A Ryanair demonstrou recentemente interesse no novo jato chinês, o Comac C919, logo após a cerimônia de primeiro voo do avião, que ocorreu no dia 5 de maio. A companhia aérea irlandesa já assinou um memorando de entendimento para ajudar no desenvolvimento da aeronave, isso há seis anos, recentemente o executivo-chefe da companhia assumiu que continua com o empenho para desenvolver essa e outras versões do C919.

O principal interesse da Ryanair seria uma versão para 200 passageiros, semelhante ao Boeing 737 MAX 200, uma versão da Boeing baseada no 737 MAX 8 porém com capacidade para 200 passageiros. O próprio executivo-chefe da Ryanair, Michael O’Leary, disse anteriormente que recebeu uma alternativa em relação as aeronaves da Boeing e da Airbus, acrescentando que estava “seriamente interessado no desenvolvimento de uma variante de 200 assentos”.



Apesar disso a Comac ainda precisará trabalhar arduamente para expandir a fuselagem do C919 e assim abrigar 200 passageiro, a capacidade máxima da versão atual do C919 é para 165 passageiros. Só para desenvolver o C919 a Comac precisará de cumprir 4200 horas de testes em voo, a fabricante chinesa fará cerca de 2 aeronaves por ano até 2019, todas para alimentar o programa de testes que deverá demorar mais 3 anos. A produção em série será iniciada somente em 2020, por enquanto a Comac busca incrementar a sua capacidade de produção para evitar erros e atrasos no futuro. O primeiro voo comercial da aeronave deverá ser em 2020 com a China Eastern Airlines.

De acordo com a Comac, mais de 200 empresas chinesas e 36 universidades estiveram envolvidas na pesquisa e desenvolvimento do avião. Outras empresas estrangeiras como a Honeywell e a CFM também desenvolveram itens de extrema importância para um avião, a Honeywell ficou responsável pela parte de aviônicos, enquanto a CFM desenvolveu uma versão exclusiva do motor LEAP pra uso no C919, o LEAP-1C (como podemos perceber o motor CFM ganhou as “bochechas” presentes no Boeing 737 MAX).

 

Interesses da Ryanair

Entre os interesses da Ryanair no C919 está o baixo preço de aquisição da aeronave, esse avião é bem mais barato do que as tradicionais aeronaves da Boeing e da Airbus. O preço do C919 é equivalente ao preço de um Embraer E195 E2, sendo que aeronaves como o 737 MAX 200 custam mais de 110 milhões de dólares, enquanto a Comac relatou que o preço médio do C919 é de US$ 68,4 milhões.

Esse preço muito abaixo multiplicado pela grande frota da Ryanair faz uma grande diferença no financeiro da companhia aérea, ainda mais a Ryanair que opera com passagens ultra baratas.

O C919 também fornece muitos avanços tecnológicos, comparáveis até mesmo ao A320neo e ao 737 MAX. A aeronave chinesa incorpora um motor de última geração, o Leap-1C, utilizando também no 737 MAX e no A320neo, o projeto moderno de estrutura alivia o peso geral da aeronave e diminui o consumo de combustível, os modernos aviônicos da Honeywell permite ter um Fly-By-Wire preciso e confiável.

 

Interesses da Comac

Foto – COMAC/Reprodução

O primeiro interesse da Comac é certificar a operação da aeronave na Europa, abrindo novos mercados para o C919. O segundo interesse seria o volume de encomendas, a Ryanair tem atualmente mais de 360 aeronaves 737 NG e tem encomendas para mais 100 aeronaves 737 MAX 200.

A companhia espera substituir suas aeronaves 737 NG nos próximos voos, para conseguir diminuir o custo do passageiro por km voado, e assim conseguir aplicar preços ainda mais baixos em seus voos.

Até o momento a Comac já recebeu 570 encomendas para o C919, a maioria de companhias aéreas da China, em incentivo do governo à indústria nacional.

 

Via – Telegraph UK