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Força Aérea Britânica vai treinar pilotos de caça da Ucrânia

Piloto de caça Su-27 Flanker da Força Aérea da Ucrânia. Foto: UAF.
Piloto de caça Su-27 Flanker da Força Aérea da Ucrânia. Foto: UAF.

O primeiro ministro britânico Rishi Sunak anunciou que a Força Aérea Real Britânica (RAF) vai treinar pilotos de caça da Força Aérea Ucraniana (UAF). Sunak revelou a medida ontem (08), horas antes da visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ao Reino Unido.

O movimento é parte de um novo pacote de auxílio militar à Ucrânia, que repele uma invasão da Rússia há quase um ano. Desde então, Zelensky tem pedido aviões de caça aos seus parceiros do Ocidente, o que não aconteceu até o momento.

 

Em um novo apelo, Zelensky presenteou o porta-voz da Câmara dos Comuns com um capacete de piloto de caça da UAF, com a mensagem “Temos liberdade, dê-nos asas para protegê-la”.

O treinamento dos aviadores ucranianos vai garantir que eles estejam prontos para voar em aviões de combate da OTAN, mas ainda não se sabe quando isso acontecerá. As declarações de Sunak também ocorrem enquanto a própria RAF enfrenta problemas logísticos com seu sistema de treinamento, trazendo atrasos na formação de pilotos de caça, conforme observa o The War Zone, o que levanta questionamentos sobre como e quando os “caçadores” ucranianos serão instruídos.

Um dos problemas mais recentes foi o aterramento da frota de treinadores avançados BAE Hawk T.2, usados justamente na formação dos pilotos de caça. Enquanto os aviões não voam, os alunos treinam em simuladores.

O mais provável é que os primeiros pilotos sejam os que já voam os caças de linha de frente da Ucrânia, os MiG-29 Fulcrum e Su-27 Flanker. Conforme observa o ex-comandante da RAF,  marechal do ar Greg Bagwell, “aprender a pilotar uma aeronave é uma transição relativamente simples, aprender a usar os sistemas com o máximo efeito é a parte fundamental e transferível para os tipos mais modernos.”

Jatos de treinamento BAE Hawk T.2 são usados na formação de pilotos de caça da RAF. Foto: RAF.

Jatos de treinamento BAE Hawk T.2 são usados na formação de pilotos de caça da RAF. Foto: RAF.

Em outro movimento, o secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, foi encarregado de apurar quais caças podem ser enviados pelo Reino Unido, ainda que esta ação tenha sido relatada como uma. “solução de longo prazo”. Sunak disse que “nada está fora de questão”.

Dessa forma, surge um novo questionamento: quais caças a RAF poderia doar/vender à Ucrânia? A resposta não é tão simples.

A RAF hoje possui dois aviões de caça principais: o F-35B Lightning II e o Eurofighter Typhoon. O F-35 certamente está fora da jogada, enquanto o Typhoon pode ser uma opção. Cerca de 30 Eurofighters da versão Tranche 1 estão estocados no país. Esta variante, no entanto, possui capacidades ar-solo bastante limitadas, ainda que possa empregar mísseis ar-ar mais novos que os atualmente usados pelos ucranianos.

Caça Eurofighter Typhoon da RAF disparando um míssil ar-ar ASRAAM

Typhoon da RAF disparando um míssil ASRAAM. Foto: MoD/Coroa Britânica.

A RAF também tem alguns jatos de ataque Sepecat Jaguar e Panavia Tornado, já aposentados há bastante tampo mas ainda preservados. Ainda assim, são aviões especializados em missões de ataque ao solo — exceto o interceptador Tornado F.3/ADV —, e a Ucrânia precisa de aeronaves multimissão.

Além disso, também surge a questão de como manter as aeronaves operando. Ao passo que o treinamento acelerado de um piloto pode torná-lo parcialmente apto em seis meses, a formação de um mecânico para um modelo específico pode levar o dobro do tempo, fora a infraestrutura e cadeia logística envolvida. 

Enquanto as questões são resolvidas, a UAF permanece no ar enfrentando a Rússia, esperando por seus novos aviões de combate. Ao longo da guerra, a Ucrânia seguidamente apelou por equipamentos cada vez mais avançados, inicialmente negados mas mais tarde tendo sua transferência aprovada, como no caso dos mísseis antiaéreos Patriot e NASAMS e os tanques Challenger II e Leopard II. Essa tendência, acompanhada de declarações favoráveis da Holanda, França e agora do Reino Unido, podem indicar que Kiev pode estar cada vez mais perto de receber seus tão sonhados aviões de caça ocidentais. 

 

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Estudante de Jornalismo na UFRGS, spotter e entusiasta de aviação militar.