MD-11: Uma despedida do Brasil cheia de imprevistos

MD-11
MD-11 em sua última aproximação para pouso em Viracopos (Campinas)

O McDonnell Douglas MD-11 é um clássico avião. Reconhecido por muitos onde passa, a configuração de três motores, com um na cauda, junto com a enorme fuselagem marcam época até hoje, e chegam a remeter ao DC-10.

Por vários anos o MD-11 operou no Brasil, e era quase uma figurinha carimbada nos aeroportos brasileiros. O avião operou até na Varig, e perdurou na frota quase até o momento de falência da companhia.

 

Curta história sobre o MD-11

O desenvolvimento do MD-11 começou como uma necessidade da McDonnell Douglas de ajustar o seu produto à concorrência, como o Boeing 747-400. O início do projeto foi em 1986, e a fabricante optou por atualizar o DC-10, a partir da versão -30, a maior disponível.

Apesar de ser um produto “requentado”, o MD-11 era uma grande chance da McDonnell superar seus problemas financeiros, visto que na previsão a empresa deveria vender no mínimo 300 aeronaves.

O MD-11 recebeu algumas atualizações significativas, quando comparamos com um DC-10. Para suportar uma maior carga, principalmente devido ao maior tamanho, o trem de pouso principal era triplo, com um central.

MD-11 em testes.

Tecnologicamente, o cockpit do DC-10, para três tripulantes, foi substituído por um cockpit no estilo do Boeing 767, já lançado, com telas eletrônicas, e um funcionamento que dispensava o engenheiro de voo, mantendo a exigência de ter apenas dois pilotos, melhorando a atratividade do produto para as companhias aéreas.

Uma outra inovação foi o winglet duplo, que prometia diminuir em até 5% o consumo de combustível em comparação com o DC-10.


O MD-11 foi certificado em 1990 pela FAA, e após 200 problemas de segurança sanados, a Europa aceitou a certificação do avião em 1991.

MD-11 da Varig. Foto – Duncan Steward

No Brasil, o MD-11 foi operado pela Varig, Vasp e TAM, esta última através de um contrato com a Boeing, onde os MD-11 ficariam na frota da companhia enquanto seus novos 777-300ER estavam sendo produzidos.

Ao longo dos anos o MD-11 foi passando de aeronave de passageiros para o transporte de cargas, e nas duas últimas décadas se destacou neste último ponto.

A Lufthansa Cargo tinha na sua frota o último MD-11F que saiu da linha de montagem da McDonnell Douglas, de matrícula D-ALCN e número de construção 48806. Este avião foi repassado neste ano para a UPS, onde opera com a matrícula N262UP.

A aeronave foi retirada da linha de montagem, para iniciar os voos de testes pré-entrega, no dia 22 de fevereiro de 2001, já como cargueiro, visto que o último MD-11 para passageiros foi fabricado em 1998.

 

 

Última operação regular no Brasil

A última companhia que operou com o MD-11 regularmente no Brasil foi a Lufthansa, através da versão cargueira da aeronave. Como publicamos anteriormente, a empresa tinha até um cronograma em vigor nas últimas semanas de dezembro para retirar o avião de operação no Brasil.

Depois parar seus voos em Guarulhos, Recife e Curitiba, foi a vez de Viracopos ser o último destino no país operando voos regulares com o MD-11.

A última operação ocorreu no dia 31 de dezembro, logo nas últimas 24 horas de 2020, e como não poderia deixar de ser, foi tumultuada como o ano passado.

O MD-11 de matrícula D-ALCK chegou perto de Viracopos para iniciar a sua aproximação, ao mesmo tempo que uma forte chuva estava caindo sobre o aeroporto. O resultado foi uma arremetida da aeronave, que você pode conferir no belíssimo vídeo abaixo.

 
 
 
 
 
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Após ganhar altitude novamente os pilotos seguiram para o Aeroporto de Guarulhos, com intenção de pousar no local como um voo alternado.

Deu certo! Às 10h13 o MD-11 da Lufthansa voltava a tocar o solo da metrópole de São Paulo, algo que teoricamente não deveria fazer após o dia 23 de dezembro.

Quase três horas depois o mesmo MD-11 seguiu para Viracopos. Já com melhores condições climáticas o trimotor conseguiu pousar no local, e prosseguir com sua programação normal, apesar do atraso.

A última decolagem ocorreu ainda no dia 31 de dezembro, às 22h40, seguindo rota de carga com escala em Dakar e destino final Frankfurt. Esses foram os últimos momentos do MD-11 no Brasil, para, talvez, retornar futuramente em alguns poucos voos não regulares.

Você pode acompanhar o rastreamento desse avião pelo FlightRadar 24 Clicando Aqui.

Aos poucos a Lufthansa vai substituindo os voos realizados pelo MD-11 pelo novíssimo 777F. Assim como ao mesmo tempo atualiza a sua frota de cargueiros.

777F à esquerda e MD-11F à direita.

De acordo com a companhia, os 777F tem um custo operacional 15% menor em comparação com o MD-11, além disso ele pode transportar aproximadamente 106 toneladas, enquanto o MD-11 pode transportar 80 toneladas.

 

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