Para uma situação mais confortável GOL precisa gerar caixa, diz Kakinoff

Paulo Kakinoff, CEO da GOL. Foto - GOL/Divulgação

A aviação no mundo todo respira por aparelhos, a demanda global de passageiros despencou e fez com que todas as empresas adotassem medidas drásticas para se adequar ao cenário que o coronavírus os colocou.

A pandemia do coronavírus fez com que muitas rotas rentáveis fossem canceladas ou suspensas, não somente pela baixa demanda causada pelo medo dos passageiros em contrair a doença. Vários países fecharam as fronteiras, e limitaram a entrada e saída de pessoas para se ter um controle maior sobre a proliferação da doença, uma atitude correta, mas que de imediato afetou o setor de aviação.

No Brasil é visível o quanto o setor foi amplamente afetado, muitas aeronaves foram estocadas, com rotas suspensas e canceladas. Neste cenário, se sobressai um pouco da crise quem fez um planejamento profundo de readequação de custos e visão de mercado para o cenário atual.

A GOL fez uma longa repaginação dos seus custos de operação logo no início da crise, para operar com o necessário e possível dentro das limitações financeiras da empresa. 

Os custos fixos da empresa na operação englobam: Aluguel de aeronaves e folha de pagamento, neste último citado a empresa fez uma grande readequação de custo. A companhia fez acordos com seus funcionários e cerca de 5,4 mil desses entraram em licença não remunerada, mas garantindo toda a assistência necessária a eles como os benefícios de saúde e alimentação. Além disso, a GOL reduziu em 50% o pagamento para todos os seus funcionários.

Esse acordo fez com que a GOL reduzisse o valor de sua folha de pagamento, que chegava a ser maior que R$ 180 milhões por mês para 80 milhões na operação atual, segundo o presidente da empresa.

A GOL está conseguindo negociar também os custos com suas aeronaves, a empresa está operando apenas 10% de sua capacidade total em rotas mais necessárias. A empresa refez sua malha concentrando operações em São Paulo e Brasília. A partir do Aeroporto de Guarulhos em São Paulo, a GOL concentra atualmente a maioria dos voos, e colocou alguns com ligação para o norte do país no Aeroporto de Brasilia, onde está estrategicamente localizado e viabilizando as rotas para o norte.


Segundo Kakinoff, em entrevista para O Estadão, a empresa tem obtido sucesso nas negociações com credores e locadores de aeronaves, que hoje a operação está equivalente ao que a empresa pode manter sem causar prejuízos e operações necessárias.

“Eu não estou piorando a situação quando decolo qualquer voo nosso hoje. Lógico que se eu aumentar esse número vou gerar prejuízo pois não há demanda para acima desses 10% que estamos operando. Eu me concentro hoje nos custos fixos, folha de pagamento e aluguel de aeronaves. Temos negociado com gestores, com empresas que alugam aviões e quase a totalidade deles tem sido flexível em relação aos pagamentos”, disse Kakinoff.

A empresa está operando apenas 50 voos, o equivalente a 10% do total de suas operações, mas de acordo com Kakinoff, a empresa não está tomando prejuízo nessas operações.

“Estamos operando a 15 dias nessa malha de 10% de nossa capacidade, quando levo consideração meus custos variáveis a atual operação se paga”, completou.

O presidente da GOL afirmou ainda que está buscando maneiras de “gerar maior volume de caixa” para a companhia mas ressalta que há caixa para quitar dividas futuras: “Não estou falando em gerar caixa e sim em equilíbrio. As negociações com o BNDES tem sido feitas para reforçar o caixa através de linhas de credito, mas não significa que vamos utilizar. A retomada do setor será lenta, há muitos riscos mas estou confiante na travessia”.

Algumas análises divulgadas pelo InfoMoney e pelo Ágora apontam uma boa saúde financeira para a GOL nos próximos meses, visto que antes mesmo do surto de coronavírus aparecer na China, a companhia já estava aumentando seu caixa e diminuindo a quantidade de dívidas no curto prazo.

 

Fonte: Estadão e InfoMoney
Texto: Aeroflap

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