Este mês foi um marco para a SpaceX, isso porque ela lançou o seu foguete mais lucrativo e também o com maior potencial de virar popular no futuro.

As mudanças foram muitas para deixar o Falcon 9 com um novo tipo de potencial. As imagens do pós pouso confirmam, a SpaceX acertou na reformulação do seu foguete.

O primeiro destaque é para a parte da fuselagem e dos componentes externos, algumas partes críticas, que geralmente sofrem na reentrada devido ao calor dos motores ou do ar, receberam um novo material baseado em fibra de carbono, com menor de gradação por atrito e calor. A diferença de degradação pode ser conferida na imagem abaixo.

Olhe com atenção para as X-Wings, que ficam no topo do primeiro estágio. Antes elas eram construídas em uma liga especial de alumínio, atualmente são feitas de titânio. A degradação diminuiu bastante ao colocar um metal mais duro, que resiste melhor ao calor e atrito com o ar.

Na parte dos motores, na foto abaixo, podemos ver como o acabamento com base no carbono reduziu subitamente os danos diretos na fuselagem, e outra, dessa forma a SpaceX não precisa fazer uma nova pintura, seja para melhorar o acabamento ou avaliar fissuras na parte de metal da estrutura.

Foto – Teslarati

A parte externa das novas pernas de pouso realmente ficaram bem danificadas, mas ali é só uma carenagem, a estrutura principal é retrátil, e produzida em fibra de carbono para também suportar melhor às condições de pouso.

Aliás, aqui é outro ponto que vale ressaltar, as novas pernas de pouso permitem novas missões em até 24 horas depois do primeiro lançamento, devido ao novo arranjo que possibilita a volta da estrutura ao seu formato original, na lateral da fuselagem.

 

Motores

Foto – SpaceX

Para acabar com as dificuldades de realizar missões para lançar algum satélite geoestacionário, e também fazer o pouso nessas missões, a SpaceX conseguiu extrair 8% de potência a mais dos motores Merlin 1D+. Se o Block 4 já era considerado o “Full Thrust”, a versão Block 5 trouxe mais surpresas para nós.

Com a potência extra e o menor peso da fuselagem, o Block 5 consegue tranquilamente levar uma carga de 8000 kg, ou duas de 4000 kg para a órbita geoestacionária, e ainda assim realizar o pouso.

 

Custo da Recuperação

Recuperar o primeiro estágio é algo que a SpaceX sabe fazer com muita certeza, em toda a história de poucos três anos eles já realizaram 25 pousos bem sucedidos do chamado “Core”.

Essa parte citada corresponde à 60% do custo total de um foguete Falcon 9, os outros 40% são divididos em: 10% para a coifa, uma carenagem que protege a carga; e 20% para o segundo estágio.

A recuperação da coifa é algo que já está sendo testado pela empresa do Elon Musk. O sistema usa um barco equipado com uma grande rede para o pouso com ajuda de paraquedas, para diminuir a velocidade da coifa durante sua reentrada. A imagem acima exemplifica bastante esse procedimento.

E ainda tem mais, os engenheiros estão pensando em acoplar um parapente para conseguir guiar a coifa durante a reentrada.

A empresa está buscando formas de recuperar o segundo estágio, visto que agora é possível analisar a telemetria geral de reentrada do mesmo.

O lançamento de um Falcon 9 novo sai por US$ 62 milhões, isso para o cliente, a SpaceX tira sua margem de lucro nessa história. O lançamento de um foguete do mesmo modelo usado atualmente sai por US$ 50 milhões.

O ponto chave é que a SpaceX deve diminuir subitamente o preço de lançamento de uma unidade usada nos próximos anos, assim que fizer as unidades novas para ter rotatividade na frota. Vale ressaltar que esse preço de US$ 50 milhões já está 150% abaixo do aplicado pelas concorrentes.

O Falcon 9 corresponde a um nicho muito amplo do mercado, ele é capaz de lançar vários pequenos satélites ao mesmo tempo, como o Iridium Next, ou lançar até dois satélites geoestacionários, dependendo da demanda. Com isso a empresa atende praticamente 70% do mercado de lançamentos espaciais no mundo, o Falcon Heavy acaba sendo pouco utilizado, e participa mais como um foguete modelo ou lançador de grandes cargas para exploração espacial, em uma época que os materiais estruturais estão otimizados quase ao máximo.

 

No resumo, as mudanças foram:

  • As pernas de pouso agora são retráteis, com possibilidade de voltarem a sua posição normal quando o primeiro estágio for resgatado em solo.
  • Partes do foguete tem acabamento em fibra de carbono e aço titânio, como forma de diminuir o número de peças com necessidade de recuperação após o pouso. Antes o fogo produzido por até três motores era capaz de chamuscar o aço envolta, necessitando de acabamento antes de um novo voo.
  • O Payload do foguete agora é maior, devido às atualizações no motor Merlin 1D+ (max thrust).
  • Possibilidade de reutilização do core central 24 horas depois do voo. O mesmo resiste a mais de 10 voos seguidos sem grandes alterações.
  • O Falcon 9 Block 5 é compatível com os PADs 39A e 40A do Kennedy Space Center, aumentando a versatilidade de uso para a SpaceX, que pode realizar dois lançamentos com espaço de horas entre eles.

 

Agradecemos a colaboração do Felipe Caixeta nesta postagem.