Caças F-35 Lightning II e F-22A Raptor. Foto: USAF.

O famoso avião de reconhecimento U-2 Dragon Lady ganhou mais uma missão em seu envelope, ao servir como nó de ligação para o datalink dos caças F-22 Raptor e F-35 Lightning II. Transportando diversos equipamentos de comunicação, um U-2 serviu de relay de comunicações entre os dois caças. 

O Data Link Avançado Multifunção do F-35 (MADL) é incompatível com o Data Link Intra-Voo usado pelo F-22, o que impede que os caças comuniquem-se entre si. Para contornar o problema, a USAF, a Agência de Defesa contra Mísseis e a Lockheed Martin usaram uma carga de comunicações “Open Systems Gateway” a bordo de um U-2 para transmitir dados entre um F-22 e cinco F-35, disse a Lockheed na última segunda-feira (03). 

A fabricante também afirmou que o gateway permitiu o compartilhamento de dados para unidades em solo, além da transmissão de informações e do acompanhamento dos alvos diretamente para os aviônicos e displays dos caças. 

“O Projeto Hydra marca a primeira vez que comunicações bidirecionais foram estabelecidas entre aeronaves de quinta geração em voo, ao mesmo tempo em que compartilha dados operacionais e de sensores com operadores de solo para capacidade em tempo real”, disse Jeff Babione, vice-presidente da Lockheed Martin Skunk Works, a divisão avançada de pesquisa e desenvolvimento da empresa.

U-2 Dragon Lady. Foto: Sgt. Rose Reynolds/USAF.

“Essa conectividade de próximo nível reduz o cronograma dos dados para a decisão de minutos para segundos, o que é crítico no combate aos adversários de hoje e às ameaças avançadas.”

O gateway aerotransportado também permitiu que o F-35, pela primeira vez, passasse os dados de sensores para um sistema terrestre através de um link de Terminal de Rede Tática de Alvo (Tactical Targeting Network Terminal – TTNT), diz Lockheed.

O TTNT é uma rede em malha ad hoc, uma espécie de rede de comunicação temporária entre aeronaves dentro do alcance que permite que qualquer nó atue como um retransmissor de informações.

Usando o TTNT, os dados dos F-35 foram enviados a um Sistema de Comando de Batalha Integrado do Exército dos EUA, um centro de comando usado para rastrear mísseis e aeronaves. O centro usou os dados para orquestrar um “exercício de fogo do exército” simulado, provavelmente significando um míssil balístico virtual ou ataque de artilharia.

Em dezembro, a USAF demonstrou um F-35A e um F-22 trocando dados pela primeira vez usando um sistema gatewayONE baseado em terra, que é projetado para traduzir entre seus dois sistemas de comunicação diferentes. 

Além disso, como parte dessa demonstração, um gatewayONE a bordo de um drone Kratos XQ-58A Valkyrie deveria facilitar a troca aérea de dados, mas falhou devido a problemas técnicos.

Drone XQ-58A em formação com F-35A e F-22A. Foto: USAF.

A USAF e outras forças militares estão tentando desenvolver maneiras de compartilhar informações entre si e por meio de diferentes equipamentos militares. 

Através da rápida transmissão e compartilhamento de dados entre diferentes plataformas, aumentando a consciência situacional de todas as tropas, o o Departamento de Defesa acredita que pode pensar, manobrar e então dominar seus adversários.

Via Flightglobal