Aeronaves P-95 Bandeirulha e P-3AM Orion da Aviação de Patrulha. Foto: Sargento Johnson Barros/FAB.

No próximo sábado (22), a Força Aérea Brasileira celebra o Dia da Aviação de Patrulha. Em 22 de maio de 1942, militares brasileiros pilotando um bombardeiro médio B-25B Mitchell, tripulado por outros quatro militares da Força Aérea do Exército dos EUA, atacaram o submarino Barbarigo, da Marinha Italiana.

Quatro dias antes, o submarino fascista afundou, com torpedos, canhões e metralhadoras, o navio mercante brasileiro Comandante Lyra. No dia 22, os capitães da FAB Parreiras Horta e Oswaldo Pamplona, pilotos do B-25, atacaram o Barbarigo com 10 bombas de 45 kg na costa de Fortaleza. 

Danificado, o Barbarigo conseguiu escapar. Em 1943, a embarcação italiana foi afundada pelos britânicos em Singapura. O ataque de 22 de maio de 1942 marcou o batismo de fogo da FAB, que tinha pouco mais de 1 ano desde sua fundação em janeiro de 1941. O Capitão Pamplona ainda seguiu para os combates na Itália com o 1º Grupo de Aviação de Caça, onde participou de 47 missões pilotando o caça-bombardeiro P-47D Thunderbolt. 

Ao longo de sua história, a FAB empregou, além do B-25, as aeronaves PBY Catalina, PV-1 e PV-2 Ventura, B-18 Bolo, A-28 Hudson, P-15 Neptune e P-16 Tracker nas missões de patrulha marítima. Hoje, carregando as glórias dos que combateram os ataques nazifascistas na costa brasileira, os militares dos esquadrões Orungan, Netuno e Phoenix voam os Lockheed P-3AM Orion e Embraer P-95BM Bandeirulha. 

O PBY-5 Catalina ‘Arará’ afundou o submarino alemão U-199 na costa do Rio de Janeiro em julho de 1943.
P-15 Neptune. Foto: FAB.PB

A Aviação de Patrulha desempenha diversas missões, vigiando o Pré-Sal, fiscalizando a pesca ilegal em prol da biodiversidade marítima, trabalhando contra a poluição do mar brasileiro e acompanhando o tráfego marítimo.

Além disso, a Patrulha também se destaca pelas missões de Busca e Salvamento (SAR), realizando diversas operações do tipo na costa do país, fora a participação nas buscas ao submarino argentino ARA San Juan em 2017 e ao C-130 chileno em 2019.

P-3AM Orion do Esquadrão Orungan no Aeroporto Internacional de Porto Alegre em 2017, antes de partir para as buscas ao submarino argentino ARA San Juan. Foto: Gabriel Centeno/Aeroflap.

Segundo a FAB, os P-3 e P-95 também realizam missões IVR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento), empregando sensores de Guerra Eletrônica aeroembarcados, o que incrementa a capacidade de obtenção e interpretação de imagens e sinais eletromagnéticos, bem como auxilia na confecção dos relatórios oriundos das missões realizadas.

No ano passado, o Esquadrão Orungan (1º/7º GAV) incorporou à sua dotação aeronaves remotamente pilotada, fato que representa um marco definitivo no emprego dos Esquadrões de Patrulha nas Ações de Força Aérea de Reconhecimento.

Sediado na Ala 12 (Base Aérea de Santa Cruz), o Orungan voa o P-3AM, aeronave que nesse ano completa 10 anos de operação na FAB. O primeiro P-3 chegou ao Brasil em julho de 2011 na Base Aérea de Salvador, antiga sede do 1º/7º, com a FAB recebendo a última unidade em 2014. 

Com os Orions em serviço, o Brasil recuperou a capacidade de Guerra Antissubmarino (ASW), que havia perdido na década de 90 com a aposentadoria dos P-16 Tracker. Além da capacidade ASW, o P-3AM também carrega poderosos armamentos, como os mísseis antinavio Harpoon, capazes de neutralizar embarcações de guerra a uma distância além do alcance visual.

Com quatro motores, a aeronave tem grande autonomia, podendo permanecer em voo durante 16 horas. Além disso, possui modernos sensores eletrônicos embarcados, conferindo ao P-3AM a capacidade estratégica de vigilância marítima de longo alcance.

Militares do Orungan operando os sistemas do P-3AM. Foto: Sargento Bruno Batista/FAB.

O Comandante do Esquadrão Orungan, Tenente-Coronel Aviador Marcelo de Carvalho Trope, destaca a contribuição da aeronave para o cumprimento da missão da FAB.

“Desde sua chegada à FAB, o P-3 AM demonstrou ser um vetor aéreo com capacidade de emprego mundial. Com ele, foram realizadas missões de Patrulha Marítima em apoio a Cabo Verde, missões de treinamento com grande destaque para o desempenho de nossos tripulantes na Escócia e em Portugal, além de várias missões de Busca e Salvamento em apoio a nações amigas, como, por exemplo, Argentina e Chile”, afirmou.

Ainda exaltando a importância desse vetor aéreo para a FAB, o Tenente-Coronel Trope complementa: “As características desse avião garantem ao Brasil um grande poder dissuasório. Além disso, com o Orion, a FAB resgatou a capacidade de Guerra Antissubmarino, voltando a atuar em todas as vertentes do combate no Teatro de Operações Marítimo”.

Além do Orungan com o P-3AM, os Esquadrões Phoenix (2°/7° GAV) e Netuno (3°/7° GAV), também são desempenham papel fundamental na vigilância das águas territoriais brasileiras, empregando os P-95BM Bandeirulha em suas operações.

Militares do Esquadrão Phoenix. Ao fundo, um P-95 Bandeirulha. Foto: Sargento Johnson Barros/FAB.

Apesar de ser um modelo menos capaz que o P-3, a recente modernização dos P-95 lhes conferiu uma sobrevida através da reforma e incorporação de aviônicos e sensores modernos. O Esquadrão Phoenix é sediado na Ala 3 (Base Aérea de Canoas), enquanto o Netuno opera a partir da Ala 9 (Base Aérea de Belém). 

O Bandeirulha aguarda no pátio de aeronaves depois de realizar missão em Natal-RN. Foto: Cabo André Feitosa/FAB.