American Airlines EUA Vacinação
Foto: Gabriel Melo/Aeroflap

A ANAC publicou no último dia 30 de dezembro um ASO (Alerta de Segurança Operacional) com recomendações para operação nos Estados Unidos, especificamente sobre potenciais efeitos adversos sobre os radioaltímetros em espaços sujeitos à interferência de comunicações 5G na Banda C.

No documento, a ANAC recomenda a todos os operadores, proprietários e pilotos de aeronaves registradas no Brasil que venham a realizar operações no território dos Estados Unidos as seguintes ações:

1. Tomar conhecimento e observar as recomendações dos seguintes documentos emitidos pela FAA:

– SAIB AIR-21-18R1
– AD 2021-23-12
– AD 2021-23-13
– SAFO 21007

2. Observar as restrições estabelecidas nos NOTAMs eventualmente emitidos e considerar o impacto que estas restrições podem causar às suas operações pretendidas. Recomenda-se realizar uma análise de risco quanto ao impacto da indisponibilidade das funções listadas nas Diretrizes de Aeronavegabilidade emitidas pela FAA, tendo em vista que os NOTAMs podem ser emitidos sem prévio aviso para localidades onde até então não se tem limitações.

3. Verificar junto aos fabricantes de suas aeronaves quanto à existência de um AMOC aprovado pela FAA que possa ser utilizado, e as recomendações aplicáveis.

Veja a íntegra do ASO 004-0/2021 da Anac: https://tinyurl.com/5695mpn4

A Anac lembra no documento que eventuais dúvidas podem ser enviadas para o e-mail [email protected].

 

Problema com divisão de frequências na rede 5G

Como relatamos anteriormente, empresas do setor de aviação, como as próprias companhias aéreas, estão apontando que as frequências concedidas para o 5G nos EUA podem interferir atualmente nas aeronaves, causando um prejuízo de US$ 1,6 bilhão por ano em atrasos de voos.

A FAA aponta que os sinais de 5G na mesma banda podem interferir nos altímetros de aeronaves, que usam a faixa de 4200-4400 MHz. A provável interferência também é questionada por outra agência regulamentadora independente da FAA, a Transporte Canada do país vizinho aos EUA.

O problema está concentrado na Banda C de frequências entre 3700 a 3980 MHz.

Essas frequências do rádio-altímetro são utilizadas para medição direta da altitude da aeronave em algumas fases do voo, mas especialmente em baixa altitude. Como um sonar, o equipamento é capaz de medir o tempo que a onda é emitida do avião até ser refletida pelo solo logo abaixo do mesmo.

Em uma aeronave, o rádio-altímetro atua juntamente com outros equipamentos, como o TCAS, o GPWS, ILS e o computador do avião, logo, é um equipamento bastante importante e complementa as informações de pressão dinâmica e estática do tubo de pitot.

A interferência foi aferida em 2020 pela RTCA (Radio Technical Commission for Aeronautics), que confirmou a possível interação entre as frequências. Com base na pesquisa da RTCA, a Transport Canada apontou um “grande risco” de que os sistemas 5G que usam a banda de 3,7 a 3,98 GHz “causem interferência prejudicial” a rádios altímetros em “todos os tipos” de aeronaves civis.

Até uma solução definitiva ser implementada, as operadoras AT&T e Verizon Communications deveriam atrasar o uso dessas frequências, mas as operadoras negam atrasar a implementação do 5G para evitar interferências com as aeronaves.

 

Via: SNA

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