Flight Report: Como é voar na poltrona “Executiva” do Boeing ‘Chevetão’ da GOL

Outro 737-800 'chevetão' entregue a GOL vindo da Air China. Na foto o PR-GZW

No dia 21 de Outubro, uma quarta-feira com céu encoberto e temperatura mais amena realizamos o voo G3 1117 da GOL Linhas Aéreas. Este é o voo diário da companhia com origem no Aeroporto Internacional de Brasília e destino final no Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos).

Brasília sofria com calor intenso dias antes, entretanto dois dias antes de nossa partida para São Paulo a Capital Federal passou por dias com chuva e uma frente fria. 

 

O Voo

A aeronave que realizou o voo 1117 para São Paulo foi o Boeing 737-800 de matrícula PR-GZZ, chegou para a GOL em dezembro de 2019. Um dos diferenciais dessa aeronave para os outros -800 comuns da companhia é a ausência de winglets, carinhosamente apelidado de ‘Xavetão’. Este redator nunca havia voando em um desses.

Outro 737-800 ‘Xavetão’ entregue a GOL vindo da Air China. Na foto o PR-GZW. Foto Gabriel Melo

A GOL manteve o padrão da Air China de poltronas mais largas e maiores nas fileiras de 1 a 4. Denominada GOL+ Conforto, paga-se a mais para ter um espaço maior e mais conforto durante a viagem. Além disso, possui prioridade no embarque.

Me acomodei na poltrona 2A da GOL+ Conforto, e claramente o assento por ser maior traria mais conforto durante a viagem. Mesmo sendo mais largo, não possui encosto de cabeça, seu tecido azul sem caracterizar seu antigo operador a Air China, entretanto possui características semelhantes a de um assento de classe executiva.

Os assentos mais caros possuem maior reclinação, o que para tirar um bom cochilo em voo faz toda a diferença. A bordo do 737-800 estava uma ocupação de 157 passageiros, em uma configuração para 186. O comandante Buzzelato e sua tripulação deram as boas vindas a bordo, e iniciamos o pushback às 05h53.

Uma nota para a tripulação deste voo que mesmo bem cedo estavam se mostrando bem atenciosos, educados e mostrando empatia. Houve momentos que precisaram cuidar de passageiros como uma senhora que levava um pet a bordo e outros que precisam de atenção especial como idosos, tudo muito bem feito. 


Depois das verificações durante o acionamento dos motores CFM do Boeing, iniciamos o taxi até a pista 11R do Aeroporto de Brasília. As aeronaves que decolam ou pousam da pista 11R/29L, passa sobre o famoso viaduto que liga as taxiways R, K, U, T e quem livra na EE para a pista. 

Viaduto de aeronaves no Aeroporto de Brasília.

Como tinha pouco trafego nesse horário, o Comandante Buzzelato acelerou um pouco mais durante o taxi para chegarmos a cabeceira 11R, o caminho é bem longo. Ao ingressarmos na pista, a decolagem foi feita praticamente de imediato, às 06h05.

O Comandante havia me informado ao final do voo que a GOL pediu para os pilotos pudessem usar maior parte da pista possível para ajudar na economia de combustível nesse tempo de crise. As pistas do Aeroporto de Brasília possuem 3200m na 11L/29R e 3300m na 11R/29L. 

Após da decolagem passamos alguns minutos por dentro de bastante nuvens até chegar a cima delas. O sol já estava com bastante força e luz, o que fez com que muitos passageiros fechassem as persianas do lado esquerdo, afim de ter um bom cochilo já que era bem cedo naquela quarta-feira.

Algumas coisas permaneciam nesses assentos utilizados pela GOL, como o controle de áudio utilizado no braço da poltrona além do cinzeiro. Havia também uma pequena mesinha para acomodar objetos ou copos se fossem servidos separadamente. A reclinação era consideravelmente melhor do que os demais assentos utilizados na GOL.

Cerca de 20 minutos depois estabilizamos no nível de voo FL370 ou 37 mil pés. Tivemos poucos momentos de turbulência durante o trajeto até Guarulhos, esta aeronave ainda não estava equipada com tomadas ou Wi-Fi. Então o entretenimento era dormir, ouvir o bom som das CFM 56 e reclinar a poltrona. 

Durante todo o voo, a tripulação se mostrou extremamente cuidadosa e atenciosa. Distribuindo água, saches com álcool em gel. Assim como na Azul, a GOL também segue servindo no desembarque seus Cookies e Batatinhas para evitar que os passageiros fiquem sem mascara e tenham mais contato durante o voo.

As 06h59 o Comandante anuncia que iniciaremos nossa descida para pouso no Aeroporto de Guarulhos. Imediatamente os comissários passam recolhendo todo o lixo a bordo com cuidado e utilizando o tempo todo luvas. 

Guarulhos conhecido por sua névoa em tempos secos e chuvosos, estava com tempo chuvoso durante quase todo o dia. Às 7h17 os pilotos baixaram o trem de pouso e iniciaram a aproximação final para pouso na cabeceira 09R do Aeroporto de Guarulhos.

O pouso foi realizado às 07h22 (hora local) foi bem tranquilo e o Boeing freou tranquilamente para livrar e seguir até o Terminal 2, no Gate 202. Chegamos cerca de 20 minutos antes do horário previsto. 

O PR-GZZ possui algumas telas de entretenimento compartilhado, mas a GOL não utiliza esse sistema de entretenimento.

Ao final do voo, no desembarque de todos a tripulação me autorizou a fazer umas fotos da aeronave vazia antes da entrada da equipe de limpeza. Também visitei o cockpit do PR-GZZ, que foi fabricado em 2006. Os motores dessa aeronave são 26K, os freios também são diferentes dos SFP utilizados pela GOL.

Com isso este 737 específico precisaria de mais pista para conseguir realizar uma desaceleração, devido a sua aerodinâmica.

Agradecemos a esta tripulação que nos acolheu com bastante cuidado e mostrou bastante empatia. Ao final um bom papo sobre aviação com uma tripulação que mostra apoio a quem ainda está no começo de carreiras na aviação.

Em geral foi uma boa experiência, para quem gosta de ouvir som dos motores voar em uma aeronave dessas das fileiras 1 a 9 garante a proximidade com os motores. Tivemos um pouco de turbulência no momento de aproximação para São Paulo, mas pousamos sem maiores problemas.

Essa é uma das rotas que a GOL mais oferece disponibilidade partindo de Brasília, ambas as cidades fazem parte dos grandes hubs de distribuição de voos da companhia. 

 

Artigo: Gabriel Melo

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