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Viatura blindada antiaérea Gepard 1A2 do Exército Brasileiro. Foto: Sd Fortunato/EsACosAAe.

Na última terça-feira (26) o Governo da Alemanha anunciou a transferência de viaturas blindadas antiaéreas Gepard para a Ucrânia, que desde o dia 24/02 enfrenta a Rússia no campo de batalha. 

Em seguida, portais internacionais como Business Insider, Bloomberg e Bild afirmaram que o governo alemão estaria negociando com o Exército Brasileiro (EB) a compra de munições para os blindados Gepard.

A partir disso, o AEROFLAP entrou em contato com EB e o Ministério das Relações Exteriores, questionando a veracidade destas notícias. As duas partes nos responderam nos últimos dias, e ambas negam a aproximação alemã. 

Confira abaixo as respostas do Exército e do Itamaraty, respectivamente. 

Prezado Jornalista

Atendendo a sua solicitação, formulada por meio de mensagem eletrônica de 27 de abril, o Centro de Comunicação Social do Exército informa que o Exército Brasileiro não recebeu nenhum pedido para fornecimento de munição do sistema antiaéreo Gepard para a Alemanha, a fim de ser encaminhada à Ucrânia.

Atenciosamente, 
CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO

Gepard Alemanha Ucrânia
Cinquenta viaturas antiaéreas Gepard serão transferidas para a Ucrânia. Foto: Hans-Hermann Bühling (CC BY-SA 3.0).

Prezado Senhor,

Não foi recebido, pelo Itamaraty, pedido do governo alemão para o envio de munição utilizada nos tanques antiaéreos Flakpanzer Gepard.

Atenciosamente,
Divisão de Assessoria de Imprensa
Ministério das Relações Exteriores

Blindados quase sem munição

Após diversas críticas internacionais, a Alemanha anunciou nesta semana o envio de um pacote de ajuda militar à Kiev. Este auxílio inclui 50 viaturas blindadas antiaéreas Flakpanzer Gepard, disponibilizadas pela sua fabricante Kraus-Maffei Wegmann (KMW), com quem estavam estocadas. 

Gepard Exército Brasileiro
Viatura Blindada de Combate Antiaérea (VBC AAe) Gepard 1A2 do Exército Brasileiro.

O problema é que a KMW possui 23 mil cartuchos de munição, suficiente para apenas 20 minutos de combate em um só blindado. A Suíça, que fabrica as munições através da companhia Oerlikon – que também produz os canhões do Gepard -, vetou a transferência dos cartuchos.

Apesar de ter aderido às sanções ocidentais contra os russos, a Suíça tem se mantido neutra em relação ao conflito. 

Informações obtidas pelo Business Insider a partir de círculos governamentais, davam conta de que Berlim havia se aproximado de Brasília, tentando a compra de 300 mil cartuchos de 35mm, que posteriormente seriam repassados à Ucrânia. Isto foi negado, como mostramos acima. 

Desarmados, os blindados se tornam essencialmente inúteis para o combate. O embaixador ucraniano na Alemanha, Andriy Melnyk, já havia expressado preocupação em relação aos Gepard sem munição: “Se a munição não for adquirida pelo Ministério da Defesa alemão nos próximos dias, a Ucrânia provavelmente terá que renunciar a esta oferta da Alemanha”, afirmou Melnyk à NTV alemã na quarta-feira. 

Defesa de curto alcance

O Exército Brasileiro adquiriu 34 Viaturas Blindadas de Combate Antiaéreas (VBC AAe) Gepard 1A2 em maio de 2013. Os Gepard foram comprados para fazer a defesa de estádios durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas de 2016. 

Baseado no chassis do carro de combate Leopard 1, o Gepard é equipado com um par de canhões Oerlikon GDF de 35mm, cada um com uma taxa de disparo de 550 tiros por minuto e alcance útil de 5 km, podendo receber munições para usa contra alvos aéreos e terrestres. O blindado possui dois radares, sendo um para detecção de alvos e o outro um radar de tiro para orientação dos canhões automáticos, ambos com 15 km de alcance. 

Gepard Romênia OTAN antiaérea
Flakpanzer Gepard do Exército Romeno. Foto: ovidiu_tudor

Além do Brasil, Jordânia e Romênia também operam o Gepard, enquanto o Catar adquiriu 15 unidades em virtude da Copa do Mundo deste ano. Os alemães aposentaram o modelo em 2011, o substituindo pelo blindado leve Wiesel 2.

Estranhamente, nenhum dos portais menciona negociações com a Romênia, algo que faria muito mais sentido pelo fato do país ser membro da OTAN. 

De qualquer forma, sem as devidas munições a doação dos Flakpanzer Gepard à Ucrânia deixa de ser uma ajuda para se tornar uma dor de cabeça.