Quando o embarque é liberado, a descida pela passarela (também conhecida como finger, no jargão do setor) até o avião é um momento de expectativa para os passageiros que tanto amam quanto têm algum tipo de receio de voar.

Eventualmente, porém, é necessário um ônibus que cruzará os pátios do aeroporto até a escada de acesso à aeronave. Esse é o chamado embarque ou desembarque remoto, uma realidade em diversos aeroportos do mundo e que faz parte de uma rigorosa operação para trazer o máximo de tranquilidade para a sua viagem.

As pontes ou passarelas de embarque são recursos presentes na maioria dos grandes aeroportos do planeta. No entanto, muitas situações podem resultar no embarque ou desembarque remoto.

“Sempre que possível, o finger é priorizado para o uso do passageiro, mas medidas de segurança ou demandas operacionais de aeroportos ou companhias aéreas podem levar a aeronave para longe dos terminais”, afirma o diretor de Segurança e Operações de Voo da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), Ruy Amparo. “Todos os aeroportos do mundo precisam ter posições remotas para situações de picos de demanda ou contingências”, acrescenta o diretor.

As razões mais comuns para uma aeronave ser direcionada para fora do finger são o excesso de aeronaves no pátio e a dinâmica interna das operações da companhia. Na área remota, procedimentos de manutenção programada de um avião, por exemplo, podem ser executados logo após o pouso sem comprometer as demais operações do aeroporto ou atrasar a próxima partida. Outra razão é a mudança na natureza do voo, que chega de uma localidade doméstica e decola para um destino internacional (ou vice versa).

“Se estivesse em uma ponte no terminal, a aeronave, nessa situação, precisaria ser rebocada da área doméstica para a internacional, o que poderia comprometer o ritmo das operações , especialmente em horários de pico”, informa Amparo.

Às vezes, mesmo quando há pontes disponíveis nos terminais, elas não podem ser utilizadas. Nesses casos, pode haver alguma limitação no pátio do aeroporto que restrinja o estacionamento da aeronave naquele momento ou a sala de embarque existente não é adequada para a quantidade de passageiros daquele voo. Esta situação pode acontecer, por exemplo, quando se utiliza uma aeronave de grande porte (os “wide bodies”) em voos domésticos.


Em outros casos, quando um voo atrasa a liberação da posição equipada com finger, a aeronave que estava programada para substituí-la precisa ser reposicionada pela administração do aeroporto e a posição remota surge como melhor opção. Há, ainda, limitações estruturais de algumas aeronaves (normalmente pelo pequeno porte), que têm as portas de entrada a pouca distância do solo e são inacessíveis para as pontes disponíveis.

Assim, aqueles minutos dentro do ônibus entre o terminal e a aeronave é resultado de um criterioso planejamento feito para garantir que sua viagem ocorra sem atrasos e com o máximo de segurança. Aproveite o momento para conhecer detalhes do pátio do aeroporto que não poderiam ser observados em outra circunstância.

Note quantos profissionais de diversas áreas (manutenção, comissaria, embarque e desembarque de malas, abastecimento de combustível, reboque de aeronaves etc. ) trabalham para seu voo ser seguro, pontual e confortável. Será mais uma oportunidade para enriquecer sua viagem.

 

VIA – ABEAR