Transbrasil
Foto: Gabriel Benevides/Aeroflap

Passados 20 anos do encerramento das suas operações, a TransBrasil até hoje é bastante lembrada por amantes e entusiastas da aviação.

Responsável por trazer diversas aeronaves coloridas e o icônico arco-íris aos céus do Brasil, a TransBrasil encerrou oficialmente a sua trajetória na noite de 3 de dezembro de 2001, quando um Boeing 737-300 de matrícula PT-TEW realizou o último voo da companhia entre os aeroportos do Galeão e Congonhas, e assim, foi dado o ponto final em quase 47 anos de operações. 

Apesar da dura despedida, algumas dessas aeronaves ainda mantêm a lembrança do legado de uma das companhias mais queridas que o Brasil já teve, inclusive, com curiosidades históricas que você vai poder acompanhar neste artigo especial. 

Quem embarca ou desembarca no Aeroporto de Brasília provavelmente já se deparou com aeronaves abandonadas  da extinta TransBrasil. Além disso, há também o prédio onde funcionava a antiga sede da companhia, que aliás, contava com um moderno hangar na mesma instalação, confira mais detalhes a seguir.

 

Antiga sede administrativa que era também o maior hangar da América do Sul na época

Transbrasil
Foto: Pista 11

Para quem não sabe, a sede da companhia ficava localizada na capital federal a partir de 31 de março de 1977, o prédio foi erguido com um espaço de 12.400m², tendo capacidade para comportar simultaneamente até seis Boeing 727 para a manutenção.

Além da parte administrativa, o prédio também abrigava o Centro de Informação de Voo e Otimização de Performance (CIVOP), o objetivo era unir setores distintos para a realização de reuniões. O CIVOP conseguia abranger diversas operações da companhia desde a manutenção e ensino a escala de voos e planejamento. 

Transbrasil Hangar
Momentos distintos: Antiga sede da Transbrasil em 2002 e 2021

Confira mais fotos do antigo hangar da TransBrasil:

 

Aeronaves da TransBrasil que estão em Brasília até hoje

Curiosamente, algumas dessas aeronaves possuem um legado interessante para a história da aviação brasileira e infelizmente estão se deteriorando por abandono dos antigos operadores ou por impasses judiciais para o pagamento de credores.

 

PT-TAA: O primeiro Boeing 767 da América Latina

Futuro PT-TAA com a matrícula de testes N8277V em exposição no Le Bourget de 1983 Foto: Mark Carlisle/Airliners.net

Sendo uma das atrações do Show aéreo de Paris Le Bourget em 1983 sob a matrícula N8277V, a TransBrasil se tornou o cliente lançador da América do Sul do Boeing 767–200 quando recebeu esta aeronave em 23 de junho do mesmo ano com a matrícula PT-TAA.

Abandonado no Aeroporto de Brasília desde dezembro de 2001, ano em que a TransBrasil encerrou as suas operações, a aeronave encontra-se sucateada.

PT-TAA com o último esquema de pintura Foto: Gianfranco Beting

Confira mais fotos do PT-TAA em seus tempos de operações

PT-TAB

Parado ao lado do seu irmão PT-TAA, este Boeing 767–200 foi entregue para a TransBrasil em 11 de julho de 1983, permanecendo na companhia aérea até o final da sua vida operacional.

Em algumas aeronaves ainda é possível encontrar antigos bilhetes da companhia

Contudo, como pode observar, algumas peças importantes da aeronave estão ausentes, visto que, logo após ter decretado a falência, a companhia aérea retirou peças que poderiam ser usadas em outras aeronaves para o pagamento dos seus antigos credores.

Atualmente, a este 767-200 encontra-se sem as suas asas e algumas janelas do cockpit, incluindo a ausência do radome e motores.

