FAA está próxima de aprovar o novo software de controle de voo do 737 MAX

737 MAX
Foto - Divulgação/Boeing

O Boeing 737 MAX está cada vez mais próximo de obter a certificação pela FAA, de acordo com publicações recentes da mídia norte-americana. A aeronave se aproximou da sua aprovação com os últimos voos do dia 10 e 15 de julho.

Durante a série de voos de certificação, realizados desde o final de junho, os pilotos de teste normalmente realizam os chamados hardovers, durante os quais as superfícies de controle se desviam para seu limite máximo, de modo automático.

Essa manobra permite que os engenheiros da FAA analisem se há risco do avião criar situações de riscos, onde os tripulantes não conseguem desligar os comandos automáticos, em caso de falha do sistema de voo.

Além disso, a FAA também analisou se as mudanças realizadas nos sistemas de controle de voo cumpriram os critérios de projeto, para corrigir os erros do MCAS. Mas como a Boeing precisou atualizar todo o software de voo, inclusive de controle automático do avião, a FAA precisa analisar tudo.

“O software será um grande negócio … imagino que eles observariam falhas do MCAS em todas as fases do voo, como decolagem, subida, voo em cruzeiro, aproximação e pouso, esse tipo de coisa”, explicou Borfitz. “Seria apenas uma questão de pesquisar todas as possibilidades desse sistema falhar”.

Anteriormente relatórios apontaram que os engenheiros da empresa projetaram o MCAS para confiar nos dados de apenas um sensor de ângulo de ataque, o que apresentava o maior nível de inclinação do avião.

Os sensores de ângulo de ataque também serão revisados, e substituídos por uma nova versão, mais confiável.


Cockpit do 737 MAX | Photo: Daniel Tay

Agora, o MCAS é configurado para considerar uma média entre os dois sensores, e desativar os controles automáticos quando a diferença entre os dados apresentados for muito grande. Nesta ocasião, os pilotos são avisados visualmente e por alertas sonoros, e retomam o controle da aeronave.

Agora a FAA precisará revisar a documentação final do projeto da Boeing para avaliar a conformidade com todos os regulamentos da agência.

O Conselho Consultivo Técnico de várias agências (TAB) também analisará o envio final da Boeing e emitirá um relatório final antes que a FAA determine a conformidade.

A FAA deve então emitir uma Notificação de Aeronavegabilidade Continuada para a Comunidade Internacional (CANIC) de ações pendentes de segurança e publicar uma diretriz de aeronavegabilidade (AD) que lide com os problemas conhecidos que levaram ao aterramento. Os dados de treinamento dos tripulantes também serão revisados pela FAA, e uma nova recomendação será emitida.

O AD também aconselhará os operadores sobre as ações corretivas necessárias antes que a aeronave possa retornar aos voos comerciais, algo previsto para acontecer antes do fim de 2020.

 

Histórico do 737 MAX

A Boeing lançou quatro versões do 737 MAX, incluindo o maior 737 construído até o momento, o 737 MAX 10.

O Boeing 737 MAX foi um projeto de “retrofit” da famosa linha 737, lançado pela Boeing em 2011 como a 4ª geração de aeronaves narrowbody. Na época, a intenção da fabricante norte-americana era fazer algo competitivo, para vencer o mercado do novo A320neo.

O 737 MAX trás uma extensa lista de alterações aerodinâmicas, de propulsão e eletrônicas em comparação com a geração anterior, o 737 NG. O projeto precisou de quase 5 anos para ser executado pela Boeing, até fazer seu primeiro voo em 29 de janeiro de 2016.

A certificação do 737 MAX logo foi conduzida pela Boeing, em 8 de março de 2017. Por causa de algumas correções adicionais, a primeira entrega só ocorreu no dia 6 de maio de 2017.

As extensas alterações de projeto do 737 MAX, no entanto, foram particularmente decisivas para a sequência de acidentes que ocorreram entre o final de 2018 e o início de 2019. Principalmente quando falamos sobre o sistema MCAS, que não entrou no treinamento dos pilotos.

 

O primeiro acidente com uma aeronave do modelo 737 MAX ocorreu em 29 de outubro de 2018, com uma aeronave da Lion Air. Poucos meses após este, um relatório preliminar já listava problemas nos sistemas de controle da aeronave, particularmente no software de voo.

Na época a Boeing já sabia sobre os problemas do MCAS, e internamente desenvolvia uma atualização de software para os seus clientes, que infelizmente não chegou a tempo.

Desde então o 737 MAX continuou a operar voos, inaugurando novas rotas e sendo entregue para as companhias aéreas em grande quantidade a cada mês, principalmente em dezembro de 2018. A FAA não colocou nenhuma restrição ao 737 MAX, em questão de voos ou limites de operação.

Poucos meses depois outro avião do mesmo modelo sofreu um acidente, agora operando pela Etiophian Airlines, em 10 de março de 2019. Em uma sequência de poucas horas todos os países proibiram voos com a nova aeronave da Boeing, por precaução, mesmo sem indícios da causa do acidente, que depois foi apontada novamente uma relação com os sistemas de controle da aeronave, e o MCAS.

A Boeing continuou a fabricar o 737 MAX, apontando que uma solução seria entregue até maio de 2019. No entanto, a fabricante fabricou tantos aviões até dezembro de 2019 que não havia espaço para estacionar essas aeronaves, e decidiu interromper a produção em janeiro de 2020.

Unidades do 737 MAX começaram a tomar o pátio da Boeing, que estocou o avião até em estacionamento de carros. Foto – REUTERS/Lindsey Wasson

O 737 MAX pode voltar nos próximos meses, após várias encomendas canceladas e entregas atrasadas, gerando um prejuízo sem precedentes para a Boeing, e uma desmoralização da FAA, que deixou parte da certificação do novo avião com a própria fabricante, esta última, ocultou detalhes importantes das alterações no novo avião, com motivo de ganhar mercado da Airbus ao diminuir o custo de treinamento, além de ter criado um software defeituoso para o MCAS, um sistema semelhante que equipa o A320, porém sem registros de acidentes.

A FAA agora está se comprometendo com toda a certificação da aeronave, e vai evitar delegar funções para a própria fabricante da aeronave, como ocorreu no caso do 737 MAX. A agência diz que haverá até mesmo um foco específico para o software da aeronave, e como ele pode alterar o comportamento do avião.

 

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