F-16 C/D Block 52 Marrocos RMAF EUA
Caças F-16C/D Block 52 da Força Aérea Real Marroquina. Foto: Lockheed.

O governo do Marrocos assinou um contrato estratégico com as companhias belgas Sabca e Sabena Aerospace, junto da Lockheed Martin dos EUA, visando se tornar um centro de manutenção para caças F-16 Fighting Falcon e cargueiros C-130 Hercules. 

Segundo a Sabca, o contrato assinado no dia 14/04 levará à criação da Maintenance Aero Maroc (MAM), uma instalação de manutenção de aeronaves militares. A nova MRO (Maintenance, Repair and Overhaul) terá como sede a Base Aérea de Ben Slimane.

A MAM atendará “os requisitos de sustentação da Força Aérea Real Marroquina e trazer empregos de alta tecnologia e habilidades técnicas dentro do país”, diz a Sabca. O comunicado observa que as “primeiras atividades de manutenção” nos C-130 podem começar nas instalações de aproximadamente 15.000 pés quadrados antes do final do ano.

Caças F-16C do Marrocos. Foto: RMAF.

A parceria “garantirá que o Reino do Marrocos receba as melhores instalações industriais, equipamentos, treinamento e certificação possíveis para apoiar os requisitos de sustentação da Força Aérea Real Marroquina e outros clientes internacionais”, disse Danya Trent, vice-presidente do programa F-16 da Lockheed.

A maior razão para a instalação da MRO no Marrocos é sua frota de caças F-16C/D Block 52, que deverá aumentar com a chegada de outros 25 F-16 Block 72 a partir de 2025. 

Abdel Hamid Harfi, especialista militar marroquino, disse à Breaking Defense que a Força Aérea Real Marroquina (RMAF) possui 23 caças F-16 e espera-se que estes sejam atualizados para o padrão Block 72 nas novas instalações da MAM. Os F-16 operam ao lado dos caças F-5E/F Tiger II modernizados localmente, bem como os Mirage F1 MF2000, também modernizados, e os Alpha Jet, sediados na base aérea de Meknes. 

A RMAF também opera uma frota de 17 C-130H e procurou aumentar essa frota através do programa Excess Defense Articles, onde os EUA doam aeronaves que não serão mais usadas. 

C-130H Hércules marroquino. Foto: Dmitry Terekhov via Wikimedia (CC BY-SA 2.0).

Harfi diz que a RMAF “espera manter o F-16 e o ​​C-130 Hercules não apenas para sua força aérea, mas também para os países africanos vizinhos que operam essas aeronaves”.

A Tunísia opera uma frota de seis C-130B/H Hercules e dois C-130J-30 Super Hercules. Além disso, deve receber duas aeronaves C-130H adicionais dos Estados Unidos após um pedido de 2019. 

Outros operadores regionais de C-130H incluem Líbia, Níger, Chade e Egito, este último dos quais foi aprovado pelo governo Biden para comprar doze aeronaves C-130J Super Hercules, em janeiro deste ano. O Egito também possui 220 caças F-16 na sua força aérea, o que representa a quarta maior frota do modelo no mundo (atrás dos EUA, Turquia e Israel), um alvo óbvio de negócios potenciais para a nova empresa de manutenção aeronáutica. 

Em 2020, o Marrocos emitiu a lei 10.20, que estabelece a estrutura para a produção de sistemas militares locais. 

Foto: RMAF.

De acordo com a lei, três categorias de produção militar são permitidas no Reino: armas e munições de defesa (incluindo sistema de informação relacionado e equipamentos de comunicação e vigilância); equipamento militar de segurança; e sistemas de caça e sniper.

“Em alinhamento com esta lei, o Marrocos está aumentando sua produção militar local e a nova instalação é um desses passos. O Reino aspira alcançar a autossuficiência no campo da industrialização militar e ser uma plataforma regional da indústria militar para o mercado local, bem como para a exportação para os países africanos vizinhos”, disse Harfi.