A-10 EUA USAF GAU-8
Um A-10C Thunderbolt II disparando seu canhão GAU-8/A Avenger, seu principal armamento. Foto: MSgt. Terry Atwell/USAF.

Testes recentes mostraram que o jato de ataque A-10 Thunderbolt II e seu canhão rotativo GAU-8 de 30mm continuam efetivos contra tanques de guerra, mesmo equipados com as chamadas Blindagens Explosivas Reativas (ERA). 

Durante a campanha de avaliação, realizada entre os dias 14 e 25 de fevereiro no Campo de Testes e Treinamento de Nevada, foram usados dois A-10C dos 422º e 59º Esquadrões de Teste e Avaliação (TES). A Divisão de Análise e Armamento Operacional do Centro de Gerenciamento do Ciclo de Vida da Força Aérea também participou dos testes. 

Cada surtida viu os dois jatos empregarem munições incendiárias perfurantes contra dois tanques (MBT) equipados com blocos de ERA. Segundo o Comando de Combate Aéreo (ACC) da Força Aérea dos EUA (USAF), os pilotos de testes “variaram os parâmetros de ataque e direção para avaliar os efeitos das armas contra os alvos blindados.”

A-10 canhão GAU-8 30mm
O gigante GAU-8 Avenger ao lado de um VW Beetle, o fusca como é chamado no Brasil. O GAU-8 inteiro tem mais de seis metros de comprimento, sete canos e uma taxa de disparo de 3900 tiros por minuto Foto: USAF.

“Por meio da análise de vídeo, imagens fotográficas e inspeção visual dos alvos, os analistas puderam verificar os danos de batalha infligidos aos tanques e determinar que os tanques ficaram inoperantes.”

O Major Kyle Adkinson, comandante da divisão do A-10 dentro do 422º TES, explica que cada rajada típica do A-10 possui 120 disparos, o que significa que ele pode fazer entre 9 e 10 rajadas contra seus alvos antes de esgotar suas munições.

“Contra grandes forças em campo, as formações de A-10 são capazes de engajar cerca de 40 veículos blindados com munições de 30 milímetros. Essa é uma quantidade significativa de poder de fogo”, diz o oficial. 

a-10 AGM-65 MAVERICK míssil
A-10C disparando um míssil AGM-65 Maverick. Foto: MSgt Robert Wieland/USAF.

Além das munições de 30mm, analistas também coletaram dados sobre o emprego dos foguetes guiados por laser AGR-20E APKWS e o míssil ar-solo AGM-65L Maverick (também guiado por laser) contra os blindados.

Os primeiros estudos sobre ERA surgiram na URSS no final da década de 1940 e os primeiros modelos apareceram nos anos 1960, visando aumentar a blindagem dos MBTs contra munições explosivas antitanque (HEAT), as conhecidas “carga oca”. 

O ERA funciona com a detonação de uma carga explosiva contra o projétil que vai atingir o tanque a ser protegido, mitigando os danos no veículo. Os ERAs atuais também são efetivos contra munições cinéticas, conhecidas no Brasil como munição flecha.

O ERA é facilmente identificável na forma de blocos montados nos tanques. Hoje, são equipamentos padrão em vários MBTs ocidentais e orientais, como o M1 Abrams, Challenger II, T-90 e T-72. 

Índia T-72 tanque ERA
Tanque T-72 indiano com blocos de ERA. Foto: Marcus Qwertyus via Wikimedia (CC BY 2.0).

“Este tem sido um esforço de teste contínuo desde que a ideia se originou em 2020”, disse o 1º Tenente Christopher Earle, analista de testes de operações do A-10C no 59º TES. “Agora que se concretizou e provou ser bem-sucedido, trabalharemos para testar outros tipos de munições antiblindagem no inventário da Força Aérea contra a ERA e coletar mais dados.”

O ACC destaca que o A-10 é adequado para funções do conceito Agile Combat Employment (ACE), e este teste prova que o A-10 pode continuar a fornecer grande poder de fogo rápido com efeitos devastadores em veículos inimigos em um ambiente contestado.