Há algo muito bonito no espaço, além do próprio voo espacial em si. E hoje é justamente disso que vamos falar, o ballet russo fora da Terra, ou também conhecido como Korolev Cross, devido ao criador do movimento de separação dos boosters que equipam os foguetes R-7, e que está em uso até hoje pela Rússia.

Sergei Korolev foi um gênio da Engenharia Espacial, juntamente com Von Braun, ele praticamente criou muitos dos conceitos que utilizamos atualmente e conseguiu aproveitar toda a tecnologia tomada pela URSS da Alemanha Nazista, e que a Aeroflap já abordou em um artigo anterior

O Korolev Cross é um desses, ganhou o nome por causa do formato de Cruz que os Boosters (First Stage) formam após se separar da parte central do foguete. Isso foi bastante impressionante, ainda mais na época que os foguetes ainda estavam avançando em suas funções.

A família de foguetes R-7 apresenta um layout do tipo “packet”, com um núcleo rodeado por quatro Boosters, também chamado de Primeiro Estágio, que são motores de curta ação e grande empuxo. Após concluírem o período de queima os quatro Boosters caem na Terra ao mesmo tempo.

O foguete R-7 foi criado no início da década de 50, a URSS desejava criar um míssil balístico intercontinental, primeiro que os Estados Unidos que já demonstrava atraso nessa área. O R-7 seria capaz de voar por até 10 mil quilômetros acima da estratosfera com até 10 toneladas de carga, longe de qualquer ameaça para derrubar o foguete, na sua concepção estava presente motores que usam propelente líquido.

Apesar de todo o planejamento da URSS, o R-7 teve um destino de uso civil como ICBM R-7 ao lançar o primeiro satélite artificial Sputnik em 4 de outubro de 1957, e continuar o seu serviço ao lançar o Sputnik 2 em 03 de novembro de 1957. Atualmente muitas variantes do R-7 ainda operam com o mesmo conceito Korolev Cross, a maioria transportadores da Soyuz, inclusive a variante Soyuz-U.

Mesmo não tendo sucesso no uso militar, devido aos custos operacionais e a necessidade de uma base fixa de lançamento, o foguete R-7 e seus derivados estão operando até hoje com sucesso. 

 

 

 

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