A Mitsubishi e a Bombardier anunciaram hoje (25/06) o primeiro acordo firme para a fabricante japonesa assumir o programa CRJ, criado pela canadense Bombardier.

O acordo tem um valor total de US$ 550 milhões, que deve ser pago pela Mitsubishi Aircraft após a finalização das negociações. A Bombardier também anunciou que o acordo tem “passivos” adicionais de US$ 200 milhões, basicamente uma dívida da fabricante canadense.

Os executivos esperam que a transação seja concluída até o 1° semestre de 2020.

De acordo com o contrato, a Mitsubishi Heavy Industries adquirirá as atividades de manutenção, suporte, reforma, marketing e vendas das aeronaves da série CRJ, incluindo os serviços relacionados e a rede de suporte localizados em Montreal, Québec e Toronto, além de centros de serviços localizados em Bridgeport, West Virginia e Tucson, Arizona, bem como os certificados de tipo das aeronaves.

A unidade de produção da linha CRJ em Mirabel, Québec, permanecerá com a Bombardier. A Bombardier continuará a fornecer componentes e peças de reposição em nome da Mitsubishi Heavy Industries. A produção de CRJ deverá ser encerrada no segundo semestre de 2020, após a entrega dos atuais pedidos de aeronaves.

Anteriormente a Bombardier vendeu 50,01% do seu programa CSeries para a Airbus, e logo após vendeu seu programa deficitário Q400, que constava poucas encomendas.

O foco da Bombardier nessa manobra será uma maior dedicação para suas atividades de aeronaves executivas.

Ao mesmo tempo a Mitsubishi garante uma dominância onde vira concorrente direta da Embraer, visto que os jatos CRJ concorrem com a família de primeira geração dos E-Jets, enquanto o novo MRJ, inteiramente desenvolvido pela Mitsubishi, concorre com a nova geração de aviões da Embraer/Boeing, os E-Jets E2.

MRJ90. Foto – Mitsubishi

A empresa japonesa tem desde 2011 um contrato de longa data com a Boeing, para que a fabricante norte-americana forneça suporte ao cliente para o jato regional MRJ. Essa é uma forma da Boeing apoiar comercialmente a comercialização do jato, e fez efeito no território dos Estados Unidos.

Essa parceria deve ser rompida em breve, visto que agora a Boeing costura uma parceria de joint-venture, onde a empresa adquiriu 80% da divisão de aviões comerciais da Embraer.

A Bombardier e a Mitsubishi estão atualmente em disputa judicial. A empresa canadense alega que houve um roubo de segredos comerciais, relacionados à certificação do CSeries e ao Global 7000. Neste caso a Mitsubishi contratou engenheiros da Bombardier, como forma de roubar segredos de engenharia.