Dia desses por aqui postando uma notícia sobre a compra que a Flexjet fez para vários Aerion AS2, até que uma coisa me deixou curioso, não foi nada relacionado à aquele valor astronômico de compra, ou a aposta de tal empresa nessa aeronave, mas sim a asa, acho que na cabeça de ninguém uma asa daquela faz sentido para uma aeronave que tem como fim voar em cruzeiro supersônico.

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Pesquisando um pouco sobre e perguntando aos livros, professores, amigos e até o cachorro o segredo da engenharia por detrás desse formato começa a ser desvendado. Acho que através da série de postagens nossas, Tipos de asa e sua aerodinâmica, muitos já saibam o que é força de arrasto, é aquela que também aumenta proporcionalmente a velocidade, ou seja, ela é o resultado da força necessária para a aeronave “cortar” o ar, e também é por estes motivos que as aeronaves que voam acima de mach 0.8 concentrem seus voos em uma altitude mais alta (ar rarefeito).

Diferença na eficiência passa pelo arrasto.
Diferença na eficiência passa pelo arrasto.

No projeto do Aerion não fugiram muito disso, a questão é em velocidades supersônicas temos o agravante de que a pressão exercida pelo fluido que é o ar pode se concentrar em 2 pontos, em cima da asa ou a frente dela, nessa parte também acontece uma alteração de projeto para que a aeronave diminua o arrasto da asa quando nesse tipo de voo, eles simplesmente reprojetaram um bordo de ataque e fizeram diversas simulações para saber qual o modelo que gerava menos arrasto para uma velocidade aproximada de mach 1.4 ou 1.5.

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Veja que a pressão de uma asa em Delta se concentra ao longo do bordo de ataque.

Todos sabemos que a pressão do ar que corta a asa se concentra no bordo de ataque, geralmente esse corte abrupto deixa rastro de turbulência do ar. O projeto de um Supersonic Natural Laminar Flow é diminuir o bordo de ataque de uma asa supersônica e logicamente diminuir o arrasto e distribuir melhor a pressão do ar refazendo a parte frontal, em uma asa em delta a pressão do ar se concentra toda perto do bordo de ataque, no tipo de asa que o AS2 adota temos uma distribuição por boa parte da superfície da asa, isso logicamente deixa somente uma pequena parte para gerar arrasto na asa, diferente da tipo delta que tem boa parte da área para gerar arrasto.

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Diferentemente, esse tipo de asa faz uma distribuição por toda a sua superfície.

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Isso que permite em partes que o Aerion AS2 reduza em até 70% o arrasto da asa em comparação a uma do tipo delta. O projeto da Supersonic Natural Laminar Flow foi realizado por diversas universidades americanas, e tecnicamente pela NASA e a Aerion, juntamente para isso foi utilizado túneis de vento e um caça F-15 para entender o comportamento dela durante o voo.

A intenção dessa matéria é explicar de forma clara e não complicada o funcionamento e eficiência desse tipo de asa, não é visado em nenhum momento se aprofundar em características técnicas para tal.

Fato 1 – Aerion procura agora um local perto do mar para realizar a montagem final de seu AS2.

 

Fonte  – Imagens

Fonte – Aerion

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Pedro Viana

Acadêmico de Engenharia Aerospacial – Editor de foto e vídeo – Fotógrafo – Aeroflap