Em uma entrevista para a Reuters, o chefe de vendas da Airbus, Christian Scherer, pode ter declarado que o A321XLR, uma nova versão do jato A321, já tem até mesmo intenções de encomendas assinadas.

A incerteza sobre essa informação é que em todo momento Scherer destacou uma versão de Longo Alcance do A321neo, mas não é possível saber se ele se refere ao A321LR ou ao novo A321XLR, que ainda está em fase de prospecção de vendas.

“Estamos vendendo maior alcance no A321. As pessoas estão nos dizendo que este é um ótimo módulo, me dê mais alcance. (Dizemos), vamos dar-lhe o alcance máximo que podemos no A321: quantos você gostaria? É isso que estamos fazendo”, disse ele em sua primeira entrevista, que ocorreu em setembro, em sua nova função.

As observações de Scherer são a mais forte indicação de que a Airbus lançou silenciosamente o A321XLR, uma nova versão do seu avião de corredor único que concorre com o 737 MAX e pode enfrentar um novo jato da Boeing, batizado por enquanto de NMA. O A321XLR já pode ter suas primeiras intenções de compra, enquanto a Boeing ainda pensa em lançar sua nova aeronave, mas também está consultando possíveis clientes.

Em fevereiro a Airbus tinha informado que já estava negociando com interessados no A321XLR. O foco era conseguir de 200 a 300 encomendas, para viabilizar o projeto, que requer diversas alterações no A321.

Se a Airbus conseguir alinhar os requisitos e lançar o projeto, a expectativa é realizar a primeira entrega até 2023, cerca de dois anos da Boeing entregar o primeiro avião do novo projeto (que ainda será lançado – ou não).

Esse avião é o A321XLR, uma versão de longuíssimo alcance que vai oferecer um maior peso de decolagem e capacidade de operar vários voos da costa leste dos Estados Unidos para países europeus, sem a limitação do atual A321LR que já agrada muitas companhias aéreas.

De acordo com o gerente do programa da família A320, Klaus Roewe, em uma entrevista anterior, a “nova aeronave” precisaria ter um peso máximo de decolagem superior a 101 toneladas, o espaço no interior do A321neo seria mantido, e outras modificações podem possibilitar um alcance de até 8700 km.

De acordo com Roewe, o A321XLR não precisaria de novas asas, mas o trem de pouso precisaria ser reforçado para suportar o maior peso de decolagem. Já em termos de propulsão, o CFM Leap-1A e o PW1100G podem dar conta de fornecer o empuxo necessário, apesar da mudança na performance da aeronave durante a decolagem.