviador militar entre 1977 e 2000, servindo no Exército e em bases na Alemanha e Coreia do Sul. Posteriormente ele passou a trabalhar para diversas empresas de defesa “autorizadas” (CDC) nos Estados Unidos, bem como no Departamento de Defesa.

Segundo a Justiça dos EUA, “autorizada” é um termo que indica que uma empresa tem permissão para trabalhar em projetos que envolvem informações confidenciais, como as vendidas por Moinian à China. Entre 2017 e 2020, o piloto recebeu milhares de dólares de Pequim enquanto atuava como um agente. 

Harbin Z-20 Black Hawk China
O Harbin Z-20, helicóptero utilitário da China, possui claras semelhanças com o Black Hawk estadunidense. Imagem via Weibo.

Enquanto trabalhava para uma CDC em projetos aeronáuticos das Forças Armadas e agências de inteligência dos EUA, Moinan foi contatado por um indivíduo na China, que alegou estar trabalhando para uma companhia de recrutamento técnico. Essa pessoa ofereceu a Moinian a oportunidade de prestar consultoria para a indústria da aviação na China.

“Moinian era um agente pago do governo chinês que vendia tecnologia americana relacionada à aviação”, disse o procurador-geral assistente Matthew G. Olsen, da Divisão de Segurança Nacional do Departamento de Justiça. “O Departamento de Justiça não tolera aqueles que ajudam governos estrangeiros a violar a lei para minar a competitividade e a inovação americanas.”

Em março de 2017, Moinian viajou para Hong Kong, onde se encontrou com o suposto recrutador e concordou em fornecer informações e materiais relacionados a vários tipos de aeronaves projetadas e/ou fabricadas nos Estados Unidos em troca de dinheiro.

Moinian aceitou aproximadamente US$ 7.000 a US$ 10.000 durante essa reunião. De acordo com seu acordo de confissão, nessa reunião e em todas as reuniões subsequentes, ele sabia que esses indivíduos eram empregados ou dirigidos pelo governo da República Popular da China.

O ex-piloto também recebeu um telefone celular e outros equipamentos desses indivíduos para se comunicar com eles e auxiliar na transferência eletrônica de materiais e informações.

kj-600 china porta-aviões
O KJ-600, futuro avião-radar naval da China, possui um desenho idêntico ao E-2 Hawkeye da Marinha dos EUA.

Ao retornar aos EUA, Moinian começou a reunir materiais relacionados à aviação, que incluíam a transferência de material de uma das empresas para um pen drive. Em setembro de 2017, o réu viajou para o exterior e, durante uma escala no aeroporto de Xangai, reuniu-se com funcionários do governo chinês onde entregou o pen drive com os documentos. 

Posteriormente, Moinian providenciou o seu pagamento através da conta bancária sul-coreana de sua enteada. Moinian disse à ela que o dinheiro era pagamento de seu trabalho de consultoria no exterior, e a instruiu a transferir os valores em várias transações.

“Esta conduta foi uma ultrajante quebra de confiança de um ex-membro das forças armadas. Os EUA investigarão e processarão agressivamente qualquer pessoa que trabalhe para governos estrangeiros para roubar tecnologia americana”, afirmou Randy Grossman, procurador para o Distrito Sul da Califórnia, disse que vendeu materiais se seus empregadores para a China. 

“A República Popular da China continua determinada a adquirir nossas informações e tecnologia. Neste caso, testemunhamos um ex-funcionário do governo dos EUA atuando como agente do governo da China e oficiais de inteligência chineses usaram extensivamente as mídias sociais para identificar alvos dispostos”, afirmou o diretor assistente Alan E. Kohler Jr, da divisão de Contra-inteligência.

No final de março de 2018, Moinian viajou para Bali e se encontrou novamente com esses mesmos indivíduos. Mais tarde naquele ano, ele começou a trabalhar em outro CDC. Durante esse período, os mesmos indivíduos na China transferiram milhares de dólares para a conta bancária sul-coreana da enteada de Moinian, que posteriormente transferiu os fundos para Moinian em várias transações.

Em agosto de 2019, Moinian voltou à Hong Kong e se encontrou com os mesmos indivíduos, onde recebeu novamente cerca de US$ 22.000 em espécie por seus serviços de espionagem. Moinian e sua esposa contrabandearam esse dinheiro de volta para os Estados Unidos.

Ele também admitiu que mentiu em seus questionários de antecedentes do governo em julho de 2017 e março de 2020, quando afirmou falsamente que não tinha contatos próximos ou contínuos com estrangeiros e que nenhum estrangeiro lhe ofereceu um emprego. 

Desta forma, ele enfrenta uma pena máxima de 10 anos de prisão e multa de até US$ 250.000 por atuar como agente de um governo estrangeiro, e até cinco anos e multa de US$ 250.000 pela contagem de declarações falsas. A sentença está marcada para 29 de agosto.