LATAM Airlines
Foto: Gabriel Melo/Aeroflap

O CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, declarou as perspectivas da companhia aérea em uma entrevista na última semana ao Valor Econômico. Ressaltando a recuperação de mercado, que está com demanda doméstica similar a 2019, mas ainda abaixo do previsto pela empresa em janeiro.

De acordo com Jerome, a LATAM já está liderando o mercado e atendendo cinco destinos a mais, na comparação com o período pré-pandemia, totalizando 50 destinos. Apesar disso, o CEO ainda acredita que o passageiro brasileiro voa pouco, pelo alto custo da aviação no país.

Logo, esta característica do mercado, de ter poucos “CPFs”, de acordo com o Jerome, voando simultaneamente, abre brechas para ampliar a oferta futuramente, de acordo com a melhora do mercado.

Assista a entrevista na íntegra abaixo:

“O volume [de passageiros] corresponde exatamente ao período pré-pandemia e hoje, em decorrência da alta do combustível, custos dolarizados e influência da judicialização aérea no país, a perspectiva é encerrar o ano entre 5 a 7% acima de 2019″, comentou Jerome abordando sobre a perspectiva da companhia.

Além da maior oferta, que a LATAM deve manter neste ano no mercado doméstico do Brasil, Jerome citou que a empresa sairá do Chapter 11 com custos até 35% menores, dependendo do setor, em comparação com o período pré-pandemia.

 

Contratação e negociação com os aeronautas

Quando abordado pelo jornalista Cristian Favaro, do Valor, Jerome declarou que a LATAM está contratando aos poucos, e planeja inserir até 1500 profissionais na empresa ao longo de 2022.

Realmente, nas últimas semanas a LATAM abriu diversas vagas, principalmente para mecânicos de aeronaves e comissários de bordo. Em outros cargos a companhia está contratando de acordo com a demanda.

Jerome Cadier ainda declarou que as negociações com os aeronautas continuarão, com foco sempre na redução de custo e reequilíbrio dos contratos de acordo com o mercado, claramente citando outras companhia aéreas, como sugerido pelo jornalista.

No Brasil, a companhia programou para maio uma média de 532 voos domésticos por dia para 50 destinos nacionais (antes da pandemia eram 44). Os próximos novos destinos confirmados pela empresa no País são Montes Claros (MG), Cascavel (PR), Caxias do Sul (RS), Juiz de Fora (MG) e Presidente Prudente (SP).

A companhia também retomará em julho voos em três rotas internacionais, em mais um passo de crescimento. 

 

A frota pode ser flexível?

LATAM Boeing 787

Abordando sobre a frota, Jerome Cadier deixou algumas pontas soltas na questão. O próximo passo de expansão no Brasil inclui destinos totalmente regionais, onde pode incomodar até mesmo a Azul.

Quando questionado sobre a padronização da frota o CEO da LATAM Brasil disse: “Hoje eu te diria que a gente pode crescer bastante, a quantidade de cidades atendidas pela LATAM, sem pensar em uma frota nova”.

“Você pode crescer através de um parceiro, que tenha interesse de operar no Brasil essas rotas regionais”, concluiu Jerome.

Ao mesmo tempo Jerome declarou que para atender mais de 70 cidades precisaria de mais aviões na frota. Neste ponto a companhia pode começar a pensar em aeronaves menores na comparação com os A319, A329 e A321 fabricados pela Airbus.

Cristian também perguntou sobre o A220, que recentemente passou pelo Brasil, mas o CEO negou o interesse pela aeronave e citou a Embraer.

“Temos sempre que manter as portas abertas para a Embraer, em prol da competitividade do setor”, declarou Jerome, citando que a frota de aviões maiores, os widebody, será composta por aviões Boeing 777-300ER, 787-9 e 767-300ER, que deverá estar na frota somente por alguns anos.

O CEO da LATAM Brasil citou que faz parte de enxugar os custos a operação única do 777 e 787 em voos internacionais, visto que antes a frota era bastante variada, e demandava mais tripulantes contratados e custos com treinamentos de equipes de solo e de voo. Antes a LATAM tinha quatro modelos de widebody em sua frota, incluindo o Airbus A350XWB.

“Já temos os 787s matriculados no Brasil, e vamos continuar crescendo esse volume de 787s operando no Brasil“, declarou Jerome, citando a transferência de alguns 767 para a frota cargueira ao longo dos próximos anos.