Massa falida da Varig tenta justificar a destruição do DC-3

A Massa Falida da Varig divulgou neste sábado (01/02) uma resposta a sua decisão de “picotar” e destruir um Douglas DC-3 da empresa que estava em exposição no Rio de Janeiro.

A aeronave de matrícula PP-VBF estava localizada nas proximidades da antiga Fundação Ruben Berta, que fica próxima dos hangares da TAP ME no Rio. A área que o avião estava pertencia à TAP, que solicitou a retomada do espaço que o avião estava.

DC-3 antes de ser destruído.

O DC-3 estava em exposição desde a década de 70 no Rio de Janeiro, primeiro no aterro do Flamengo, e depois nas proximidades da VEM ME, que depois da falência virou a TAP ME.

De acordo com a Massa Falida da Varig, eles “tomaram a decisão certa” ao vender o avião como sucata. Citaram em alguns trechos o MUSAL, dizendo que ofereceram a aeronave para eles, mas o próprio MUSAL nega que a massa falida contatou o museu, que fica a poucos quilômetros dali, para receber o DC-3.

A aeronave foi fabricada em 1942, pela Douglas, e na época foi entregue para a USAAF, a Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos. Na Varig esse avião só chegou na frota anos depois, na década de 50, mas antes foi pilotado por Howard Hughes, astro milionário de Hollywood, e dono da histórica companhia aérea TWA.

Pela Varig, esse avião já transportou passageiros e carga, sendo aposentado em 18 de agosto de 1971 após um voo na clássica ponte aérea entre o Rio e São Paulo. No lugar do DC-3 entrou anos depois o Electra, um outro clássico que foi preservado no MUSAL, a poucos quilômetros da destruição de hoje.

 

Em nota a massa falida disse:


O avião DC-3 da VARIG, que apresentava corrosão em 100% de seu revestimento externo, foi destruído por autorização judicial após pedido da massa falida da VARIG, que se viu em uma encruzilhada imposta pela administradora do aeroporto Galeão, onde o avião estava estacionado.

Com a cobrança do espaço que tal avião estava utilizando, a massa falida buscou solucionar o problema com o menor custo, inclusive o ofertando para o Museu Aeroespacial (MUSAL). Após a recusa, o alto custo para manter tal avião parado levou a massa falida a requerer autorização do Poder Judiciário para destruir a aeronave.

É bom lembrar que há uma aeronave da VARIG, idêntica, no Aeroporto de Porto Alegre. A aeronave do Sul está restaurada e aberta para visitações, conforme se pode verificar pelo site www.varigexperience.com.br.

No entanto, o que deve ser destacado nesse momento de saudosismo é que o maior patrimônio da VARIG não era seus aviões. Eram seus funcionários, sua tripulação, seus mecânicos e seus aeroviários. Essas pessoas é que criaram e desenvolveram esse apreço pela imagem da empresa Varig.

Apesar de mais de 2 mil óbitos, mais de 10 mil trabalhadores da Varig ainda estão vivos e, necessário lembrar, não receberam suas verbas rescisórias quando do encerramento das atividades da Empresa.

Esse “patrimônio” da VARIG está sendo destruído diariamente a cada falecimento.

Dessa forma, em um cenário de falência da empresa, por mais importante e representativa que possa ser, a preocupação da massa falida deve ser pagar os trabalhadores em primeiro lugar.

A VARIG deve mais de 500 milhões de reais em verbas trabalhistas não pagas ao seu principal “patrimônio”. A VARIG deve mais de 4 bilhões de reais para o Fundo de Pensão que a empresa participava (AERUS), o qual deveria garantir uma aposentadoria para seus trabalhadores.

Com isso, o custo de manter uma aeronave antiga e corroída, pagando valores altíssimos, por mero saudosismo é violentar os próprios trabalhadores da VARIG que ainda aguardam para receber integralmente suas verbas trabalhistas.

Portanto, a destruição do DC-3 da Varig, corroído e sem qualquer capacidade de utilização, não é um atentado à nossa história. Como já dito, existe um similar em Porto Alegre aberto para visitações. Porém, quem deseja mesmo reviver os tempos da “Varig” procure um funcionário da época. Ele contará sobre a dedicação dos trabalhadores para erguer uma empresa referência mundial e respeitada no mundo inteiro.

Por essa razão, o entendimento da Massa Falida e a decisão do Poder Judiciário estão corretos, pois buscaram extinguir os custos gerados pela manutenção do avião. O que se deve buscar nesse cenário de falência é a restauração, dentro do possível, da dignidade dos trabalhadores, mediante o pagamento das verbas rescisórias ainda devidas e de valores para o Fundo de Pensão. Após tal restauração pessoal, se poderá pensar na necessidade de restaurar outras aeronaves da VARIG.

 

A nota foi divulgada pela FENTAC/CUT (Central Única dos Trabalhadores).

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