A-10 GBU-39 SDB USAF
Integração da bomba inteligente faz parte da modernização do A-10. Foto: Tech. Sgt. John Raven/USAF.

Um jato de ataque ao solo A-10C Thunderbolt II foi carregado com 16 bombas GBU-39 Small-Diameter Bomb (SDB) durante um voo de testes na Base Aérea de Eglin, em fevereiro deste ano. As imagens, todavia, só foram divulgadas na última sexta-feira (25).

A integração das bombas de precisão faz parte do mais recente programa de modernização da aeronave, chamado de A-10 Common Fleet Initiative. O trabalho deverá permitir que o A-10 seja capaz de voar até o final da década 2030 e permaneça relevante contra ameaças modernas desta linha de tempo. 

Foto: Tech. Sgt. John Raven/USAF

Segundo o portal The Aviationist, o A-10 era capaz de transportar uma única bomba guiada em cada um dos 11 cabides existentes no jato. Com a nova integração, o A-10 poderá carregar 16 bombas divididas em quatro cabides, tornando-se um verdadeiro “Caminhão de Bombas”. 

O programa de integração da SDB ao A-10 ocorre desde 2020, com os testes de desenvolvimento conduzidos pelo 1º Destacamento do 40º Esquadrão de Testes. 

Fabricada pela Boeing Defense, a GBU-39 é uma bomba leve de 285 libras (130 kg), com uma ogiva de fragmentação para alvos estacionários e guiada por GPS e/ou Sistema de Navegação Inercial (INS). Quatro bombas são carregadas no rack BRU-61/A, que fornece a interface completa de comunicação entre a SDB e a aeronave.

Com um par de asas dobráveis que se estendem após o lançamento, a GBU-39 é capaz de planar e atingir alvos a 80,4 Km com precisão. Dessa forma, um alvo pode ser engajado a longas distâncias, permitindo que a aeronave lançadora permaneça fora do alcance de baterias antiaéreas e outras ameaças. 

O armamento foi inicialmente integrado ao caça-bombardeiro F-15E Strike Eagle, sendo mais tarde implantado nos caças F-16, F-22, JAS-39 Gripen e na aeronave de suporte aéreo AC-130W Stinger II. Futuramente, a bomba também deverá fazer parte do arsenal do caça furtivo F-35 e dos bombardeiros B-1, B-2, B-21 e B-52.

Gripen meteor
Gripen E com mísseis Meteor e IRIS-T e bombas GBU-39 SDB. Foto: Saab/Divulgação.

Além da integração com a GBU-39, o A-10 Common Fleet Initiative prevê a incorporação de melhorias ao capacete com display integrado (HMD) Thales/Visionix Scorpion.

O equipamento é usado pelos pilotos desde 2012 e traz um aumento significativo na consciência situacional e agilidade para engajamento de alvos. O HMD está recebendo o sensor HObIT (Hybrid Optical-based Inertial Tracker), que rastreia os movimentos da cabeça do piloto com mais precisão.

Piloto de A-10 usando o capacete Thales Scorpion. Foto: Jamie Hunter via The War Zone.

A modernização também vai substituir os últimos mostradores analógicos (velocímetro, altímetro, ADI, HSI, indicadores de giro e velocidade vertical) por um sistema digital similar ao usado nos caças F-16 da Guarda Aérea Nacional.

O A-10 também receberá o datalink Link 16 para complementar o Situational Awareness Data Link (SADL), introduzido com a atualização do Precision Engagement que mudou a designação da aeronave de A-10A para A-10C. 

Foto: Tech. Sgt. John Raven/USAF.

A última atualização conhecida é a integração de um pod de Radar de Abertura Sintética (SAR), para complementar o emprego dos pods de identificação e guiagem Litening e Sniper. O modelo do pod SAR não foi confirmado, mas acredita-se que será o AN/ASQ-236 Dragon’s Eye, já operacional no F-15E. 

O Common Fleet Initiative começou em 2019 com a conclusão do primeiro contrato de troca de asas do A-10. Em julho daquele ano, foi concluída a instalação de 173 novos pares de asas fabricadas pela Boeing. No mês seguinte a Força Aérea dos EUA concedeu à Boeing um segundo contrato, no valor de até US$ 999 milhões, que fornecerá 112 novos conjuntos de asas, completando a troca do componente de todos os 281 A-10 atualmente em carga.