O advogado Cristiano Caiado de Acioli, de 39 anos, foi retido dentro da aeronave pela Polícia Federal durante o voo G3 1446, da GOL, de Congonhas (São Paulo) para Brasília, nesta terça-feira.

No voo ele disse ao Ministro Ricardo Lewandowski que o Supremo Tribunal Federal (STF) é uma vergonha, ao ouvir isso o ministro respondeu “Vem cá, você quer ser preso? Chamem a Polícia Federal, por favor”.

“Senhoras e senhores, eu queria um minuto da atenção de vocês. Eu sou só um cidadão, mas temos aqui neste voo o ilustre ministro Ricardo Lewandowski, e eu, na minha liberdade constitucional de me manifestar, eu disse que tinha vergonha do Supremo Tribunal Federal, e este ministro me ameaçou de prisão, tão somente porque eu exerci minha liberdade constitucional”, disse o advogado durante o voo.

“(Ainda em São Paulo) A Polícia Federal chegou e perguntou se eu iria causar problemas. Eu falei que eu tenho direito de criticar o Supremo. Eu fiz respeitavelmente, é direito constitucional meu, não causei tumulto nem nenhum tipo de crime. Fiz minha parte que era me manifestar de forma respeitosa. Tiraram cópia do documento de identificação e liberaram o avião. Quando pousamos, fiz desagravo particular meu porque estou muito abalado emocionalmente”, disse o advogado durante uma entrevista ao Estadão por telefone enquanto estava retido dentro do avião em Brasília.

“Sou pessoa que tem retidão na vida, procuro não fazer mal aos outros, sou uma pessoa patriota, serena, amo o Direito e o País e acho que todo o cidadão tem direito de se expressar e sentir vergonha ou não pelo Supremo Tribunal Federal. Eu disse o que penso. A gente não vive ainda ditadura neste país. Acho que todas as pessoas têm direito de se expressar de forma respeitosa”.

O ministro desembarcou normalmente em Brasília, enquanto o advogado ficou retido dentro da aeronave sem maiores explicações por parte da Polícia Federal. Em voo Lewandowski disse que ele precisaria se explicar aos policiais por conta de sua manifestação.

 

Via – Estadão