Uma semana após a Lockheed Martin dizer que tem capacidade para produzir aeronaves que voam a Mach 6, apresentando uma prévia do SR-72, o CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, afirmou em uma entrevista para a rede americana CNBC sobre a possibilidade de desenvolver um avião comercial que voa a Mach 6 já na próxima década.

“Eu acho que na próxima década ou em até duas você vai ver isso se tornar realidade”, disse o presidente e CEO da Boeing, Dennis Muilenburg. Para ele o primeiro passo será desenvolver um jato para o mercado executivo, para o transporte de poucas pessoas a bordo.



Isso é essencial para ele, atender os executivos com agilidade é uma tecnologia que precisa estar à disposição em breve. Dennis citou o voo de Nova York para Xangai como exemplo, em uma aeronave comercial isso dura 15 horas, porém com um avião hipersônico esse valor cai bruscamente para 2 horas, uma economia de tempo bem significativa.

“É difícil para mim ver, pelo menos nos próximos 15-20 anos, que será tão competitivo em termos de custos que vai obrigar as companhias aéreas a cuidar dessa parte”, disse John Plueger, presidente e CEO da AirLease Corp, uma empresa de aluguel de aeronaves. Mas o maior número de voos dos jatos hipersônicos pode até mesmo compensar o valor extra gasto na propulsão do mesmo, que não é nada simples.

Antigo avião supersônico desenvolvido pela Boeing. Foto – Boeing

Como o Plueger ressalta, as companhias aéreas estão buscando quase exclusivamente a eficiência e obter lucro com seus aviões, e a indústria tem uma longa memória do Concorde, mas poderá amenizar os custos com novas tecnologias desenvolvidas no século 21.

Para a Lockheed o essencial atualmente é desenvolver as tecnologias de propulsão, a empresa americana está desenvolvendo em conjunto com a Rocketdyne um sistema reator do tipo “off-the-shelf”, com um scramjet para alimentar uma aeronave com um sistema de propulsão de ciclo combinado. Uma propulsão mais eficiente é capaz de diminuir drasticamente o gasto de combustível.

Atualmente a NASA faz estudos de aerodinâmica em aeronaves supersônicas, principalmente para diminuir o ruído do ar, arrasto e o famoso boom supersônico, permitindo voos em alta velocidade sobre os continentes.

 

BOOM – O início

Enquanto isso a Boom Technology desenvolve a confiança de outras empresas durante os eventos internacionais, como o Internacional Paris Air Show. Para desenvolver as tecnologias do novo supersônico a empresa irá criar um protótipo, chamado de BabyBOOM.

O Baby BOOM, tem capacidade para 2 tripulantes, tem uma curta envergadura de 5 metros, formada por uma asa em forma de delta, seu comprimento é de 20 metros e tem as mesmas capacidades da aeronave maior, isso inclui também a velocidade.

Na entrevista Muilenburg admitiu que a empresa ainda precisa provar que há pessoas suficientes que estão dispostas a pagar por um voo ultra-rápido para a outra metade do mundo.

O XB-1 tem previsão para ter seu primeiro voo em 2017, ele fará testes na velocidade subsônica em Denver, no Colorado. Por conta das características do voo supersônico, e isso inclui o tradicional estrondo quando a aeronave supera o MACH 1, os outros voos serão realizados na Base da Força Aérea de Edwards, que fica no sul da Califórnia.

O BOOM – original – poderá transportar até 45 passageiros, o tem velocidade máxima de Mach 2.2 (2335 km/h), 0.2 a mais que o Concorde e 1.4 a mais do que uma aeronave convencional de última geração, como o Boeing 787. Ele mantém a mesma envergadura reduzida, com apenas 18 metros, e tem comprimento de 52 metros. A previsão para o primeiro voo da aeronave original é para 2023, após a conclusão do desenvolvimento de tecnologia no XB-1.