Entre os planejamentos da fabricante de aviões norte-americana, está uma nova fábrica na Grã-Bretanha para construir peças das aeronaves 737 MAX, 777 e 787. O investimento total da Boeing pode ser na ordem de 20 milhões de Libras para construir apenas flaps e peças de componentes aerodinâmicos, como slats e speed brakes.

“Estamos aumentando a produção de nossos aviões e queremos ter mais controle sobre os principais sistemas em nossos aviões. Precisamos da qualidade certa e queremos uma produção própria da Boeing”, disse Michael Arthur, presidente da Boeing no Reino Unido.



Essa é no mínimo uma decisão bastante emblemática da Boeing, já que se propôs a produzir peças em fábrica própria na Europa. Atualmente a Boeing utiliza o serviço de outras empresas que auxiliam na montagem de suas aeronaves produzindo diversos componentes estruturais e elétricos para alimentar a montagem final de suas aeronaves comerciais que é realizada nos Estados Unidos.

Países e continentes responsáveis pela produção de componentes do Boeing 787 em 2008. Imagem – Boeing

A permissão concedida permite que a Boeing instale um centro com aproximadamente 2400 m² no norte de Sheffield, próximo da Universidade de Sheffield. O financiamento para o desenvolvimento dessa unidade está vindo do governo local. No momento a Boeing emprega cerca de 2300 funcionários no Reino Unido, trabalhando em áreas civis e militares.

A Boeing planeja empregar inicialmente uma equipe de 30 pessoas, que poderá se expandir ao longo dos anos. As primeiras peças serão produzidas já no final de 2018. A Boeing também planeja firmar o Reino Unido como um centro de treinamento e manutenção de aeronaves militares na Europa.

Atualmente a Boeing tem dois contratos grandes com o Reino Unido, um para fornecer aeronaves P-8 Poseidon para a RAF e a modernização da frota de helicópteros Apache. Todo esse contrato pode chegar a custar 5 bilhões de Libras. 

Perspectiva da unidade de fabricação da Boeing no Reino Unido.

Enquanto isso a Airbus ameaçou se retirar do Reino Unido devido ao Brexit, em janeiro Tom Williams, chefe de operações na Airbus, disse : “Se eu tiver um problema na linha de montagem final na Alemanha ou na França, posso chamar funcionários da fábrica de Broughton e enviar 20 mecânicos para Toulouse amanhã de manhã, com caixas de ferramentas para resolver o problema”, disse ele. “Eu não tenho que esperar 90 dias para obter um visto.”

A Boeing não parece incomodada com os fatores do Brexit para as operações da empresa no Reino Unido, ao contrário, ela busca ainda mais parcerias no ramo militar e agora também está investindo no ramo de aeronaves comerciais com produção no Reino Unido. A Boeing diz não se incomodar com a cotação da Libra Esterlina e nem os altos salários pagos para funcionários no Reino Unido.

 

Com informações de Telegraph UK.