O uso de determinadas frequências para a comunicação em 5G está em amplo debate nos Estados Unidos. De acordo com empresas do setor de aviação, como as próprias companhias aéreas, estas podem interferir atualmente nas aeronaves, causando um prejuízo de US$ 1,6 bilhão por ano em atrasos de voos.

O problema está concentrado na Banda C, utilizado para a comunicação da aeronave com os satélites as frequências entre 3700 a 3980 MHz. Até uma solução definitiva ser implementada, as operadoras AT&T e Verizon Communications vão atrasar o uso dessas frequências.

Além disso, a FAA aponta que os sinais de 5G na mesma banda podem interferir nos altímetros de aeronaves, que usam a faixa de 4200-4400 MHz. A provável interferência também é questionada por outra agência regulamentadora independente da FAA, a Transporte Canada do país vizinho aos EUA.

Essas frequências do rádio-altímetro são utilizadas para medição direta da altitude da aeronave em algumas fases do voo, mas especialmente em baixa altitude. Como um sonar, o equipamento é capaz de medir o tempo que a onda é emitida do avião até ser refletida pelo solo logo abaixo do mesmo.

Em uma aeronave, o rádio-altímetro atua juntamente com outros equipamentos, como o TCAS, o GPWS, ILS e o computador do avião, logo, é um equipamento bastante importante e complementa as informações de pressão dinâmica e estática do tubo de pitot.

A interferência foi aferida em 2020 pela RTCA (Radio Technical Commission for Aeronautics), que confirmou a possível interação entre as frequências. Com base na pesquisa da RTCA, a Transport Canada apontou um “grande risco” de que os sistemas 5G que usam a banda de 3,7 a 3,98 GHz “causem interferência prejudicial” a rádios altímetros em “todos os tipos” de aeronaves civis.

Mostrando estudos sobre a interferência de algumas frequências nas aeronaves, o presidente-executivo da United Airlines, Scott Kirby, disse aos senadores que cerca de 4% dos voos diários podem sofrer atrasos ou até mesmo necessitarem de troca do aeroporto de operação.

Uma associação que representa a indústria de celulares dos EUA disse que discorda do ponto de vista das empresas de aviação, dizendo que as transmissões 5G “no espectro da banda C operam com segurança e sem causar interferência prejudicial ao equipamento de aviação”.

“Provedores sem fio em quase 40 países já usam a banda C; e provedores em muitos países – incluindo Áustria, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Nova Zelândia, Romênia e Espanha – transmitem na faixa exata de 3700-3800 MHz que a indústria de telecomunicações dos Estados Unidos usará”, diz a CTIA, apontando que as empresas investiram US$ 25 bilhões para ativarem novas frequências a partir de janeiro de 2022.

Com a possibilidade de interferências, e sem uma definição sobre as frequências da Banda C que poderão ser utilizadas, a FAA pode limitar a operação de voos em grandes metrópoles, tirando a importante capacidade dos pilotos de realizarem procedimentos por instrumentos, muitas vezes necessários pela agilidade do voo ou até mesmo problemas climáticos.

Algumas modificações podem ocorrer no futuro, como resultado dessa análise da TC e da RTCA, veja abaixo:

  • A primeira envolve a desativação mundial desta banda de 5G, para evitar problemas com as aeronaves no presente e também no futuro.
  • A segunda é uma alteração nos procedimentos a bordo, evitando que os passageiros liguem os celulares, ou retirem os mesmos do ‘modo avião’.
  • A terceira, se não houver uma implementação de nenhuma das soluções anteriores, é a mudança da frequência do rádio altímetro de cada aeronave.

Já a ANAC está realizando estudos sobre a utilização do 5G no Brasil, que você pode conferir Clicando Aqui.

 

Com apoio das informações de Reuters e FlightGlobal. Texto por AEROFLAP.

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