A Airbus confirmou que a Moxy Airways, uma nova companhia aérea de David Neeleman, junto com um grupo de investidores, firmou o seu pedido para 60 aeronaves A220-300, depois de um memorando de entendimento que foi assinado em julho, mas não dava direito à slots de produção.

O pedido foi concluído na última semana de dezembro. A Airbus produzirá o A220-300 em uma nova instalação de montagem nos EUA em Mobile, Alabama. A construção dessa usina, a ser localizada adjacente à instalação de montagem existente da Airbus A320, começará no final deste mês.

A data da primeira entrega ainda não foi divulgada, mas Neeleman planeja começar os voos comerciais da Moxy em 2020 ou 2021.

O A220-300 é uma aeronave de categoria regional, em um projeto realizado pela Bombardier para concorrer com a Embraer. O avião oferece um alcance de até 5020 km, sem contabilizar as reservas de combustível, e um interior que suporta até 160 assentos em Classe Econômica.

Com esse pedido firme da Moxy e outro da JetBlue, a Airbus já acumula mais de 500 encomendas firmes para a família A220. 

Em uma entrevista em setembro de 2018, David Neelemann deixou a entender que quer mesclar parte da experiência com a JetBlue e a Azul.

Nas duas companhias ele começou com aviões novos, o que possibilitou uma maior economia de combustível, mas aumentou os custos com leasing. Na JetBlue ele optou por rotas mais centrais, com foco em Nova York, na Azul a intenção era operar em aeroportos regionais para ganhar um mercado que até então deixava de registrar uma concorrente por aqui.

Para ele o grande incentivador será o baixo consumo do A220-300, que é equipado com motores super-econômicos e capacidade para até 160 passageiros, algo comparável ao 737 MAX 7, mas com menor consumo, em comparação com o avião da Boeing.

“Os custos de viagem da aeronave e os motores eficientes em termos de combustível fornecerão um amortecedor contra os preços voláteis dos combustíveis”, disse ele. 

Essa foi uma fórmula utilizada na JetBlue, enquanto as companhias aéreas americanas apostavam em aviões usados e com maior consumo algo que está sendo revertido atualmente, devido ao maior preço do combustível em todos os países.

“A JetBlue era uma empresa de atendimento ao cliente que por acaso voava com aviões”, disse Neeleman em uma entrevista, falando publicamente de seus planos pela primeira vez. “A Moxy vai levar isso um pouco mais longe. Será uma empresa de tecnologia que por acaso voa com aviões”.

Vale ressaltar que Neeleman já fundou três companhias aéreas na América do Norte, e atualmente tem participação em três companhias, Azul, TAP e Aigle Azur, que também serão parceiras da Moxy Airways.

Ao mesmo tempo ele utiliza a fórmula da Azul, de entrar em mercados onde não vai achar muitas concorrentes, como descrevemos abaixo.

 

Rotas

O foco da Moxy Airways será em rota com demanda mas pouca oferta, notavelmente as que ligam cidades do interior aos grandes centros, portanto, podemos esperar vários voos longos e curtos, para adaptar a malha a esse estilo de operação.

Por enquanto Neeleman não quer revelar mais sobre as rotas atendidas pela companhia em um futuro próximo, talvez esse seja um plano para evitar concorrência.

“O mantra será tentar levar as pessoas até duas vezes mais rápido, com tarifas de 30% a 50% mais baixas do que as que estão pagando hoje”, disse Neeleman. “Eu ficaria surpreso se tivermos uma única rota na Moxy que tenha um único concorrente em voos diretos.”

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