Projeção artística de um B-2 Spirit junto de um B-21 Raider. Autor desconhecido.

Falando no Painel das Forças Armadas na Câmara dos EUA no dia 08/06, Darlene Costello, secretária interina de aquisição da USAF (Força Aérea dos EUA) afirmou que os dois primeiros novos bombardeiros stealth Northrop-Grumman B-21 Raider estão completos e prontos para os testes. No entanto, ela também diz que é muito cedo para acelerar o programa. 

Ao comitê, Tenente-General David S. Nahom também afirmou que a USAF não aposentará nenhum B-1B Lancer, além dos 17 já planejados, até que os novos B-21 entrem em serviço. Até lá, 45 unidades do bombardeiro supersônico serão mantidas em serviço. 

“Não temos intenção de ir abaixo de 45, porque os Comandantes dos combatentes precisam desse poder de fogo nos próximos cinco, sete, 10 anos, até que os B-21s comecem a aparecer nos números que precisamos deles”, disse Mahon aos legisladores. 

Um B-1B Lancer escoltado por um F-16C da Polônia. Foto: Força Aérea Polonesa.

Quando deputada democrata Elaine Luria questionou se as necessidades de combate da Força Aérea serão atendidas pelo novo tamanho da força de bombardeiros, o Tenente-General Clinton Hinote, Vice-Chefe de gabinete para Estratégia, Integração e Requisitos respondeu: “Diretamente, não.”

“É por isso que digo que o risco no portfólio de bombardeiros é alto. Temos que fazer melhor. Precisamos acelerar a capacidade do B-21 o mais rápido possível. Mas, a curto prazo, a resposta é não.” Hinote explicou que as decisões sobre a extensão de vida útil dos bombardeiros e sobre o cronograma do B-21 foram tomadas há 10, 15 anos atrás, sob a Lei de Controle de Orçamento, priorizando a prontidão sobre a modernização. 

A deputada perguntou se o programa poderia ser acelerado, ao que Hinote respondeu que “é verdade que não poderemos obter o B-21 rápido o suficiente.” Costello disse que a prioridade para o B-21 é completar a fase de design sem introduzir concorrências no programa. 

Concepção artística do B-21 Raider. Imagem: Northrop Grumman.

“Uma vez que passarmos pelo design e entregamos os primeiros, podemos ajustar as taxas de produção e talvez afetá-los dessa forma, mas temos que passar pela engenharia com disciplina sólida”, disse ela.

Luria expressou surpresa pelo design ainda não estar completo, ao que Costello respondeu: “Nós temos o design. Existem duas aeronaves de teste construídas e vai demorar um pouco para passar por todos os testes. E, portanto, pode haver algumas mudanças como resultado do teste.”

Anunciado inicialmente em 2016, o B-21 será um novo bombardeiro stealth com longo-alcance e grande capacidade carga. As concepções artísticas divulgadas até o momento mostram que a aeronave terá design similar ao B-2 Spirit, este em serviço desde a década de 1980.

O nome Raider é uma homenagem aos Doolittle Raiders, um grupo de aviadores da então Força Aérea do Exército dos EUA, que em 18 de Abril de 1942, liderados pelo Tenente-Coronel James Harold Doolittle decolaram bombardeiros B-25 Mitchell a partir do porta-aviões USS Hornet para atacar Tóquio em resposta ao ataque japonês de Pearl Harbor em dezembro de 1941.

Os bombardeiros B-25 no convés do USS Hornet em 1942.

Mesmo que o ataque não tenha causado grandes danos ao Japão, trouxe resultados em termos de propaganda, mostrando que os Estados Unidos tinham capacidade para atacar o Japão.

No final do ano passado, o diretor do Escritório de Capacidades Rápidas da Força Aérea e oficial executivo do programa do B-21, Randall G. Walden, disse à Air Force Magazine, que o segundo protótipo do B-21 já estava em produção, que o roll out do primeiro B-21 seria realizado no início de 2022, com a aeronave passando por extensos testes de solo antes dos primeiros voos de testes no ano seguinte. A segunda aeronave será usada para testes em solo. 

Concepção artística do B-21 Raider. Imagem: USAF.

Ainda sobre o B-1B, o Tenente-General Nahom disse que a capacidade combate com 45 unidades será tão boa ou melhor que com 62 bombardeiros. A USAF aposentará as 17 unidades mais caras para manter, ao mesmo tempo que mantém a força de técnicos e mecânicos até a chegada do B-21, afirmando que acredita ser possível aumentar o nível de prontidão dos bombardeiros supersônicos. 

“Podemos realmente ter mais aviões disponíveis para os […] combatentes nesse ínterim, eliminando a aeronave mais antiga e mais propensa a problemas da frota. Achamos que está valendo a pena”, disse ele.

O oficial também explicou que os bombardeiros escolhidos para serem retirados da frota ativa “custam mais para manter… do que o benefício que você obtém deles”. Nahom acrescentou que a Força Aérea “pensou que seriam mais” do que 17 aeronaves que seriam retiradas até que uma análise em cada avião encontrasse o número ideal.

Master Sgt. David Jackson prestando continência ao primeiro B-1B aposentado antes de seu derradeiro voo. Foto: Jonah Fronk/USAF.

Via Air Force Magazine.