Foto - Infraero/Reprodução

Recentemente a LATAM Brasil comunicou ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), que precisará transferir voos para o Aeroporto do Galeão, em agosto deste ano, durante um período de obras na pista principal do Aeroporto Santos Dumont (RJ).

Os voos serão transferidos a partir da segunda quinzena de agosto, e devem ser operados no Galeão por 30 dias, o prazo de duração das obras na pista.

Enquanto isso a LATAM verá suas principais concorrentes operarem voos no Santos Dumont, através da pista auxiliar, que comporta as aeronaves E190 da Azul e 737-700 da GOL.

O Aeroporto Santos Dumont deverá ter pouco impacto no seu movimento por hora, visto que as decolagens e pousos por hora vão cair para 24, normalmente SDU tem 29 operações por hora.

O Aeroporto do Galeão tem espaço para receber os voos comerciais do Santos Dumont com relativa folga, visto que o local tem capacidade para movimentar 37 milhões de passageiros por ano, mas movimentou apenas 15 milhões em 2018. No Galeão há 149 posições para estacionamento de aeronaves, mais do que alguns aeroportos mais movimentados, como em Guarulhos.

As operações na pista auxiliar, no entanto, ficam limitadas a aproximações visuais, então em qualquer situação de falta de visibilidade ou teto baixo as aeronaves precisarão alternar para o Aeroporto do Galeão. A pista principal suporta uma aproximação por instrumentos, chamada de RNP-AR, semelhante ao ILS CAT I, mas com capacidade de desviar a aeronave de obstáculos fixos durante a descida.

O procedimento RNP-AR permite uma aproximação mais direta ao aeroporto, através de uma trajetória calculada por um sistema de GPS e GLONASS, sem depender de sinais em solo para guiar a aeronave, a precisão também ajuda à evitar desvios de rota por conta de mau tempo, já que permite mínimos de 300 pés, ante 1500 pés com tecnologias tradicionais para navegação IFR.

“Cabe ressaltar que a administração do aeroporto (Santos Dumont) cumpre com todos os requisitos regulatórios demandados à sua operação, o que o ratifica como uma opção segura e conveniente aos passageiros que embarcam e desembarcam no Rio de Janeiro”, disse a Infraero em nota.

 

Obras na pista

A última vez que a pista principal do SDU passou por uma grande obra foi em 2009. A obra de reconstrução da camada porosa precisa ser realizada até janeiro de 2020, para o aeroporto cumprir requisitos de segurança, de acordo com o DECEA.

Além da camada porosa da pista, está no final um estudo técnico internacional para juntamente com a troca de todo o asfalto das pistas do Aeroporto Santos Dumont, prevista para agosto de 2019, a instalação de um EMAS (Sistema de Material de Engenharia Para Frenagem de Aeronaves) nas cabeceiras das duas pistas.

O EMAS é feito de um material especial que favorece a frenagem de aeronaves em caso de saída de pistas, um dos acidentes que mais acontecem em todo o mundo.

Em 2016 um avião utilizado na campanha presidencial do Donald Trump saiu da pista após um pouso no Aeroporto La Guardia, em Nova York. O EMAS ajudou na desaceleração da aeronave, que ficou na cabeceira da pista.