Novamente a Boeing protagonizou um caso de conflito com os interesses da Bombardier, mas agora a fabricante americana disse que o preço aplicado na família CSeries atrapalha as vendas do 737 MAX 7, de acordo com o vice-presidente da Boeing, Ray Conner.

Recentemente a Boeing também abriu um processo na OMC (Organização Mundial do Comércio), através do Governo Americano, para averiguar os preços praticados pela Bombardier para a família CSeries, de acordo com a Boeing, a fabricante canadense vendeu o CS100 para a Delta por um preço abaixo do custo de produção da aeronave, para a Boeing isso é uma prática desleal, visto que a grande encomenda foi realizada com prejuízo financeiro para a Bombardier, somente para tomar mercado da concorrência.



“O mercado de 100-150 assentos é de grande importância para a Boeing, e a Bombardier está muito perto de nos forçar totalmente a isso”, disse Conner durante uma audiência realizada pela Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos no dia 18 de maio. “Só levará uma ou duas vendas perdidas envolvendo clientes dos EUA antes da viabilidade comercial do 737 MAX 7 decair, e portanto o futuro da indústria dos EUA, torna-se muito duvidoso”, acrescentou Conner, de acordo com uma transcrição da audiência obtida pelo portal FlightGlobal.

Foto – Boeing Media

“A forma como eles estão precificando é totalmente sem sentido”, disse Robert Novick, advogado da Boeing, à Comissão de Comércio. “Se a Boeing não puder garantir pedidos para o 737 MAX 7, ou se for forçada a vender a preços que gerem prejuízo, o programa não terá sucesso e a Boeing será eliminada do mercado de 100 a 150 lugares”.

No processo a Boeing alega que a Bombardier vendeu 75 aviões CS100 para a Delta Airlines em 2016 por menos de US$ 20 milhões, sendo que esses aviões custam US$ 33 milhões somente para produzir. Essa precificação da Bombardier também fez com que a Boeing realizasse uma venda com desconto forçado para a United, com intuito de não perder mercado.

As investigações da Comissão de Comércio e do Departamento de Comércio dos EUA estão agendadas para encerrar em novembro e podem resultar em restrições nas importações, disse o Departamento de Comércio dos EUA. Representantes da Bombardier e da Delta rejeitaram as alegações da Boeing, insistindo que o CSeries não compete com aeronaves maiores, como o A319neo e o 737 MAX 7.

CS100. Foto – Bombardier

“A Boeing nem mesmo produz um produto que concorra com a aeronave oferecida pela Bombardier”, disse Peter Lichtenbaum, advogado da Bombardier.

“A Boeing não poderia nos oferecer um novo avião de 100 a 110 assentos ” disse o vice-presidente sênior de gerenciamento de cadeia de fornecimento e frota da Delta, Gregory May, durante a audiência. “Seria errado sugerir que a Boeing perdeu vendas para a Delta porque compramos a CS100. A Boeing simplesmente não estava entre as escolhas”.

De fato, a Conner confirmou que, devido às exigências de preços da Delta, a Boeing inicialmente havia discutido a venda de 717s usados ​​para a Delta, ou aeronaves E190 da Embraer.

O Brasil também entrou com um pedido na OMC para averiguar os preços praticados pela Bombardier. O pedido brasileiro destaca uma vasta gama e quantidade massiva de subsídios, somando mais de US$ 4 bilhões, oferecidos pelos governos nacional, provincial e locais do Canadá à Bombardier, concorrente da Embraer no setor de jatos comerciais. Somente em 2016, foram aportados recursos públicos da ordem de US$ 2,5 bilhões à fabricante canadense.

 

Via – FlightGlobal