Nesta semana a Rússia apresentou seu novo míssil balístico intercontinental (ICBM) chamado de “Satã-2”, mas que tecnicamente é conhecido como Sarmat. O equipamento tem capacidade de carregar vários tipos de ogivas nucleares, boa parte com boa potência de destruição.

A apresentação foi conduzida formalmente pelo presidente russo Vladimir Putin, durante seu discurso na Assembleia Federal (parlamento bicameral da Rússia), no dia 1º de março.

O presidente da Rússia deu muitos motivos sobre a implementação de um míssil com velocidade hipersônica, atualmente o mais rápido do mundo. Entre eles está atritos recentes com os EUA, que supostamente violaram os acordos, chamados de ‘DAM’, ao incorporar sistemas anti-míssil na Europa.

“Espero que tudo o que foi dito hoje faça cada adversário potencial ver claro. A tentativa de conter a Rússia não correu bem. Porém, o país não ameaça ninguém e não pretende atacar ninguém”, disse Putin. “A Rússia responderá a um ataque nuclear”, completou o presidente.

“Quero dizer a todos aqueles que alimentaram a corrida armamentícia nos últimos 15 anos, procuraram tirar vantagens unilaterais sobre a Rússia e introduziram sanções ilegais destinadas a conter o desenvolvimento do nosso país: tudo o que você queria impedir com suas políticas já aconteceu”, disse Putin em seu discurso. “Você não conseguiu conter a Rússia”.

Presidente Russo, Vladimir Putin., Foto – AP

O discurso de Putin é claramente inflado devido aos anos de recessão da Rússia no passado, que supostamente enfraqueceram as suas forças de defesa. Mas depois de recuperar o folego econômico, após a transição para o capitalismo, as forças armadas russas incorporaram novamente vários outros caças na Força Aérea, voltaram a produzir bombardeiros e deram maior atenção aos mísseis balísticos, principalmente devido ao avanço nos sistemas de proteção de outros países, como os EUA.

O novo míssil “Satã-2” tem capacidade de atingir a velocidade de Mach 10, isso resulta em aproximadamente 12.348 km/h, é um sistema que dá a capacidade do Governo Russo de atacar qualquer lugar do leste dos EUA em cerca de 30 a 40 minutos.

“Considero isso uma resposta ao sistema de defesa antimíssil que os EUA implantaram na Europa. Os antimísseis norte-americanos, inclusive o Aegis, voam a uma velocidade 5 vezes maior que a do som. Para alcançar um míssil que voa com a velocidade de pelo menos Mach 10 é necessário possuir um antimíssil com velocidade de Mach 15, mas os EUA não têm essa arma, neste caso eles se tornam simplesmente inúteis”, disse Aleksei Leonkov.

Essa velocidade também torna ineficiente qualquer sistema que tente se defender desse míssil, como o THAAD, o Patriot e também o Aegis. Como citado anteriormente, é uma forma de reagir às novas armas de defesa com força bruta, apenas usando um motor mais potente e sistemas de alta precisão.

No mesmo discurso, Putin também citou outro novo míssil, o Avangard, com a mesma “autonomia ilimitada” do Satã-2, e com o dobro de velocidade. O vídeo acima ilustra um pouco como esse sistema funciona na prática.

 

Outro míssil hipersônico, mas para aviões

Putin também disse que os testes do sistema hipersônico de mísseis Kinzhal foram completados com sucesso. Esse sistema é composto por todo um aparato, no final é um míssil que equipa uma aeronave de ataque, com grande poder de destruição.

As caraterísticas técnicas inéditas permitem transportar o míssil ao ponto de lançamento em poucos minutos. Destaque mesmo fica para a velocidade do míssil, dez vezes maior que a velocidade do som, além da sua capacidade de manobrar em toda trajetória do voo.

O novo sistema está alinhado com a nova geração de ataques aéreos, ele é capaz de atingir um alvo à 2000 km de distância, algo que só pode ser “enxergado” através de radares.

Assim como o Satã-2, sua velocidade pode imobilizar os sistemas de defesa da atualidade.