Foto:Honda Aircraft/Divulgação.

Muitas pessoas não tem conhecimento deste ponto, mas a aviação influencia muitas novas tecnologias que no futuro equipam os carros, seja na parte de infraestrutura, tecnologia ou propulsão.

E recentemente a Honda procurou uma solução no motor HF120, do HondaJet, para atualizar e melhorar o turbo e o MGU-H que equipa os seus carros de F1.

Para os que não acompanham o esporte, as empresas precisam desenvolver um motor híbrido 1.6 litros, 6 cilindros e com turbo, que é acoplado a um sistema duplo de motores elétricos, um que evita o turbolag e localizado no MGU-H, e outro que é acoplado ao eixo do motor para oferecer alguns cavalos adicionais.

Carro da Red Bull em 2019. Foto – Red Bull Content Pool

As companhias só podem utilizar três motores, que rendem cerca de 1000 cavalos, durante 21 finais semanas de corrida, e por mais alguns testes durante a temporada. O maior desafio encontrado pelas fabricantes é conseguir confiabilidade dos materiais, um motor quebrado durante a corrida não é nada legal, eu garanto.

E a Honda foi buscar nas tecnologias do HF120 uma solução em durabilidade.

“O motor a jato é completamente diferente”, disse o diretor técnico da Honda F1, Toyoharu Tanabe, ao Motorsport.com. “Mas o turbocompressor e o MGU-H usados na F1 são como a turbina do motor a jato. Usam a rotação de alta velocidade e é preciso um design aerodinâmico para a turbina. Eu acho que há muita tecnologia em comum”.

“Se você está trabalhando apenas para a F1, naturalmente seu foco será restrito a este mundo”, disse Masashi Yamamoto, outro diretor da Honda F1. “Mas nós podemos ter um ponto de vista diferente em outras áreas, com outras pessoas, que trazem seus conselhos. Desta vez foi a área de aerodinâmica da turbina. Esse novo ponto de vista nos dá a essência de algumas melhorias”.

Enquanto os japoneses usaram uma solução aerodinâmica baseada no fan frontal do HF120, outra parte da equipe utilizou o mesmo conceito do eixo do motor em seu propulsor híbrido de Fórmula 1.

Fan frontal do motor HF120 equipando um HondaJet.

O MGU-H é um pequeno motor elétrico, como já citado aqui, o eixo pode alcançar até 125000 rotações por minuto, como semelhança temos o eixo de um motor a reação, que também alcança dezenas de milhares de rotações por minuto, e precisa ter uma alta durabilidade com baixo desgaste, de maneira que não apresente folgas durante o uso.

Neste caso do MGU-H o material pode influenciar no desempenho e também na durabilidade. No desempenho pois um material leve proporciona uma menor inércia, como consequência temos uma aceleração do eixo mais rápida, proporcionando um pico de potência maior e também diminuindo o lag entre a aceleração do piloto e a resposta do turbo.

De acordo com os engenheiros japoneses, o “empréstimo” de tecnologia acelerou o desenvolvimento do motor nos últimos dois anos.

A Honda luta desde 2015 na Fórmula 1 para achar um propulsor confiável e com potência capaz De competir com as principais do grid, em sua parceria com a Red Bull, uma equipe que ganhou 4 títulos só nesta década, a responsabilidade aumentou, e a empresa japonesa buscou várias soluções para melhorar a durabilidade do seu propulsor.

A evolução foi notória, diversos testes foram realizados em 2018, quando a tecnologia do motor aeronáutico já influenciava na durabilidade e potência do propulsor.

As últimas duas atualizações do motor da Honda na F1, a última lançada neste último final de semana, também foram grandemente inspiradas na sua atuação no mercado aeronáutico. Em 2019 o motor híbrido ainda não apresentou quebras durante corridas ou testes de fim de semana, vale ressaltar que outra equipe utiliza motores Honda, a Toro Rosso.

 

Via – Motorsport

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