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Caças F-39 Gripen 4101 e 4102 foram oficialmente incorporados à FAB na cerimônia alusiva ao Dia da Aviação de Caça, na Base Aérea de Santa Cruz.

Os caças F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira poderão ter um míssil indiano em seu leque de armas no futuro. De acordo com dois portais daquele país, o Brasil teria interesse em adquirir o míssil de cruzeiro de curto-alcance BrahMos-NG para usar nos F-39E/F. 

Segundo os sites India’s Growing Military Power e Indian Defence Research Wing, uma delegação empresarial do Ministério da Defesa deve vir ao Brasil até o final deste mês, para explorar possibilidades de produção e desenvolvimento conjunto de armas e plataformas de defesa.

Foto: Saab.

A FAB incorporou os dois primeiros F-39E Gripen operacionais no final de abril e estaria interessada em conversar com a Organização de Pesquisa e Desenvolvimento em Defesa (DRDO) sobre a compra de mísseis BrahMos-NG. Estes seriam integrados aos novos caças de origem sueca. 

O BrahMos-NG (New Generation) é uma versão menor do míssil de cruzeiro BrahMos, desenvolvido pela Índia em conjunto com a Rússia. A nova variante tem o mesmo alcance de quase 290 km e velocidade de Mach 3.5 (3,5 vezes a velocidade do som), mas com dimensões e peso menores. A Índia também afirma que o NG possui assinatura radar menor, dificultando sua detecção.

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Míssil BrahMos-NG montado em HAL Tejas. A aeronave também está portando mísseis ar-ar R-73 e Derby. Foto: Indian Defence News.

Enquanto o míssil original é carregado pelo caça pesado Su-30MKI Flanker-H, a versão NG visa o emprego a partir do caça indiano HAL Tejas. De fato, o Tejas e o Gripen tem dimensões similares, com o modelo sueco sendo um pouco maior que o indiano. 

Segundo o IGMP, Atul Dinkar Rane, diretor geral da BrahMos Aerospace e cientista-chefe do DRDO, confirmou que vários países da região buscaram mais informações sobre o míssil BrahMos, e o Brasil parece estar interessado no BrahMos-NG que a DRDO planeja iniciar testes de desenvolvimento a partir de 2024.

Representantes de 12 empresas indianas do setor de defesa também virão ao Brasil. O site afirma que os militares brasileiros estariam procurando por lançadores de foguetes, veículos blindados, armaduras e capacetes, miras infravermelhas e dispositivos de visão noturna, mísseis superfície-superfície, helicópteros leves de combate (LCH) bem como a modernização das Fragatas e Navios Patrulha Offshore. 

Além disso tudo, a delegação indiana deve visitar as instalações da Embraer, que ofertou o cargueiro tático KC-390 Millennium ao país. No mês passado, representantes da fabricante aeronáutica brasileira confirmaram à mídia indiana que o KC-390 foi oferecido à Força Aérea Indiana, que está no meio de uma aquisição de mais seis C-130J Super Hércules, concorrente direto do jato da Embraer. 

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As duas mais novas aeronaves da FAB, F-39E Gripen e KC-390 Millennium, no pátio da Base Aérea de Anápolis. Foto: Suboficial Johnson/FAB.

Cabe destacar que o Brasil também está desenvolvendo seu próprio míssil tático de cruzeiro, o AV-MTC-300, com 300 km de alcance. A sua versão Ar-Solo é chamada de MICLA-BR (Míssil de Cruzeiro de Longo Alcance) e deverá ser integrada aos caças Gripen futuramente.

F-5EM em testes com um MICLA-BR (Míssil de Cruzeiro de Longo Alcance). Foto: Rafael Luiz Canossa.
MICLA-BR lançado de um F-5EM. Imagem via redes socias.

Uma versão de ensaio chegou a ser testada em um caça F-5EM Tiger II. No entanto, ainda há controvérsias e poucas informações sobre o armamento.