Foto - Airbus

O Airbus Perlan 2, um planador, atingiu um recorde mundial de altitude, para este tipo de aeronave.

Os pilotos voaram na estratosfera, atingindo 62000 pés em um voo realizado nas proximidades de El Calafate, na Argentina. Os pilotos Jim Payne e Morgan Sandercock serão novamente reconhecidos por quebrarem esse recorde dos planadores, visto que em setembro de 2017 fizeram o mesmo, ao realizar um voo com altitude máxima de 52000 pés.

Outra conquista deste ano para o Projeto Perlan foi o uso de um avião de reboque especial de alta altitude, do modelo Grob Egrett G520, em vez de um avião de reboque de planador convencional. Isso permitiu que a aeronave levasse o Perlan 2 até perto do início da estratosfera, facilitando o planador atingir a sua altitude máxima.

Além disso o Perlan 2 se aproveita de um um fenômeno climático criado quando as correntes de ar ascendentes atrás das cadeias montanhosas são significativamente fortalecidas pelo vórtice polar. 

O fenômeno ocorre apenas por um breve período a cada ano, e em apenas alguns lugares da Terra. A Cordilheira dos Andes, na Argentina, e uma área em torno de El Calafate é um desses raros locais onde essas correntes de ar em ascensão podem chegar a 100000 pés ou mais.

De acordo com a Airbus, as seguintes melhorias foram feitas durante o inverno no hemisfério norte:

  • Uma cápsula de fibra de carbono com um sistema inovador de pressurização de cabine passivo de alta eficiência que elimina a necessidade de se utilizar compressores pesados e que consomem muita energia.
  • Um sistema fechado de reciclagem de ar, por meio do qual o único oxigênio utilizado é aquele metabolizado pela tripulação. Este é o mais leve e mais eficiente sistema para cabines fechadas e seu desenho possui funcionalidades aproveitáveis por outras aeronaves que voam em altitudes elevadas.
  • Um sistema de bordo, localizado na cabine de controle, para “visualização de ondas” que utiliza gráficos como representação das áreas de massas de ar ascendentes e descendentes. No caso de voos comerciais, seguir linhas de ar ascendente permitiria uma subida mais rápida e economia de combustível, ao mesmo tempo que ajuda a aeronave a desviar de fenômenos perigosos como cortantes de vento e fortes correntes descendentes.

 

Espaço para a pilotagem

Curioso mesmo é o diminuto espaço para os dois pilotos que voam esse planador de asa gigante da Airbus, fatores de aerodinâmica limitaram muito a área frontal do nariz desse planador. Os pilotos entram na aeronave por uma janelinha redonda, com certeza uma pessoa com porte avantajado não passa ali.

Foto – Airbus/Divulgação

Como todos sabem, quanto maior o arrasto aerodinâmico, mais rapidamente a velocidade do objeto diminui, e isso é uma grande verdade, da mesma forma que a área também afeta o quanto de arrasto aerodinâmico você gera, por isso o Space Shuttle era um tijolo na hora do pouso.

Mas o Space Shuttle não conta neste caso, o mesmo tinha motores, apesar dos mesmos não serem funcionais durante a rápida descida dessa espaçonave. 

 

O Perlan 2

A Perlan Missão II da Airbus é uma iniciativa para voar um planador sem motor até a fronteira do espaço usando os fenômenos climáticos chamados ondas estratosféricas de montanha.

Devido ao seu design sem motor, o planador Perlan 2 é uma plataforma única para a descoberta científica, e está mostrando um excelente desempenho em todos os experimentos de voo que focam nos fatores que influenciam as mudanças climáticas e nos efeitos da radiação em pilotos e aeronaves em altitudes elevadas.

Neste ano o Perlan 2 está voando com os seguintes equipamentos científicos:

  • Um experimento medindo efeitos de radiação em altas altitudes, projetado por alunos da Cazenovia Central School e Ashford School, em Connecticut. Este projeto está em coordenação com a Teachers in Space, Inc., uma organização educacional sem fins lucrativos que estimula o interesse dos estudantes em ciência, tecnologia, engenharia e matemática; 
  • Um gravador de dados de voo, desenvolvido pelo Instituto de Investigações Científicas e Técnicas para a Defesa da Argentina (CITEDEF); 
  • Um segundo gravador de dados de voo, projetado por estudantes da Universidad Tecnológica Nacional (UTN) da Argentina; 
  • Um instrumento de “clima” espacial, que mede a radiação e temperatura quando a altitude de voo é alta;
  • Um experimento intitulado “Marshmallows in Space”, desenvolvido pelo Museu de Ciência e Descoberta de Oregon para ensinar o processo científico às crianças em idade pré-escolar. 
  • Dois novos sensores ambientais, desenvolvidos pelo Projeto Perlan.

O objetivo do Projeto Perlan é tentar atingir 90 mil pés, um recorde mundial de altitude para qualquer voo de aeronave com asas, com ou sem motor.

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