Airbus
Foto: Airbus/Divulgação

A Airbus realizou nos últimos meses um curioso teste, onde uma asa totalmente nova foi colocada em prova em um túnel de vento, e em um breve futuro equipará um jato executivo Cessna Citation VII.

Todos os testes foram realizados no âmbito do projeto eXtra Performance Wing, lançado em setembro de 2021. Nesta primeira etapa, já finalizada, os pesquisadores da Airbus colocaram em prova uma versão em escala do Citation que será utilizado nos testes.

Uma asa de material composto foi construída, com um bordo de fuga capaz de alterar a superfície da asa, juntamente com uma dobradiça semi-aeroelástica. Esta é a primeira vez que a Airbus utilizou essa abordagem, juntamente com uma ponta que tem capacidade de se dobrar durante o voo.

No vídeo abaixo, e na imagem em destaque, podemos conferir o uso de barbantes com tintas fluorescentes bem como o uso de flowvis para o acompanhamento do comportamento aerodinâmico em túnel de vento. Com base nesses materiais simples, os engenheiros conseguem estabelecer como o fluxo de ar se comporta em diversas condições de voo, e comparar com os dados esperados em projeto.

“O modelo de túnel de vento parcialmente impresso em 3D – habilmente construído pela equipe de aerodinâmica nas instalações de túnel de vento de baixa velocidade da Airbus em Bristol – é uma versão reduzida do jato Cessna, incorporando o design leve e de longo alcance do eXtra Performance Wing que fornecerá os benefícios de emissões pelos quais estamos nos esforçando.”

“Semelhante a como uma águia voa, adaptando a forma, extensão e superfície de suas asas e penas, este demonstrador permite maior eficiência de voo”, disse a Airbus sobre o projeto apresentado nesta quarta-feira (22).

A seção totalmente dobrável do Citation terá 2,4 metros em cada parte da asa. A Airbus espera comprovar que é possível ganhar eficiência aerodinâmica ao voar com as pontas “dobradas” em um ângulo específico.

Além disso, a capacidade de alterar a superfície da asa durante o voo pode melhorar a eficiência aerodinâmica da aeronave, principalmente interferindo no funcionamento da camada limite na parte superior (extradorso) da asa, diminuindo as microturbulências na superfície.

 

Projeto AlbatrossONE inaugurou os estudos desse conceito

Inicialmente introduzido em menor escala por meio de outro projeto da Airbus, o AlbatrossONE , que testou asas articuladas semi-aeroelásticas que – como as aves marinhas – destravadas durante o voo ao sofrer rajadas de vento ou turbulência, a eXtra Performance Wing também examinará tecnologias a bordo, como sensores de rajada, spoilers pop-up e bordas de fuga multifuncionais, para permitir o controle ativo da asa.

“O túnel de vento de baixa velocidade de última geração da Airbus é uma maneira fantástica de validar nossos conceitos antes dos testes de voo”, acrescentou Oliver Family. “Nossa capacidade de análise aerodinâmica computacional é de classe mundial, e o túnel de vento fornece outra maneira valiosa de medir o desempenho e as capacidades da aeronave antes dos testes de voo. As tecnologias que testamos no túnel de vento de Filton – muitas inspiradas na biomimética – agora serão rapidamente integradas para testes de voo.”

Veja mais sobre o projeto AlbatrossONE Clicando Aqui.

O túnel de vento de baixa velocidade da Airbus em Filton, perto de Bristol, replica condições semelhantes às velocidades do vento de decolagem e aterrissagem de aeronaves, mas também é usado por organizações externas que testam carros de F1, sistemas de radar de navios, veículos de mobilidade aérea urbana e aeronaves convencionais.

O demonstrador eXtra Performance Wing está hospedado na Airbus UpNext, uma subsidiária integral da Airbus, criada para dar às tecnologias futuras um desenvolvimento acelerado através da construção de demonstradores em velocidade e escala para avaliar, amadurecer e validar potenciais novos produtos e serviços que abrangem avanços tecnológicos radicais.