 

PT-TAC: O avião que deveria se tornar um restaurante

Foto: Marcos Henrique Rocha

Entregue juntamente com o PT-TAB em 11 de julho de 1983, chama a atenção que no apagar das luzes das operações da TransBrasil em dezembro de 2001, a aeronave estava realizando um check no antigo hangar da companhia aérea localizado na capital federal, ficando ali parado por anos. Posteriormente, a aeronave foi adquirida em um leilão e o seu novo proprietário pretendia transformar o corpo do avião em um restaurante.

Localizado atualmente em um terreno comercial próximo ao Parque Saburo Onoyama, em Taguatinga, Distrito Federal desde 2014. Chamou a atenção o fato de como a aeronave foi desmontada, pois o novo proprietário preferiu “fatiar” a aeronave ao invés de fazer o desmonte tradicional, sendo possível ver na fuselagem do avião longarinas soldadas para a fixação da sua fuselagem após o desmonte.

Entretanto, com o passar dos anos, a aeronave foi alvo de vandalismo e até o momento não há nenhum sinal do avanço do projeto de se tornar um restaurante.

 
 
 
 
 
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Um fato curioso: O PT-TAC se tornou o centro das atenções em julho de 2014, quando Técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) foram chamados às pressas para recolher um material radioativo descoberto por um piloto que descobriu alguns equipamentos radioativos dentro de suas asas. Após uma investigação, foi constatado que o Boeing 767–200 continha o material radioativo amerício-241 em peças localizadas nos tanques nas asas do avião. Este material servia para medir a densidade do combustível.

Clique aqui para ver a localização da aeronave.

Veja como está o PT-TAC atualmente:

 

PP-ISA: O lado regional da TransBrasil

Interbrasil/Transbrasil
Foto: Gabriel Benevides/Aeroflap

Além de possuir o primeiro widebody da TransBrasil abandonado, o aeroporto de Brasília também possui a primeira aeronave regional da extinta Interbrasil STAR (Sistema de Transporte Aéreo Regional).

Com a sua entrada em serviço pela companhia aérea em 3 de julho de 1995 até o fim das suas operações em dezembro de 2001, este Embraer EMB120 Brasilia foi estocado no antigo hangar da companhia aérea, onde anos depois, foi removido para a área externa do aeroporto próximo à pista 11R/29L.

PP-ISA abandonado no antigo hangar da TransBrasil em março de 2008 Foto: Aeroprints.com/CC-BY-SA-3.0
Note o interior do cockpit do PP-ISA sem boa parte dos itens aviônicos

Por fim, ao contrário da TransBrasil, a Interbrasil encerrou as suas atividades sem dívidas.

Nota do Autor: 

Gostaria de agradecer pela contribuição de material da página PISTA 11 e ao Gianfranco “Panda” Beting e aos meus amigos por contribuírem com fotos históricas, sem vocês este artigo jamais ganharia vida de uma das companhias mais emblemáticas da história da aviação brasileira. 

Ao leitor, caso queiram acompanhar o trabalho do PISTA 11, lá você vai encontrar fotos históricas que relembram o passado do aeroporto de Brasília e curiosidades sobre a história da aviação, basta clicar aqui para ter acesso ao seu perfil do Instagram.

Já o Gianfranco Beting, mais conhecido como “Panda”, adora compartilhar a sua paixão por aeronaves com a venda de livros e registros de aeronaves no seu perfil do Instagram. Além de ser um dos pioneiros da cultura spotter no Brasil, o Panda também foi um dos co-fundadores da Azul Linhas Aéreas, companhia que tem em seu DNA algumas ideias que surgiram na TransBrasil, como o gosto por ter em sua frota aeronaves com pinturas especiais, por exemplo. 

Se hoje estou escrevendo este artigo, a TransBrasil foi uma das responsáveis por fazer nascer a minha paixão por aeronaves quando criança, pois me lembro do icônico arco-íris quando visitava a casa da minha avó que ficava na final da Pista 11 (Hoje 11 Lima)  do aeroporto internacional de Brasília, fica aqui o meu imenso obrigado!

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