Em um treinamento realizado de forma inédita nos Estados Unidos, quatro jatos de ataque ao solo A-10C Thunderbolt II e seis turboélices de operações especiais C-146A Wolfhound pousaram e decolaram a partir de uma rodovia no estado americano do Michigan, na tarde de quinta-feira (05). Durante cinco horas a estrada M-32, na cidade de Alpena, ficou fechada para a operação das aeronaves. 

Chamada de Thunder Landing Zone, a operação faz parte do exercício Northern Strike 21-2. Foram usados dois jatos A-10C da 127ª Ala da Guarda Aérea Nacional do Michigan, outros dois A-10 da 355ª Ala da Base Aérea de Davis-Monthan, no Arizona, e mais seis Dorniers C-146A do Comando de Operações Especiais da USAF (AFSOC), com sede em Duke Field, Flórida. 

O Thunder LZ marca a primeira vez que um treinamento do tipo é realizado em uma rodovia dos Estados Unidos. No Brasil, o exercício é comumente chamado de “Rodopista” em referência as antigas operações realizadas pela Força Aérea Brasileira com aeronaves AT-26, AT-27 e C-95. O treinamento foi elaborado de acordo com o conceito de emprego ágil de combate (Agile Combat Employment – ACE) e usou um trecho de quatro pistas da rodovia estadual, a cerca de três milhas a oeste do Alpena Combat Readiness Training Center (CTRC), dando às unidades participantes a chance de praticar posturas de forças em um cenário de combate.

“O Thunder LZ deu aos pilotos a oportunidade de pousar em um ambiente austero ao qual não estão acostumados. Mas também é a primeira vez no país, pois é a primeira vez que aeronaves de combate modernas pousam em solo americano, em uma rodovia”, disse o Tenente-Coronel Brian Wyrzykowski, comandante da missão e instrutor de KC-135 Stratotanker na 127ª Ala. 

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“Nossos adversários têm tecnologias e sistemas de armas avançados e que podem usar contra nós, então precisamos ser capazes de operar com eficiência em situações austeras e ganhar proficiência nessas operações”, disse Wyrzykowski. O Thunder LZ permitiu aos participantes praticar o conceito de armamento e reabastecimento avançado da Doutrina ACE. Como grandes bases e centros militares são alvos primários em guerras declaradas, os EUA estão buscando cada vez mais capacitar seus militares para operar a partir de locais despreparados, com pouco pessoal e baixa infraestrutura de apoio. 

Empresas de serviços públicos locais, agências municipais de gerenciamento de emergência, o Departamento de Transporte de Michigan e até mesmo moradores e membros da comunidade local desempenharam um papel fundamental no evento de treinamento.

“Na verdade, nos encontramos diretamente com esses proprietários e o nível de apoio que recebemos dessas interações diretas foi, em minha opinião, sem precedentes”, disse o Coronel Jim Rossi, comandante do Alpena CRTC. “Eles são um grupo tão patriótico de americanos que estão aqui, dispostos a apoiar e estão tão animados quanto nós para que isso aconteça”.

Durante a Guerra Fria era comum que as forças da OTAN realizassem esse tipo de treinamento em estradas na Europa, como as famosas Autobahns da Alemanha. A Suécia é reconhecida mundialmente por treinar rotineiramente, há décadas, a dispersão de forças. O Saab Gripen, por exemplo, pode pousar em uma estrada e ser completamente rearmado e reabastecido por uma pequena equipe de conscritos e especialistas em apenas 10 minutos. Já o seu antecessor, o Viggen, possuía reverso, dispositivo que permitia o pouso curto e até mesmo o “táxi de ré”. Outro jato de combate que também emprega o reverso é o multinacional Panavia Tornado, ainda em serviço na Alemanha, Itália e Arábia Saudita. 

Um A-10A decolando da Autobahn A29 perto da cidade de Ahlhorn durante o Exercício Highway-84, em março de 1984. Foto: Sgt Glenda Pallum.

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