O último lançamento da SpaceX trouxe uma esperança para a empresa, um foguete capaz de colocar módulos inteiros de uma estação espacial lá no alto, ou ajudar na colonização para Marte.

Logicamente o Falcon Heavy também servirá para a SpaceX ganhar muito dinheiro, e assim continuar o ciclo de Elon Musk, que é ganhar dinheiro para investir em tecnologias do futuro.



Isso também será realizado no próximo lançamento da empresa, que acontecerá no próximo sábado (17/02) com o foguete Falcon 9, dois satélites serão lançados, e eles são a fase experimental da empresa para oferecer um serviço de conexão global de internet.

Os satélites Microsat-2A e Microsat-2B são totalmente experimentais, com duração máxima de 20 meses. Eles funcionam em órbita baixa (1100km ~ 1300km) e vão transmitir dados através da Banda Ku, comum para esse tipo de função.

Esse serviço já existe atualmente, através de satélites geoestacionários, a maioria de grande porte. A órbita desse satélite fica aproximadamente à 36 mil km. Por isso a internet via satélite atual é lenta, cara e pouco acessível, apesar da ampla cobertura.

A diferença é, quanto menor a altitude, menor o tempo para o sinal chegar no satélite e voltar até a Terra, onde está o servidor principal.

Mas o Microsat funciona em órbita baixa, e promete transferir até 1 Gb/s por satélite e com latência de 25 ms, algo bem similar às redes de fibra ótica que as operadoras oferecem na Terra.

Quando o projeto for finalizado pela SpaceX, em um prazo ainda não totalmente correto, a constelação terá 4425 satélites, e capacidade de interconexão entre eles. A expectativa é lançar o primeiro satélite operacional em 2019.

O custo total é baixo, apenas 10 bilhões, incluindo os lançamentos. A empresa responsável por gerenciar o serviço de conexão será a Starlink, também fundada pelo Elon Musk.

 

Órbita baixa vs Geoestacionária

A vantagem da órbita geoestacionária é exatamente a posição do satélite, em um local que aquele satélite fica sempre fornecendo conexão em uma grande área, ele fica sempre parado no mesmo ponto. É excelente para TVs a Cabo, comunicação nos oceanos e também internet durante o voo.

A mudança da SpaceX com o Microsat atenua dois problemas desse tipo de conexão e cria outros, que são resolvidos com dinheiro.

O primeiro problema é a latência, como citamos acima, a distância de 36000 km degrada o sinal, além de aumentar a latência em si, então o satélite precisa fazer uma correção de pacotes e fazer o reenvio desse sinal. A latência média em GEO é de cerca de 600 ms.

O segundo problema é a complexidade e limitação de cada satélite. Por abranger uma grande área o satélite precisa ser muito potente, mas mesmo nessa ocasião ele não supera a conexão de 80 microsats juntos. Além disso há uma limitação no número de satélites em órbita geoestacionária, do mesmo modo que a SpaceX ainda não sabe totalmente como será a interação entre mais de 4400 satélites em uma órbita com “raio” bem menor.

O problema criado está relacionado ao uso de muitos satélites para obter uma cobertura homogênea, que com um geoestacionário avançado seria obtida com no máximo 10 satélites, usando antenas de Banda Ku direcionadas para determinados espaços de maior demanda.

A distância influencia muito. Imagine que você tem uma Fiorino, e precisa levar uma carga X a uma distância de 20 km, a via é limitada a 60 km/h, você levará 20 minutos. Imagine agora a mesma situação, mas você precisa levar a carga em uma cidade perto, a 60 km, com uma distância maior você precisará de 60 minutos para deixar essa carga, e mais 60 minutos para buscar outra carga. Na internet o efeito é exatamente o mesmo, limitado pela velocidade máxima das ondas eletromagnéticas, ou no caso dos cabos de fibra ótica, pela luz.